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Jornalista de A Gazeta há 10 anos, está à frente da editoria de Esportes desde 2016. Como colunista, traz os bastidores e as análises dos principais acontecimentos esportivos no Espírito Santo e no Brasil

É sobre Bolsonaro, coronavírus, Flamengo e Vasco. Em resumo: vergonha

No dia em que o Brasil registrou o recorde de 1.179 mortes por Covid-19 em apenas 24 horas, Bolsonaro recebeu os presidentes de Flamengo e Vasco para tratar sobre retorno das atividades do futebol brasileiro

Publicado em 20/05/2020 às 07h00
Atualizado em 22/05/2020 às 22h19
Flávio Bolsonaro, Alexandre Campello (presidente do Vasco), Jair Bolsonaro, Rodolfo Landim (presidente do Flamengo) e o diretor de marketing rubro-negro, Alexsander Santos
Flávio Bolsonaro, Alexandre Campello (presidente do Vasco), Jair Bolsonaro, Rodolfo Landim (presidente do Flamengo) e o diretor de marketing rubro-negro, Alexsander Santos. Crédito: Divulgação

A crise provocada pela Covid-19 está revelando o pior do brasileiro. Falta empatia, solidariedade e respeito a dor dos que perderam familiares e amigos. Não é à toa que os números da pandemia seguem alarmantes no país. Enquanto uma parcela significativa da população fecha os olhos e ignora solenemente as medidas de isolamento social, permaneceremos em uma quarentena sem fim e que nem consegue alcançar o objetivo de reduzir a disseminação do novo coronavírus.

Já são quase 18 mil mortos no Brasil por conta da doença, e quem mais deveria se preocupar com a situação mostra que não está nem um pouco interessado. O presidente Jair Bolsonaro não cumpre as medidas de prevençãodesrespeita a democracia nas manifestações de seus apoiadores e passeia de jet ski, ao mesmo tempo que as filas dos cartórios estão lotadas pelos pedidos de certidões de óbito para enterros que acontecem em poucos minutos, para um pequeno grupo de pessoas e com o caixão fechado.

Além das mortes, o país registra mais de 271 mil infectados pelo coronavírus, mas até a manhã desta quarta-feira (20), o Ministério da Saúde, fundamental no direcionamento do combate à Covid-19, segue sem um titular após a saída de Nelson Teich, segundo ministro a cair em meio à pandemia. Interino, o general Eduardo Pazuello está no comando, e nesta terça-feira (19) nomeou nove militares para o segundo escalão do ministério, nenhum deles ligados à área médica.

RETORNO DO FUTEBOL EM PAUTA

Mas a área da saúde não parece mesmo ser a prioridade do presidente. Talvez seja o futebol. Nesta terça, dia em que o Brasil registrou o recorde de 1.179 mortes por Covid-19 em apenas 24 horas, Bolsonaro recebeu os presidentes de Flamengo e Vasco para tratar sobre o retorno das atividades do futebol brasileiro e sobre a possibilidade de os clubes treinarem no Mané Garrincha, em Brasília, durante a pandemia.

"Hoje conversei com a cúpula do Flamengo, e tinha também o presidente do Vasco da Gama. Eles querem voltar a jogar futebol. Então, conversamos com o Ministério da Saúde para ter um protocolo para abrir, com um certo regramento. Começa, por exemplo, sem ninguém na arquibancada", disse ao jornalista Magno Martins, em entrevista transmitida pelo Instagram. 

Em um cenário que vidas são prioridades, não há motivos para acelerar o retorno das atividades do futebol no Brasil. A queda de renda com bilheterias e patrocinadores é um peso considerável aos clubes brasileiros, mas não pode justificar colocar tantos profissionais em risco, mesmo em jogos com portões fechados.

FLAMENGO E VASCO ADOTAM POSTURA QUESTIONÁVEL

Recentemente, o Flamengo divulgou que realizou testes de coronavírus em 293 funcionários e 38 testaram positivo, sendo três jogadores. Vale lembrar também que o massagista Jorginho, que estava no clube há 40 anos, faleceu vítima de Covid-19. Ainda assim, o presidente Rodolfo Landim quer o retorno do futebol. Posicionamento que ignora o momento delicado da população brasileira, seus próprios colaboradores que sofrem com a doença e visa apenas o retorno de parte da renda dos clubes. 

Jorginho, massagista do Flamengo por 40 anos, perdeu a luta contra a Covid-19
Jorginho, massagista do Flamengo por 40 anos, perdeu a luta contra a Covid-19. Crédito: Alexandre Vidal / Flamengo

Já o presidente do Vasco, Alexandre Campello se mostra desesperado para ver qualquer renda entrar nos cofres do clube. A crise financeira do Gigante da Colina pode até ter sido agravada durante a pandemia, mas é um problema de longa data. A atual gestão não consegue deixar o salário do elenco em dia há tempos. Além de não ter conseguido fazer muito com o dinheiro do sócio-torcedor e com o patrocínio da Havan, que aumentaram a receita do clube recentemente. Motivos que o fazem apelar para o retorno das atividades sem dar à devida atenção aos riscos que seus jogadores enfrentariam em campo. 

Retomar as competições não é um desejo exclusivo de Flamengo e Vasco no futebol brasileiro. Atlético-MG e Grêmio já iniciaram treinos físicos em seus centros de treinamento, por exemplo. Outras equipes já se preparam para esse passo. Mas será que é a hora? Acredito que não. Na Alemanha, a Bundesliga já foi retomada. Mas o número de infectados caiu muito no país e os jogadores passam por cuidados minuciosos antes das partidas. Essa ainda não é a realidade por aqui. O melhor a fazer é esperar.

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