A jornalista Karine Nobre traz, semanalmente, análises do mercado automotivo, especulações e novidades do que acontece no setor, no Espírito Santo, Brasil e no mundo.

Fábrica da GWM no ES vai trazer mudanças para o setor de reparos automotivos

Além da chegada de fornecedores e do incremento da economia no Estado, futura planta também vai possibilitar um novo cenário para veículos eletrificados

Vitória
Publicado em 26/02/2026 às 15h07
Curso busca capacitar profissionais para o setor automotivo.
O Senai já tem o seu primeiro curso de capacitação em manutenção de carros elétricos no ES. Crédito: Divulgação/Findes

O destaque da semana no mercado automotivo (além do lançamento do SUV compacto Caoa Chery Tiggo 5X por um preço próximo ao de carros de entrada) foi o anúncio da instalação de uma fábrica da GWM em Aracruz, Norte do Espírito Santo. A nova planta está prevista para ser construída em um terreno de mais de 1,5 milhão de metros quadrados e capacidade total de fabricação de 200 mil unidades por ano.

A GWM não informou quais seriam os futuros modelos a serem fabricados na nova planta. Atualmente a montadora chinesa tem uma outra fábrica, localizada em Iracemápolis (SP), antiga linha de produção da Mercedes-Benz, que foi a primeira a ser construída com foco na produção dos modelos da família Haval e da picape Poer, totalizando 50 mil unidades por ano.

No entanto, para além do incremento econômico que essa nova unidade vai trazer para o Espírito Santo, com oportunidades de emprego durante a fase de construção e depois de seu funcionamento, além de toda uma cadeia de fornecedores e uma nova indústria para gerar insumos no seu entorno, há ainda outro aspecto que o Estado pode se beneficiar, que são mudanças profundas na cadeia de reparação automotiva, com foco nos eletrificados.

Afinal, já temos por aqui um Centro de Excelência em Mobilidade inaugurado pelo Senai, para treinar futuros profissionais em manutenção de veículos eletrificados, que conta, inclusive, com a participação da GWM na doação de um Ora 03, modelo 100% movido a bateria.  

E com a perspectiva da fábrica automotiva, a expectativa é de aumento de vendas de veículos tanto híbridos quanto 100% elétricos no Estado, já que esse é um dos segmentos fortes da GWM (que também tem modelos a diesel). Para o diretor do Conselho Executivo do Grupo Lider, José Braz Neto, a notícia é a melhor para o grupo, que é representante da GWM tanto no Espírito Santo quanto no Rio de Janeiro.

“Acredito que a construção dessa fábrica dá muito mais credibilidade para o consumidor e que a GWM deve se tornar a marca dos capixabas no futuro, pois ela já tem sido muito bem aceita aqui no Estado”, analisa.

Novas oportunidades

Para o presidente do Sindicato da Indústria de reparação de Veículos e Acessórios do Estado do Espírito Santo (SindirepaES), Diego Receputi, a instalação dessa fábrica no Estado traz uma perspectiva de mais carros eletrificados rodando nas ruas, o que significa mais veículos deste segmento necessitando de reparos ou de revisões.

“As empresas de reparação vêm se atentando para isso. Já temos no Estado empresas que fazem todo o trabalho para veículos eletrificados: desde pequenas revisões até substituição de baterias. O número ainda é pequeno, mas a tendência é com o tempo ter um aumento substancial. Já temos, inclusive, no Senai Vitória, um centro de treinamento completo para reparo de veículos eletrificados”, analisa.

Ele lembra ainda que para uma empresa de reparação poder fazer um serviço de forma correta em um veículo eletrificado é necessário uma série de medidas e investimentos que vão além de uma oficina comum.

“Há equipamentos de proteção individual (EPIs) específicos assim como scanner, manta antichamas e diversos equipamentos que são usados para manter a segurança do trabalhador e da empresa que conserta o carro”, explica.

E com a chegada da GWM, a cadeia de reparos deve se intensificar e expandir ainda mais, com mais empresas e ofertas de produtos e serviços focados nos eletrificados. “Uma fábrica no Estado traz uma oportunidade de negócios para as empresas que se adequarem a este novo modelo de veículo”, afirma.

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