Os chineses estão chegando. Os árabes também. Os japoneses, indianos e italianos continuam relevantes. Abre-se novo ciclo na economia capixaba.
Novos investimentos para adensamento de cadeias produtivas com indústrias motrizes, com fortalecimento da logística de comércio exterior e com efeitos pertinentes no agronegócio e na ampliação do setor de serviços — incluindo educação e saúde.
O volume de investimentos é relevante. Estimativa de mais de R$ 137 bilhões até 2029/2030, liderados por petróleo, logística, portos, indústrias e infraestrutura. A Petrobras, a Vale, a Samarco, a Suzano e a ArcelorMittal estimam mais de R$ 50 bilhões no ES até 2029.
A chinesa GWM já lançou a pedra fundamental para produção de automóveis em Aracruz, integrando investimento de R$ 10 bilhões no Espírito Santo e em São Paulo.
As também chinesas BYD, Jaecoo e Omoda transformaram o estado em porta de entrada logística no Brasil. Investem em Centros Logísticos para armazenagem de veículos; centros de distribuição; expansão de capacidade portuária e logística ferroviária e rodoviária.
O Porto da Imetame, em Aracruz, já é uma realidade. Também atrai investimentos internacionais. É uma alavanca para impulsionar o ParkLog Norte e impulsionar outros novos investimentos.
O Porto Central, já em implantação, estima mais de R$ 2,5 bilhões de investimentos nesta fase inicial. É um dos maiores projetos de infraestrutura do Brasil, com perfil de porto de águas profundas e porto-indústria. Tem atraído interesse de investidores internacionais, principalmente chineses e europeus. É uma alavanca para impulsionar o ParkLog Sul.
Tudo resulta em adensamento de cadeias produtivas e em força motriz para criação de valor e expansão do comércio, dos serviços em geral, e do mercado imobiliário.
Esse novo perfil da economia capixaba que está em curso alavanca também o capital local/estadual e induz a ampliação do capital nacional. É o tripé: local/nacional/internacional.
Este mix de formação de capital induz e induzirá um foco crucial na questão fundamental da produtividade – um Calcanhar de Aquiles no Brasil e no Espírito Santo.
Outro dia, Rafael Furlanetti tratou do tema produtividade e criação de riqueza aqui em A Gazeta.
Foi cirúrgico: “Durante muito tempo, o debate nacional concentrou-se em como distribuir riqueza. A próxima geração precisará enfrentar uma pergunta anterior: como criar mais riqueza”(...). “Nenhuma sociedade consegue repartir de forma sustentável aquilo que não produz, e nenhum país alcança o desenvolvimento sem colocar a produtividade no centro do seu projeto nacional”.
Furlanetti cita exemplos de sucesso no tema produtividade, como a Coreia do Sul, Israel, Estônia e Irlanda. E recomenda aos capixabas a aceleração da “incorporação de tecnologia e inovação em sua base produtiva”.
O governo do ES já trilha este caminho desde 2019 com a criação de um Fundo Soberano e o estímulo à formação de startups de inovação tecnológica. A Federação das Indústrias do ES (Findes) criou um hub de startups. O empresariado capixaba também. E a Prefeitura de Vitória também trata do tema há alguns anos, desde a criação de um Fundo de Incentivo à Tecnologia quando Vitor Buaiz foi prefeito da capital.
Mas é preciso mais.
Chegou a hora. A chegada de novos investimentos internacionais ao ES poderá ter um efeito de ponto de inflexão na incorporação de tecnologia e inovação na base produtiva.
Com efeitos pertinente na evolução da inteligência artificial, na educação de qualidade e profissionalizante, na automação, no avanço da pesquisa e dos projetos em ciência e tecnologia, e no letramento digital.
Inovação. Em temporada eleitoral, este é um tema que não pode deixar de ser tratado nas propostas dos candidatos e nos debates.