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Os motivos que trouxeram a GWM para o Espírito Santo

A Great Wall Motors, maior fabricante privada de carros da China, fará uma montadora com capacidade de até 200 mil veículos por ano em Aracruz

Vitória
Publicado em 24/02/2026 às 15h15

A disputa do Espírito Santo com outros estados pela fábrica da GWM (Great Wall Motors), destacadamente com o Paraná, não foi fácil. Além da tradicional guerra (inclusive fiscal) aberta entre os entes federados sempre que um investimento bilionário está em disputa, os chineses tinham em mãos uma (longa) lista de questões econômicas e técnicas que precisavam de boas respostas para que a escolha fosse feita. O Espírito Santo, no conjunto da obra, conseguiu se sair melhor que os demais concorrentes. Mas onde foi que a coisa desequilibrou para o lado capixaba?

"Não há um ponto específico, tem um contexto interessante. A GWM tem as suas especificações técnicas e, claro, econômicas. Os locais foram analisados tomando por base essas questões, que não são poucas. O Espírito Santo se saiu, na média, melhor. Estamos falando de infraestrutura logística, oferta de energia, disponibilidade portuária, estar próximo de grandes centros consumidores, bons terrenos disponíveis, mão de obra, incentivos fiscais... É uma lista extensa, afinal, estamos falando de um projeto bem grande, que está olhando para daqui 30, 40 anos", explicou Ricardo Bastos, diretor de Relações Institucionais da GWM no Brasil, que esteve, nesta terça-feira (24), em Vitória no anúncio da fábrica, que terá capacidade para até 200 mil carros por ano, em Aracruz.

"O Espírito Santo ainda tem fatores que muitas vezes não são tão valorizados: segurança institucional e perenidade nas ações governamentais. Nós conversamos com outras grandes empresas que estão aqui, questionamos se estão felizes no Estado e eles destacaram esse olhar de longo prazo. Não é porque o governante mudou que as ações de governo darão uma guinada ou que uma política importante será completamente mudada. Ouvimos que há uma segurança institucional e uma perenidade nas ações por aqui. Valorizamos muito isso, afinal, dá previsibilidade", assinalou o executivo.  

Parte dos desafios da GWM no Estado passa pelo desenvolvimento de fornecedores locais. O Espírito Santo é novato na indústria automobilística, apenas a fabricante de ônibus Marcopolo, inaugurada em 2014, em São Mateus, está por aqui. "Precisamos de formar uma cadeia de fornecedores, isso é estratégico para o negócio. Claro que, no começo, alguns fornecedores virão com a gente, mas queremos formar uma rede de fornecimento no Espírito Santo. Nós vamos fabricar partes e peças na unidade", disse Bastos.

"O conteúdo local é fundamental para, por exemplo, que a companhia consiga gozar na plenitude dos benefícios tributários. A legislação incentiva a produção feita pela indústria local. Até para exportar para a União Europeia, que assinou recentemente um acordo comercial com o Mercosul, é preciso comprovar que a produção é feita em solo brasileiro, não apenas a montagem. Além do mais, quando se desenvolve uma potente rede de fornecedores locais, os ganhos de produtividade e competitividade são enormes", enumerou o vice-governador do Estado, Ricardo Ferraço.   

Fábrica da GWM em Iracemápolis, interior de SP
Fábrica da GWM em Iracemápolis, interior de SP. Crédito: Divulgação GWM/F.5-Fotografia

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