Aliado de Do Val, Casagrande avalia que senador corre risco de isolamento
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Aliado de Do Val, Casagrande avalia que senador corre risco de isolamento
Parlamentar do ES se colocou numa encrenca ao acusar o ex-presidente Jair Bolsonaro de o coagir a dar um golpe de Estado e depois mudar a versão dos fatos mais de uma vez
Senador Marcos do Val em entrevista concedida no gabinete do parlamentar no dia 3 de fevereiro de 2023Crédito: William Borgmann/Agência Senado
O senador Marcos do Val (Podemos) elegeu-se em 2018 com o apoio do governador Renato Casagrande (PSB). Aliás, mesmo sem se identificar como um político de centro-esquerda, disputou o pleito pelo Cidadania e creditou a filiação ao fato de o partido integrar a base aliada do socialista.
Em 2022, Do Val apoiou a reeleição do governador. Divergiu dele, porém, quanto à corrida pela Presidência da República. Casagrande ficou ao lado de Lula (PT), ainda que discretamente. Do Val apoiou Jair Bolsonaro (PL) abertamente.
O chefe do Executivo do Espírito Santo evitou comentar, nesta segunda-feira (6), a situação do aliado.
Diante da repercussão da "bomba" que lançou em uma live (transmissão ao vivo nas redes sociais), Do Val mudou a versão do relato diversas vezes naquela mesma quinta-feira.
Bolsonaro, de vilão, passou a mero expectador de uma conversa entre Do Val e o então deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) sobre um plano infalível (contém ironia). Caberia a Do Val gravar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e fazê-lo admitir que agiu ilegalmente.
Com a divulgação da gravação, Moraes seria preso e Bolsonaro não deixaria o Palácio do Planalto. O plano foi traçado no Palácio da Alvorada ou na Granja do Torto. Cada hora Do Val falou uma coisa.
Em um dos relatos, Do Val trata Moraes como aliado, a quem ele tentava avisar sobre "o golpe". Em outro, diz até que o ministro mentiu.
O parlamentar do Podemos conseguiu desagradar a gregos e troianos.
"Sempre que você começa a arrumar confronto com muita gente, acaba correndo o risco de isolamento"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
"Esse é um risco que ele corre, inclusive no Congresso. É um risco que ele tem que calcular, mas quem está de fora pode, de fato, fazer essa avaliação", analisou Casagrande, ao ser questionado sobre a postura de Do Val, no início da tarde desta segunda-feira (6).
O governador, no entanto, foi sucinto. Frisou que não conversou com o senador "depois que vieram à tona a entrevista à Veja e as outras entrevistas".
A última vez que falou com o parlamentar, de acordo com o socialista, foi pouco antes da eleição da Mesa Diretora do Senado, ou seja, antes do dia 1º de fevereiro.
"Não temos tido um relacionamento próximo, mas não temos problema no relacionamento", resumiu o socialista.
"Temos uma clara divergência ideológica. Mas, como sei conviver com quem pensa diferente, convivo com ele, trato dos temas de interesse do estado na hora em que é preciso."
Governador Renato CasagrandeCrédito: Fernando Madeira
Do Val, embora recuse o rótulo de bolsonarista, alinha-se a diversas pautas capitaneadas pelo ex-presidente da República, como o armamento da população civil e a promoção de medicamentos ineficazes contra a Covid-19.
O governador falou com a imprensa no salão São Tiago, no Palácio Anchieta, logo após uma palestra proferida pelo ministro do STF Luís Roberto Barroso.
O ministro foi a principal atração da aula inaugural da Residência Jurídica da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
Questionado sobre o caso Do Val em breve entrevista, Barroso preferiu não tecer qualquer comentário a respeito: "Não há como eu emitir uma opinião sobre isso".
"Só julgo nos autos. O dia que chegar, eventualmente, alguma coisa desse assunto para eu julgar você vai saber a minha opinião. Antes disso, é uma mera especulação (se a reunião relatada por Do Val configura crime). Aí é um tema para os comentaristas políticos", complementou o ministro.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.