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Antônio Carlos de Medeiros

O capital internacional amplia a sua participação no PIB do ES

Chegou a hora. A chegada de novos investimentos internacionais ao ES poderá ter um efeito de ponto de inflexão na incorporação de tecnologia e inovação na base produtiva

Publicado em 08 de Agosto de 2026 às 04:30

Públicado em 

08 ago 2026 às 04:30
Antônio Carlos de Medeiros

Colunista

Antônio Carlos de Medeiros Antônio Carlos de Medeiros

Os chineses estão chegando. Os árabes também. Os japoneses, indianos e italianos continuam relevantes. Abre-se novo ciclo na economia capixaba.


Novos investimentos para adensamento de cadeias produtivas com indústrias motrizes, com fortalecimento da logística de comércio exterior e com efeitos pertinentes no agronegócio e na ampliação do setor de serviços  incluindo educação e saúde.


O volume de investimentos é relevante. Estimativa de mais de R$ 137 bilhões até 2029/2030, liderados por petróleo, logística, portos, indústrias e infraestrutura. A Petrobras, a Vale, a Samarco, a Suzano e a ArcelorMittal estimam mais de R$ 50 bilhões no ES até 2029.

A chinesa GWM já lançou a pedra fundamental para produção de automóveis em Aracruz, integrando investimento de R$ 10 bilhões no Espírito Santo e em São Paulo. 

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As também chinesas BYD, Jaecoo e Omoda transformaram o estado em porta de entrada logística no Brasil. Investem em Centros Logísticos para armazenagem de veículos; centros de distribuição; expansão de capacidade portuária e logística ferroviária e rodoviária.


O Porto da Imetame, em Aracruz, já é uma realidade. Também atrai investimentos internacionais. É uma alavanca para impulsionar o ParkLog Norte e impulsionar outros novos investimentos.


O Porto Central, já em implantação, estima mais de R$ 2,5 bilhões de investimentos nesta fase inicial. É um dos maiores projetos de infraestrutura do Brasil, com perfil de porto de águas profundas e porto-indústria. Tem atraído interesse de investidores internacionais, principalmente chineses e europeus. É uma alavanca para impulsionar o ParkLog Sul.


Tudo resulta em adensamento de cadeias produtivas e em força motriz para criação de valor e expansão do comércio, dos serviços em geral, e do mercado imobiliário.

Perspectiva do Porto Central, em Presidente Kennedy, Sul do Espírito Santo
Perspectiva do Porto Central, em Presidente Kennedy, Sul do Espírito Santo Porto Central/Divulgação

Esse novo perfil da economia capixaba que está em curso alavanca também o capital local/estadual e induz a ampliação do capital nacional. É o tripé: local/nacional/internacional.

Este mix de formação de capital induz e induzirá um foco crucial na questão fundamental da produtividade – um Calcanhar de Aquiles no Brasil e no Espírito Santo.


Outro dia, Rafael Furlanetti tratou do tema produtividade e criação de riqueza aqui em A Gazeta. 


Foi cirúrgico: “Durante muito tempo, o debate nacional concentrou-se em como distribuir riqueza. A próxima geração precisará enfrentar uma pergunta anterior: como criar mais riqueza”(...). “Nenhuma sociedade consegue repartir de forma sustentável aquilo que não produz, e nenhum país alcança o desenvolvimento sem colocar a produtividade no centro do seu projeto nacional”.


Furlanetti cita exemplos de sucesso no tema produtividade, como a Coreia do Sul, Israel, Estônia e Irlanda. E recomenda aos capixabas a aceleração da “incorporação de tecnologia e inovação em sua base produtiva”.


O governo do ES já trilha este caminho desde 2019 com a criação de um Fundo Soberano e o estímulo à formação de startups de inovação tecnológica. A Federação das Indústrias do ES (Findes) criou um hub de startups. O empresariado capixaba também. E a Prefeitura de Vitória também trata do tema há alguns anos, desde a criação de um Fundo de Incentivo à Tecnologia quando Vitor Buaiz foi prefeito da capital.


Mas é preciso mais. 


Chegou a hora. A chegada de novos investimentos internacionais ao ES poderá ter um efeito de ponto de inflexão na incorporação de tecnologia e inovação na base produtiva. 


Com efeitos pertinente na evolução da inteligência artificial, na educação de qualidade e profissionalizante, na automação, no avanço da pesquisa e dos projetos em ciência e tecnologia, e no letramento digital.


Inovação. Em temporada eleitoral, este é um tema que não pode deixar de ser tratado nas propostas dos candidatos e nos debates.

Antônio Carlos de Medeiros

Antônio Carlos de Medeiros Antônio Carlos de Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços nessas áreas

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