Publicado em 18 de agosto de 2025 às 11:29
- Atualizado há 6 meses
As cidades de São Bernardo do Campo e de São Caetano do Sul não formam mais o principal polo da indústria automotiva no estado de São Paulo. Em volume, a macrorregião que engloba cidades como Sorocaba, Piracicaba e Itirapina se destaca, e com uma peculiaridade: o interior abriga as principais marcas asiáticas. A mais recente a chegar é a chinesa GWM, que inaugurou sua linha de produção em Iracemápolis na última semana.>
A expectativa é de ganhar escala progressivamente para, até o fim desta década, montar 50 mil carros de passeio e picapes por ano. Quando a meta for atingida, a capacidade instalada na região será de aproximadamente 650 mil carros/ano, além de motores e transmissões. A conta também leva em consideração as fábricas da sul-coreana Hyundai (Piracicaba) e das japonesas Honda (Sumaré e Itirapina) e Toyota (Indaiatuba, Sorocaba e Porto Feliz).>
O número é superior à soma das plantas da General Motors em São Caetano do Sul e da Volkswagen em São Bernardo do Campo -que, juntas, são capazes de montar aproximadamente 600 mil veículos por ano. Outro polo automotivo do interior está nas cidades de São José dos Campos e Taubaté, com fábricas da Volkswagen e da GM instaladas às margens da rodovia Presidente Dutra.
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A atual fábrica da GWM abrigou, de 2016 a 2020, Mercedes-Benz, e foi adquirida pela chinesa em 2021. Em seguida, os novos proprietários divulgaram um investimento de R$ 10 bilhões para produção local. Ricardo Bastos, diretor de relações governamentais da GWM Brasil e presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), confirma que etapas como pintura e soldagem já serão feitas no Brasil, o que caracteriza o sistema CKD, em que os carros vêm da China completamente desmontados.>
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É diferente do método SKD adotado pela BYD em sua primeira fase de operações em Camaçari (BA). Nessa modalidade, as carrocerias já chegam pintadas, e o veículo vem parcialmente montado, faltando encaixar alguns elementos. Mas a própria BYD também está no polo industrial do interior. A empresa produz chassis para ônibus elétricos, kits solares e painéis fotovoltaicos em Campinas.>
A nova fábrica da GWM, em Iracemápolis, foi inaugurada na sexta-feira (15) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e é a primeira da montadora no Hemisfério Sul e a terceira fora da China com base completa de produção. As outras estão na Rússia e na Tailândia.>
A estrutura, com área total de 1,2 milhão de m² e área construída de 94 mil m², conta com área de soldagem, linha de pintura robotizada, linha de montagem, sistemas de fornecimento de energia e equipamentos, além de uma cadeia de suprimentos e logística integrada.>
Atualmente, a GWM Brasil tem mais de 110 empresas nacionais cadastradas interessadas em fornecer componentes, das quais 18 já são fornecedores que estão participando da produção e desenvolvimento dos primeiros veículos, caso de empresas como Basf, Bosch, Dupont e Pirelli.>
Durante a cerimônia de inauguração, a montadora anunciou a criação do primeiro Centro de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) da GWM na América do Sul. O centro contará com mais de 60 técnicos e engenheiros atuando no desenvolvimento e nos testes de produtos locais, com foco em tecnologia flex e na adaptação de veículos globais às condições de rodagem brasileiras.>
O novo centro será construído no terreno ao lado da fábrica de Iracemápolis e terá 15.000 m² de área total, sendo 4.000 m² de área construída. “O novo centro contará com uma estrutura técnica de ponta, com laboratórios de última geração, para desenvolvimento de sistemas híbridos e elétricos, combustíveis de nova geração e inteligência artificial”, explica o presidente da GWM Internacional, Parker Shi.>
O investimento total da GWM no Brasil será de R$ 10 bilhões, em 10 anos. Desse montante, a primeira fase de investimento, de R$ 4 bilhões, vai até 2026, que inclui o lançamento da marca no país e a reativação e ampliação da fábrica de Iracemápolis. Na segunda fase, a empresa investirá R$ 6 bilhões, entre 2027 e 2032.>
Durante a inauguração, Parker Shi disse que a empresa tem a intenção de ultrapassar o volume das 50 mil unidades previstas para a planta recém-inaugurada. O executivo revelou o plano de construir uma segunda planta, que avançaria nas etapas de produção. Seria uma unidade com prensas, para fazer as carrocerias completas.>
"Não vamos conseguir atender ao grande plano que temos com essa fábrica. A capacidade produtiva vai estar em aproximadamente 50 mil unidades por ano, temos o plano de atingir a um volume entre 250 mil e 300 mil unidades produzidas no Brasil", diz.>
Hoje, 35% dos automóveis feitos pela GWM são montados fora da China. A ideia é chegar a 50%. Shi usa como exemplo o avanço da sul-coreana Hyundai, que se transformou em uma empresa global - inclusive com fábrica em Piracicaba, cidade próxima à Iracemápolis.>
Em Iracemápolis são produzidos a picape Poer e dois utilitários esportivos, o Haval H9 e o Haval H6, este último um híbrido plug-in, tecnologia cuja bateria que alimenta o motor elétrico é carregada na tomada. As peças são importadas da China.>
Além da armação das carrocerias, a pintura dos carros da GWM é feita em Iracemápolis, e os componentes são importados "peça a peça" - e não em kits pré-montados do sistema CKD -, o que, sustentam os diretores da marca, permite a substituição rápida dos componentes chineses à medida que a empresa avançar no conteúdo local. >
A unidade de Iracemápolis conta com 600 trabalhadores e prevê atingir até o fim do ano cerca de mil empregos diretos. Quando iniciar as exportações de veículos para mercados da América Latina, o número de vagas deve chegar a 2 mil.>
*Com informações de Estadão Conteúdo, Folhapress e Agência Brasil.>
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