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Pandemia

Na história: Há 102 anos, Gripe Espanhola também parou mundo do esporte

Em 1918, a maior pandemia que o mundo já viu adiou um título da Seleção Brasileira e foi responsável pela morte de um jogador do Fluminense. Final do "Capixabão" aconteceu antes da doença virar uma preocupação no país, e o Rio Branco foi o campeão

Publicado em 28 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

28 mar 2020 às 05:00
Filipe Souza

Colunista

Filipe Souza

Fluminense foi campeão do Carioca de 1918, mas viu seu jogador Archibald French morrer ao ser infectado pela Gripe Espanhola
Fluminense foi campeão do Carioca de 1918, mas viu seu jogador Archibald French morrer ao ser infectado pela Gripe Espanhola Crédito: Reprodução/Revista O Malho/Fundação Biblioteca Nacional
Conectado a tudo que acontece no mundo, a esfera esportiva está praticamente parada. É difícil girar em meio a uma pandemia responsável pela morte de mais de 23 mil pessoas e por infectar outras 500 mil em todo o planeta. O novo coronavírus ficará marcado na história desta geração, que pela primeira vez presencia a necessidade de interrupção das principais competições esportivas.
Símbolo máximo da superação por meio do esporte, os Jogos Olímpicos de Tóquio, que aconteceriam entre julho e agosto deste ano, foram adiados. É a primeira vez que uma edição de olimpíada não cumpre seu calendário por conta de uma pandemia. Em outras três oportunidades, apenas guerras impediram a realização dos Jogos.
No futebol, Eliminatórias da Copa do Mundo, Eurocopa, Copa América, Liga dos Campeões da Europa, Libertadores e diversos campeonatos nacionais foram suspensos. Algo inimaginável para esta geração. Entretanto, essa não é a primeira vez que o meio esportivo vive essa situação. Em 1918, a Gripe Espanhola, maior pandemia que este mundo já viu, provocou algo muito parecido com o que estamos vendo.
Com seus primeiros registros nos Estados Unidos, a Gripe Espanhola começou a se propagar entre março e maio de 1918, e a Espanha foi o primeiro país a realmente tratar a doença como algo realmente grave, por isso acabou batizando a pandemia que chegou forte ao Brasil em setembro do mesmo ano e realizou uma paralisação forçada na maioria dos campeonatos estaduais, que à época aconteciam no segundo semestre.

Morte e torneios parados

No Rio de Janeiro, o Campeonato Carioca seguiu normalmente sua tabela até o mês de outubro. Em novembro, o Estadual foi paralisado e as partidas só foram retomadas em dezembro. No fim, o Fluminense foi o campeão, mas viu o jogador Archibald French falecer durante a competição após ser infectado. O Paulistão teve que ser finalizado no ano seguinte. No mês de novembro, ficou definido que o estadual seria retomado em dezembro e finalizado apenas no ano seguinte, em janeiro. O Paulistano foi o campeão.
A título de curiosidade, o futebol capixaba não chegou a ser diretamente afetado. Em 1918, o Campeonato da Cidade de Vitória de Futebol foi a competição equivalente ao que acompanhamos hoje como o Capixabão. A final aconteceu no dia 10 de maio  e a epidemia ainda não era uma preocupação no país. O Rio Branco foi o campeão ao bater o América por 2 a 1, na decisão que aconteceu em Paul. Os gols foram marcados por Costinha e Paixão. Na competição, o Capa-Preta ostentou uma campanha com seis vitórias em oito jogos.
Seleção Brasileira conquistou a Copa América em 1919. A competição foi inicialmente marcada para 1918, mas acabou adiada por conta da Gripe Espanhola
Seleção Brasileira conquistou a Copa América em 1919. A competição foi inicialmente marcada para 1918, mas acabou adiada por conta da Gripe Espanhola Crédito: Reprodução/Revista O Malho
Até a Seleção Brasileira de futebol viu a Gripe Espanhola atravessar o seu caminho. Em 1918, o Rio de Janeiro seria a sede da Copa América, mas o torneio acabou adiado. No fim, a Cidade Maravilhosa foi mantida como sede e viu o primeiro título importante da Seleção Brasileira em 1919. Na Europa, os torneios já estavam suspensos por conta da Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918), A Grã-Bretanha, por exemplo, chegou a usar jogadores como soldados.
A Gripe Espanhola infectou 500 milhões e matou pelo menos 50 milhões de pessoas no mundo inteiro em 1918. No Brasil, foram cerca de 35 mil vítimas. O vírus também circulou na Índia, em grande parta do sudeste Asiático, Japão, China, África, Américas Central e do Sul.
Agora cabe a cada um fazer sua parte. Lavar as mãos e utilizar álcool em gel na higienização, e ficar em casa o máximo possível para evitar a contaminação e principalmente a disseminação da Covid-19. Vamos confiar na ciência e no trabalho dos médicos no tratamento dos pacientes infectados. E claro, torcer para que o impacto seja muito menor do que o causado pela Gripe Espanhola.

Filipe Souza

Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.

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