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Investigação

'Acha que segunda já tenho que estar fora?', perguntou Vorcaro a Moraes 2 dias antes de prisão, diz jornal

Dono do Banco Master e ministro do STF conversaram sobre detalhes sensíveis da Operação Compliance Zero

Publicado em 01 de Setembro de 2026 às 14:39

Agência FolhaPress

Publicado em 

01 set 2026 às 14:39
BRASÍLIA - O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, perguntou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal, segundo reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Em 15 de novembro de 2025, um sábado, Vorcaro teria enviado a Moraes a mensagem: "Acha que segunda já tenho que estar fora?", de acordo com o jornal. Na segunda-feira (17), o banqueiro foi preso pela PF quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.
Daniel Vorcaro trocou mensagens de WhatsApp com Alexandre de Moraes Divulgação e Rosinei Coutinho/STF
A revelação amplia o conjunto de mensagens entre Vorcaro e um interlocutor que a Polícia Federal suspeita ser Moraes. Parte desses diálogos está em documento sobre o qual o ministro André Mendonça, do STF, pediu manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República).
Um dia antes da prisão, em 16 de novembro, Vorcaro também teria perguntado ao ministro: "Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?", segundo o Estadão.
A ordem de prisão preventiva foi assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, às 15h29 de 17 de novembro, segundo o jornal. Horas depois, Vorcaro foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo.
O Estadão afirma ainda que, no dia 15, Vorcaro perguntou a Moraes: "Aquele mesmo juiz Ricardo? E o [Gabriel] Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo?" Já às 17h26 do dia em que acabou preso, teria enviado: "Conseguiu ter notícia ou bloquear?"
As mensagens extraídas do celular de Vorcaro não permitem saber o conteúdo de eventuais respostas de Moraes. Os dois usariam imagens de visualização única com capturas de textos escritos no aplicativo de notas, e a extração teria recuperado apenas conteúdos enviados pelo banqueiro.
A investigação da PF apresenta uma série de mensagens enviadas por Vorcaro a partir de 30 de outubro de 2025. Em outros diálogos já revelados, o banqueiro pede a um interlocutor a atuação de "Andrei e Paulo" a seu favor. As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
A pessoa para quem a mensagem foi enviada não havia sido identificada inicialmente, mas a PF aponta suspeita de que o interlocutor seja Moraes. A informação foi divulgada inicialmente pelo site Metrópoles e confirmada pela reportagem.
Em uma das mensagens, Vorcaro afirma que era "importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco". Em outra, divulgada pelo Estadão, pede que o interlocutor tente adiar uma ação da PF: "Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível".
Mendonça deu prazo de cinco dias para que a PGR se manifeste sobre o documento da PF. A reportagem procurou nesta terça-feira (1º) Andrei, Gonet e Moraes, que ainda não haviam se manifestado.
O Estadão também publicou que Moraes fez edições em uma minuta do contrato entre o Banco Master e o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes.
Em nota, o escritório afirmou que seu setor de compliance solicitou informações ao ministro, "na condição de marido da sócia diretora", sobre eventuais impedimentos legais para a contratação.
Segundo o escritório, não havia impedimento porque não estava prevista atuação perante o STF e Moraes não havia julgado causas envolvendo o Master. O contrato previa pagamentos de R$ 129 milhões ao longo de três anos, a R$ 3,6 milhões por mês.
Em março, O Globo revelou que Vorcaro trocou mensagens de WhatsApp com Moraes ao longo do dia de sua primeira prisão. A informação foi confirmada pela Folha de S.Paulo.
À época, Moraes afirmou que "não recebeu essas mensagens" citadas em reportagens e classificou como "ilação mentirosa" a afirmação de que elas teriam sido enviadas a ele.
Vorcaro foi preso em 17 de novembro, quando se preparava para embarcar para o exterior. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Master.

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