A dermatilomania, também conhecida como transtorno de escoriação ou skin picking , é uma condição caracterizada pela compulsão de cutucar, apertar ou machucar a própria pele de forma repetitiva. Esse comportamento costuma ocorrer como uma tentativa de aliviar ansiedade, tensão emocional ou incômodos relacionados à aparência da pele, mas pode causar feridas, danos nos tecidos, infecções e cicatrizes permanentes.
“Para algumas pessoas, o desejo de cutucar, coçar e até ferir a pele está sempre presente, mesmo sabendo dos danos e até em casos em que a pele já está vermelha, sensível ou sangrando, alguns pacientes não conseguem parar de coçar. Essa condição crônica, que afeta 1,4% da população mundial, é ligada fortemente à ansiedade e a problemas emocionais”, explica a dermatologista Dra. Glauce Eiko, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Com causa exata desconhecida, a doença pode estar ligada a fatores genéticos, com diferenças na estrutura cerebral, e gatilhos ambientais, segundo a médica. “Gatilhos comuns incluem estresse, ansiedade , tédio ou a presença de uma condição de pele pré-existente, como acne ou eczema”, diz a Dra. Glauce Eiko.
Consequências da dermatilomania
Apesar de parecer um hábito inofensivo, cutucar a pele de forma contínua pode gerar consequências consideráveis. “É importante reforçar que, além do desconforto causado por cutucar continuamente a pele, a dermatilomania pode causar uma série de outros problemas, como a criação de crostas e, em alguns casos, levar a infecções graves, às vezes a ponto de o paciente precisar de antibióticos”, alerta a dermatologista, que acrescenta: “As cicatrizes podem exigir tratamentos profissionais , incluindo lasers, mas é uma sequela que nem sempre responde bem ao tratamento”.
A condição também pode causar sofrimento emocional significativo e prejuízo social, já que os indivíduos podem evitar situações sociais para esconder as lesões de pele.
Desafios emocionais da dermatilomania
Conforme explica a Dra. Glauce Eiko, a dermatilomania pode ocorrer em qualquer fase da vida, seja na infância, na adolescência ou durante a idade adulta. “Raramente é uma ocorrência isolada e está normalmente associada a outros distúrbios psicológicos, como ansiedade”, explica.
Às vezes, as pessoas cutucam a pele mesmo quando não há erupções ou manchas. “Os pensamentos associados aos impulsos podem ser bastante persuasivos. O paciente sente que ‘algo fora do lugar’ na sua pele precisa ser ‘consertado’. O desejo pode ser tão perturbador que a capacidade de prestar atenção ou até mesmo de relaxar e dormir pode ser prejudicada”, afirma a médica.
Como evitar cutucar a pele
Os comportamentos compulsivos, como a dermatilomania, podem piorar durante os períodos de estresse emocional. Nesses casos, criar uma rotina de cuidados com a pele e segui-la pode ser útil. “Isso também significa não inspecionar a pele no espelho do banheiro e fazer um esforço consciente para guardar o espelho de aumento”, diz a médica.
Ela também recomenda definir um alarme no telefone para limitar o tempo para ficar se olhando no espelho antes de dormir. “Além disso, uma loção para as mãos e manter as unhas curtas e lixadas ajudam porque é mais difícil de machucar a pele”, afirma.
Contudo, a Dra. Glauce Eiko explica que a principal linha de tratamento para a dermatilomania é multiprofissional, com ajuda de psicólogo e psiquiatra . Identificar os gatilhos, tentar rastrear os impulsos, perceber os pensamentos antes e depois de cutucar a pele, bem como entender as emoções nesses momentos, são atitudes que podem ajudar.
“Compreender os porquês ajuda a descobrir as próximas etapas e aumenta a atenção em torno do hábito. Embora todas essas ferramentas possam ser úteis — e de fato elas ajudam —, é importante saber quando procurar ajuda profissional”, finaliza a dermatologista.
Por Pedro Del Claro