A crise na Apex Partners escalou, nesta sexta-feira (07), e chegou ao Judiciário. Alegando estarem completamente "no escuro" e apresentando uma dívida, em princípio, de R$ 985,6 milhões (o que foi uma surpresa), os advogados da banca Finamore Advogados, que representam os sócios da Apex, foram à Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória pedir a chamada tutela cautelar antecedente, instrumento que blinda os ativos da companhia por até 60 dias. A solicitação foi aceita, no final da tarde desta sexta, pelo juiz Marcos Pereira Sanches. Assim, os sócios que, na última quarta-feira, em assembleia, afastaram Fernando Cinelli da presidência da Apex e Eduardo Siqueira da diretoria Financeira, ganham tempo para entenderem o tamanho do problema sem o risco de a empresa ter bens arrestados, liquidados, executados e etc.
Na próxima segunda-feira (10), deve ser anunciado o nome da empresa de auditoria que fará o trabalho dentro da Apex. Umas das quatro gigantes mundiais do segmento - Deloitte, KPMG, Ernst & Young e PwC - será a contratada. O trabalho de apuração será feito dentro do prazo de 30 dias que o juiz deu para que a companhia defina se entrará ou não com um pedido de recuperação judicial. Os sócios querem a blindagem, o tempo e não pensam, por ora, em recuperação judicial. A ação preparatória para uma recuperação judicial só foi feita porque é como manda a lei, ou seja, não havia outra possibilidade legal para conseguir a blindagem. Outra questão importante é que grande parte do passivo de quase R$ 1 bi começa a vencer em dois anos e tem sete para ser quitado. Não há dívidas em atraso. Claro, a auditoria externa vai dar todos os detalhes sobre o tema, mas existe a confiança de que o endividamento real possa ser até menor.
Como já foi afirmado pela Apex, Fernando Cinelli é acusado de "gestão temerária e má-fé". Os sócios argumentam que faltava transparência aos balanços e que não tinham noção do tamanho do passivo da companhia. Ainda de acordo com os sócios, o problema estava localizado em Cinelli e Siqueira, por isso, foram afastados.
Já havia, há alguns meses, um estresse dentro da cúpula da Apex em relação às condutas de Cinelli, mas a gota d'água, que levou alguns sócios a fazerem uma investigação interna, foi a operação envolvendo a compra de uma fatia da CVC. Um fundo capitaneado pela plataforma capixaba, o BRM Carbyne Voyage, vem comprando, há algum tempo, ações da maior agência de viagens do Brasil. Hoje, o bloco capitaneado pela Apex é dono de 15,5% da CVC. A questão é que as ações da empresa só fazem cair: encolhimento de 39,4% em seis meses e com promessa de retorno a 100% do CDI, ao final de três anos, para os cotistas. Os sócios não gostaram, montaram um grupo de trabalho para olhar e começaram a entender o tamanho do problema.
Cinelli chegou a ser, em abril passado, indicado para um assento no conselho de administração da CVC. Na noite de quinta, ele renunciou ao cargo.
Além do pedido na Justiça de blindagem de patrimônio, a Apex definiu, nesta sexta, que vai entrar com uma ação contra Fernando Cinelli por gestão temerária e má-fé enquanto esteve à frente da empresa. A companhia vai pedir o bloqueio dos bens do presidente afastado.
Procurado pela coluna, Cinelli enviou a seguinte nota: "o empresário Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners, está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas. Com o gesto, ele demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade".
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