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Estação de tratamento de petróleo da Petrobras Fazenda Alegre
Estação de tratamento de petróleo da Petrobras Fazenda Alegre. Crédito: Carlos Alberto Silva

Petróleo em terra é combustível para novas indústrias no ES

Produção de petróleo onshore no Estado deve crescer cinco vezes em dez anos, atraindo instalação de minirrefinarias próximas aos campos de extração

Publicado em 03/12/2020 às 00h40
Atualizado em 03/12/2020 às 00h40

Os planos de desinvestimento da Petrobras - companhia com pretenções de ter uma atuação ainda mais voltada para a produção no pré-sal - têm aberto espaço para que empresas menores façam investimentos na produção de petróleo em terra nos campos capixabas.

As vendas de áreas onshore vão permitir que o volume de óleo extraído fique, no Estado, cinco vezes maior até 2030, período considerado crucial para o setor de petróleo mundial. A previsão é de passar de 9 mil barris por dia, patamar atual, para 50 mil. Serão investidos para isso R$ 3 bilhões em dez anos, abrindo dois mil empregos, segundo estimativas da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).

Esse potencial está atraindo investidores que planejam construir minirrefinarias no Estado para abocanhar esse óleo sem burocracia, transformando-os em produtos de maior valor agregado, inclusive em gasolina e lubrificantes para o mercado interno.

Um dos principais avanços para isso é que no Norte do Estado, onde se concentram as jazidas em terra, a Petrobras já vendeu, em outubro do ano passado, três campos do Polo Lagoa Parda, na região de Linhares, para a capixaba Imetame Energia. O processo foi concluído em setembro deste ano.

As reservas adquiridas pela empresa somam um total de 2,51 milhões de barris de petróleo e 55 milhões de metros cúbicos de gás natural, com a garantia de venda da produção para a própria Petrobras. A produção média do polo de janeiro a agosto de 2020 foi de aproximadamente 113,5 barris de óleo por dia (bpd) e 1,7 mil m³/dia de gás natural.

O polo compreende os campos em produção – Lagoa Parda, Lagoa Parda Norte e Lagoa Piabinha, ao sul da foz do Rio Doce. O novo bloco é composto de poços maduros, ou seja, que já estão em produção e, a partir da homologação da Agência Nacional de Petróleo (ANP), a atividade passa a gerar receita para empresa.

Com os novos investimentos, a expectativa é de que a produção do campo cresça e que sejam criados novos empregos locais. Além disso, ao longo do projeto, devem ser pagos mais de R$ 100 milhões em arrecadação de tributos e royalties de petróleo ao governo do Estado e municípios produtores.

Em agosto de 2020, a Petrobras também vendeu, por cerca de R$ 640 milhões, 27 campos terrestres do Polo Cricaré, que ficam em São Mateus, Jaguaré, Linhares e Conceição da Barra. O bloco foi arrematado pelo consórcio Karavan SPE Cricaré S.A, que deve investir centenas de milhões, uma vez que alguns dos poços comprados estão inativos atualmente.

A produção média do Polo Cricaré de janeiro a junho de 2020 foi de cerca de 1,7 mil barris por dia (bpd) de óleo e 14 mil m³/dia de gás. De acordo com a nova concessionária, a produção pode chegar a 8 mil barris por dia após a realização de investimentos para ampliar a produção, como a realização de novas perfurações e a injeção de vapor nos poços.

Data: 06/12/2019 - ES - Linhares - Da Findes, Durval Vieira Filho na estação de tratamento de petróleo da Petrobras Fazenda Alegre
Durval Vieira Filho na estação de tratamento de petróleo da Petrobras Fazenda Alegre. Crédito: Carlos Alberto Silva

Conforme observou Durval Vieira de Freitas, da DVF Consultoria, que já foi coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás, da Findes, investimentos como esses devem contribuir para que o Espírito Santo fortaleça o setor que deu início à corrida do petróleo capixaba.

Durval Vieira de Freitas

Diretor da DVF Consultoria

"A produção onshore hoje representa pouco do total. Nunca se deu muita atenção a isso. Agora que a Petrobras está nesse processo de desinvestimento, há oportunidades para que empresas menores entrem na área, e reativem poços que estão parados. Com isso, a produção tende a ser ampliada rapidamente nos próximos anos"

Ele observa ainda que alguns locais estão em oferta permanente pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), ou seja, há oportunidades contínuas para que novas empresas comecem a operar no Estado.

O diretor da Findes para a Área de Defesa de Interesses, Luis Claudio Montenegro, observa que as explorações onshore podem atrair outros projetos, como minirrefinarias, para as quais o Estado já demonstrou certa vocação para receber.

“Nós podemos sair na frente. A Petrobras não tinha interesse nesse tipo de investimento, mas pequenos produtores têm demonstrado grande apetite, e isso vai ajudar a melhorar o desempenho industrial do Estado, gerar emprego e renda.”

A Petrobras colocou em oferta ainda todas as suas participações no conjunto de concessões do Polo Norte Capixaba, localizado no Norte do Espírito Santo. Entre os ativos estão: cinco campos terrestres com instalações integradas, estações de tratamento de óleo, gasodutos, oleodutos, o Terminal Norte Capixaba (TNC) e a Estação Fazenda Alegre.

O complexo petrolífico compreende os campos de Cancã (CNC), Cancã Leste (CNCL), Fazenda Alegre (FAL), Fazenda São Rafael (FSRL) e Fazenda Santa Luzia (FSL). Ele está localizado nos municípios de Linhares, Jaguaré e São Mateus. A Petrobras é operadora em todas as concessões do terreno, com 100% de participação.

Hoje, o Espírito Santo conta com seis empresas que produzem petróleo em terra: Petrobras, Imetame, Vipetro, Ubuntu, Petromais e Central Resources. Há ainda outras áreas em fase exploratória na região da Bacia Sedimentar do Espírito Santo, que compreende

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