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Mundo Novo

Covid-19: "novo normal" chegou ao futebol e vamos ter que nos acostumar

Campeonato Alemão oferece o que é possível dentro dos limites necessários. Mas é impossível não sentir falta da torcida e da atmosfera que faz o esporte ser apaixonante

Publicado em 23 de Maio de 2020 às 06:00

Públicado em 

23 mai 2020 às 06:00
Filipe Souza

Colunista

Filipe Souza

Borussia Dortmund venceu o clássico com o Schalke 04 em seu retorno  no Campeonato Alemão
Borussia Dortmund venceu o clássico com o Schalke 04 em seu retorno no Campeonato Alemão Crédito: Borussia Dortmund/Divulgação
Neste fim de semana, o Campeonato Alemão chegou à sua 27ª rodada, a segunda desde que a competição foi retomada ainda em meio à pandemia de Covid-19. Após o período de isolamento social, a Bundesliga foi a primeira grande competição do futebol europeu a realizar jogos com portões fechados e dezenas de medidas para proteger os jogadores do novo coronavírus. Seu sucesso pode abrir caminho para outros países que já vivem o achatamento da curva da doença, como aconteceu no país germânico.
Voltar a ver um jogo sendo transmitido ao vivo é um alívio. Mas por outra ótica é possível observar que o produto que assistimos é “algo parecido” com o esporte. O jogo é o mesmo, mas futebol é muito mais do que 22 jogadores disputando a bola em um terreno demarcado por quatro linhas. A alma do futebol está em sua atmosfera, nos estádios lotados e na festa do torcedor, parte fundamental do todo.
Óbvio que entendo e concordo que o Campeonato Alemão hoje nos oferece o que é possível de ser apresentado dentro dos limites impostos e necessários. Mas também não posso me furtar à percepção de que um elemento essencial no que ajuda o futebol a ser apaixonante faz uma falta tremenda.
É estranho até para os próprios jogadores. O ambiente dentro de campo fica diferente sem a pressão e os gritos dos torcedores. Jogar em casa ou fora? Tanto faz, o 12° jogador não estará lá para nenhum dos lados. Comemorar pode, mas de preferência sem abraçar os companheiros. Sabe como é, né? Tempos em que aglomeração não é uma boa opção. Mas na rodada de retorno do futebol alemão, os jogadores deixaram claro que é difícil segurar a emoção na hora da gol. Sobraram abraços. Sem bronca, ainda estamos em processo de aprender a lidar com esse novo mundo.
Se dentro de campo há a sensação de liberdade, fora dele todo cuidado é pouco. Todo mundo de máscara. Além da voz, o treinador agora tem que utilizar o olhar para orientar seus jogadores. Mais uma missão para os “professores”. E a imprensa? Nada de se apertar entre os colegas, muito menos ficar perto dos jogadores. Microfones a uma certa distância para evitar a proximidade.
Mudou para todos. O novo normal chegou ao futebol.

Filipe Souza

Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.

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