Em meio a um cenário de 55 mil mortos e mais de um milhão de infectados pela Covid-19, o país começa a ver uma
estabilização nos números da doença e vislumbrar uma queda na curva de contaminação. Tudo isso também sob o temor de
uma segunda onda, que pode ser provocada pelas pessoas que retornam às ruas por necessidade ou para se livrar do desgaste mental provocado por todo esse momento delicado que vivemos.
Dentro dessa realidade temos o
futebol, que parece existir em mundo paralelo diante de tudo que está acontecendo. Mas em algumas oportunidades se revela como é o Brasil em sua essência. Nos últimos dias, o principal esporte do país tem sido responsável por acontecimentos muito discutíveis.
Um dos mais revoltantes é o acesso das equipes aos testes de contágio para o coronavírus. Ainda que os clubes sejam privados, é assustador o acesso fácil à testagem, que pode até ser repetida, em jogadores e demais colaboradores, enquanto a população fica a mercê dos escassos testes na saúde pública.
Ignorou tudo para realizar um triste
Bangu x Flamengo no Maracanã, sem público, sem transmissão de TV e sem justificativa. A partida aconteceu ao lado de um hospital de campanha para pacientes com Covid-19 na imediações do Maracanã, onde, inclusive morreram pessoas no dia da partida. Não há empatia. O “um minuto de silêncio” em homenagem às vítimas da doença se mostra falso e vazio.
Já que as decisões já foram tomadas para a volta de treinos e jogos no país. É natural pensarmos então que os envolvidos estejam tomando todos os cuidados necessários, não é? Doce ilusão. Que o diga Renato Gaúcho, técnico do Grêmio, que cobra comprometimento de seus jogadores nos treinos, mas não abre mão de curtir a praia no Rio de Janeiro, mesmo em meio à pandemia. Mais Brasil do que isso impossível.
E assim seguimos, na vida e no futebol, uma incansável luta para vencer o coronavírus. Vai ser difícil.