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Deputado mais votado

Como Sérgio Meneguelli vai se comportar em relação ao governo do ES

Ex-prefeito de Colatina, deputado estadual afirmou à coluna ser "totalmente independente", mas se aproxima de Casagrande. Ele também falou sobre os planos para 2026

Públicado em 

07 fev 2023 às 07:51
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Deputados tomam posse na Assembleia Legislativa do ES
Sérgio Meneguelli no dia 1º de fevereiro de 2023, ao fazer o juramento de posse como deputado estadual Crédito: Fernando Madeira
O ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli (Republicanos) surpreendeu ao aparecer no plenário da Assembleia Legislativa do Espírito Santo no último dia 1º de fevereiro. Ele ainda se recuperava de uma cirurgia a que foi submetido após sentir fortes dores abdominais. O diagnóstico é de diverticulite.
De cadeira de rodas e visivelmente abatido, o deputado compôs a mesa de autoridades na sessão solene de posse. Em outubro de 2022, ele recebeu uma votação histórica. Foi a escolha de 138.485 eleitores, marca inédita para um parlamentar estadual.
A coluna quis saber: Meneguelli vai compor a base de apoio ao governador Renato Casagrande (PSB) na Assembleia? "Isso você vai saber na hora, não posso falar nada", respondeu o deputado, enquanto descia a rampa da Mesa Diretora da Casa, após sentir falta de ar e deixar o plenário.
Ainda assim, ele avisou que retornaria para a eleição da Mesa, às 15h daquele mesmo dia. A explicação para tamanho esforço logo ficaria evidente. Meneguelli compôs a chapa única encabeçada por Marcelo Santos (Podemos).
Marcelo é hoje o presidente da Casa e o ex-prefeito de Colatina, o 3º secretário.
O chefe do Legislativo estadual é aliado de Casagrande. A chapa tinha, desde o início, digitais palacianas.
Em entrevista à coluna, Marcelo Santos, no entanto, contou que a aproximação de Meneguelli deu-se antes do apoio público do governador ao próprio Marcelo, que disputava, nos bastidores, com Vandinho Leite (PSDB). 
A maior parte dos deputados do Republicanos, partido do ex-prefeito de Colatina, estava ao lado de Vandinho. Com a orientação governista para que o deputado do Podemos fosse o ungido, o grupo do tucano recuou.
Mas emplacou nomes na Mesa, como Hudson Leal (Republicanos), atual vice-presidente da Assembleia.
"O Serginho Meneguelli tá naquela posição (3º secretário da Mesa Diretora) não foi pelo grupo (de Vandinho), não. Meneguelli foi uma decisão do grupo nosso. Ele havia pleiteado", revelou Marcelo Santos.
"Ele falou que votaria comigo, comunicou isso ao governador. Foi uma decisão pessoal do Meneguelli", complementou.
"Assim que aconteceu o que houve com ele (a cirurgia à qual o ex-prefeito de Colatina foi submetido), quando ele teve a oportunidade de falar, ele me disse que já havia falado com o governador. 'Vou votar em você por opção e eu gostaria muito de figurar na Mesa'. Eu falei 'tá legal, tendo espaço nessa construção, eu consigo colocar você'", narrou o presidente da Assembleia.
Assim, Meneguelli entrou na chapa governista sem nem precisar ouvir um pedido de Casagrande.
A coluna também falou com o governador sobre o que ele espera do deputado que é sensação nas redes sociais:
"Minha conversa com Meneguelli sempre foi muito boa. Tem disposição dele de ser parceiro, tem disposição minha de ser parceiro do mandato dele. Temos uma relação muito boa"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
O deputado estadual afirmou, nesta terça-feira (7), à coluna, que não quer se rotular como base aliada ao governador ou oposição. 
"Não gosto de ter essa definição de base ou não. O que for de interesse da coletividade eu voto a favor. Em política, a razão está acima do coração e das ideologias políticas", defendeu.
Ele foi convidado por Casagrande para uma conversa e, assim que tiver condições de saúde, vai ao gabinete do socialista: "Torço para que Casagrande faça um bom governo e que eu possa ajudar no que o estado precisa. Vou lá porque tenho reivindicações para a cidade (Colatina)".
Apesar de confirmar que não tem problemas de relacionamento com Casagrande e das palavras positivas destinadas ao socialista, Meneguelli disse que assinou, na segunda-feira (6), o requerimento de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) feito pelo oposicionista Lucas Polese (PL).
A comissão é para apurar "critérios de concessão, cumprimento de contratos e irregularidades nas cobranças de pedágio no estado do Espírito Santo, tomados por concessão por empresas particulares”.
"Sou totalmente independente"
Sérgio Meneguelli (Republicanos) - Deputado estadual
Agora, falemos da questão partidária. Meneguelli está no Republicanos, uma legenda fisiológica que se apresenta como "o verdadeiro partido conservador do Brasil", por uma questão circunstancial.
Ele foi eleito prefeito de Colatina, em 2016, pelo MDB. Durante o mandato, saiu da sigla. Em março de 2020, virou republicano (no sentido de filiado ao atual partido). E decidiu não tentar a reeleição.
O plano de Meneguelli, que ele revelou em 2021, era ser senador.
Em dezembro de 2021, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, esteve em Vitória e afirmou que o partido tinha dois pré-candidatos ao cargo: o ex-prefeito e o deputado federal Amaro Neto.
A preferência da direção nacional era que Amaro disputasse a reeleição. 
EM CIMA DO MURO
Meneguelli não tem lá muita identidade com o Republicanos. A legenda integrou a base do então presidente Jair Bolsonaro (PL). O ex-prefeito, por sua vez, fica em cima do muro.
Ele até visitou Bolsonaro no Palácio do Planalto, a convite do chefe do Executivo federal, em dezembro de 2020. 
Já no segundo turno das eleições de 2022, o deputado estadual, eleito, não pediu votos para ninguém. Não apoiou Bolsonaro nem Lula (PT). Quanto à corrida pelo Palácio Anchieta, nem Carlos Manato (PL) nem Renato Casagrande (PSB).
"Sempre fiz campanha sozinho. Não usei nome de Bolsonaro nem de Lula", afirmou, nesta terça.
O Republicanos também não optou, oficialmente, por um dos candidatos ao governo estadual. O então presidente da Assembleia, Erick Musso (Republicanos), entretanto, declarou voto em Manato.
"ANIQUILARAM MEU SONHO"
O ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli, de camisa branca, desanimado durante convenção do Republicanos
O ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli, de camisa branca, desanimado durante convenção do Republicanos, em julho de 2022 Crédito: Rafael Segatto
Àquela altura do campeonato, Meneguelli, apesar da votação recorde, estava desiludido da vida.
Como já mencionado neste texto, o plano dele, desde 2021, era disputar o Senado e recebeu sinal verde da direção nacional do partido.
O ex-prefeito, porém, tomou uma rasteira do Republicanos. Aos 45 do segundo tempo, a legenda colocou Erick Musso para concorrer ao cargo de senador
O próprio Erick afirmou, em entrevista coletiva, que a mudança ocorreu por determinação da direção nacional. Meneguelli creditou a manobra à influência de Magno Malta (PL), que também era candidato ao Senado.
Na convenção estadual do partido, em 28 de julho – evento formal em que as candidaturas são confirmadas – , o descontentamento do ex-prefeito de Colatina era patente. "Aniquilaram meu sonho", discursou.
A ele, foi oferecida a possibilidade de disputar a Assembleia Legislativa, o que aceitou. O prazo para que trocasse de partido já tinha acabado. Logo, não havia alternativa.
Aos 66 anos, o ex-prefeito de Colatina é um personagem quase folclórico. Foi vereador da cidade e ganhou notoriedade nas redes sociais por, também quando chefe do Executivo municipal, divulgar imagens de si mesmo andando de bicicleta – veículo que prefere ao carro – consertando bancos de praças e comendo marmita.
O escrutínio quanto às habilidades de gestor público ficou em segundo plano. A estratégia deu tão certo que Meneguelli ganhou fama até fora do Espírito Santo.
Se tivesse disputado o Senado, seria um páreo duro contra Magno Malta, que venceu o pleito.
Meneguelli não usou recursos públicos na campanha para deputado – dos fundos partidário ou eleitoral. Recebeu doações de pessoas físicas e recursos estimáveis (quando alguém presta um serviço e projeta quanto isso custaria).
Gastou R$ 69.679,85, de acordo com dados do DivulgaCand, site oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Cada um dos cerca de 138 mil votos que Meneguelli conquistou, portanto, "custou" R$ 0,50. 
Para se ter uma ideia, o voto mais "caro" entre os eleitos no Espírito Santo foi o de Amaro Neto, reconduzido à Câmara dos Deputados. Ele contratou R$ 2,5 milhões em despesas e recebeu cerca de 52 mil votos. Cada voto "custou" R$ 48,23. 
VEM AÍ?
Do que Meneguelli seria capaz, então, com dinheiro e uma campanha bem estruturada? Não creio que ele vá embarcar, como candidato, nas eleições do ano que vem, que são municipais. Mas e 2026?
Daqui a quatro anos, duas vagas de senador vão estar em disputa (as hoje ocupadas por Fabiano Contarato e Marcos do Val). E o governo do Espírito Santo, também.
Casagrande não pode tentar a reeleição, uma vez que já está no segundo mandato consecutivo. E o ex-governador Paulo Hartung (sem partido) afirmou que não pretende mais disputar eleições.
O Republicanos passou a ser presidido por Erick Musso, que está sem mandato.
Apesar de ter apoiado Manato contra Casagrande em 2022 e ensaiado lançar-se ao Palácio Anchieta, antes de ser oficializado como candidato ao Senado, o ex-presidente da Assembleia já não pode ser considerado um opositor de Casagrande.
O clima entre os dois, na posse do governador, em 1º de janeiro, aliás, foi bastante amistoso.
E uma fonte da coluna contou que, em 1º de fevereiro, quando passou à planície, Erick recebeu um telefonema do socialista, que o cumprimentou pela condução do Legislativo estadual nos últimos seis anos.
Se o Republicanos negar, de novo, espaço para Meneguelli disputar, desta vez ele vai poder se preparar melhor.
O ex-prefeito de Colatina não está autorizado a trocar de partido a qualquer momento, devido às regras de fidelidade partidária, mas em 2026 vai haver uma janela legal para isso.
Hoje, ele diz que tem apenas uma decisão: não vai tentar a reeleição para deputado estadual.

Correção

07/02/2023 - 9:15
A coluna registrou, erroneamente, que "o custo" de cada voto de Meneguelli foi de R$ 1,98. O valor correto é R$ 0,50. A informação foi corrigida.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, onde exerce a funcao de editora-adjunta desde 2020.

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