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Dinheiro norueguês vai financiar produção de petróleo no Norte do ES

Grupo norueguês é sócio de empresa que comprou 27 poços de exploração de petróleo da Petrobras na região conhecida como Polo Cricaré. Início das operações depende de aprovação da ANP e do Iema

Publicado em 03/09/2020 às 20h34
Atualizado em 03/09/2020 às 20h35
Campo de petróleo em terra e a estação de tratamento de Fazenda Alegre da Petrobras ao fundo, em Jaguaré
Campo de petróleo em terra da Petrobras. Crédito: Carlos Alberto Silva

A volta das operações de exploração e produção de petróleo no Polo Cricaré, no Norte do Estado, contará com dinheiro de um grupo norueguês e deve contribuir para que o Espírito Santo volte a ter bons desempenhos no segmento onshore, que tem perdido participação nos últimos anos.

Foi formalizado nesta quinta-feira (3) o contrato entre a Petrobras e a empresa Karavan SPE Cricaré para compra de 27 campos de petróleo na área que corta quatro municípios. A transação vai custar US$ 155 milhões (R$ 640 milhões) e ainda estão previstas mais centenas de milhões em investimentos no local, uma vez que alguns dos poços comprados estão inativos atualmente.

A empresa compradora é uma sociedade de propósito específico (SPE), um tipo de empresa criada para um fim determinado. Ela é composta pela Karavan O&G Participações e Consultoria, que terá 51% do negócio, e a Seacrest Grup Limited, com os outros 49%. A Seacrest é uma "equily provider" norueguesa,  uma provedora de capitais, que fornecerá o dinheiro para o empreendimento.

O Grupo Seacrest é um investidor de energia especializado em exploração e produção de petróleo e gás natural, com portfólio global de empresas regionais de exploração de petróleo e gás na América do Sul, Reino Unido, Noruega, África Ocidental, Irlanda e Sudeste Asiático.

No Brasil, a empresa atua em parceria com a petroleira Exxon, em campos de exploração offshore na costa do Nordeste. Agora, vai investir em ativos onshore com a Karavan no Espírito Santo.

PLANO DE INVESTIMENTO NÃO ESTÁ DEFINIDO

Na solenidade, comandada pelo governador Renato Casagrande em evento presencial no Palácio Anchieta, não foi informado quanto de recurso será investido nos 27 poços.

 "Temos um plano de investimento que foi desenhado e que excede centenas de milhões de reais. Já foi feito um investimento vultuoso por parte da Petrobras nesses campos e agora precisa ser feito investimento adicional. O volume vai depender da análise que será feita no processo de transição com a Petrobras", explicou o presidente da Karavan, Fabiano Ramos.

Pelo mesmo motivo, ele afirmou que ainda não há detalhes sobre o número de postos de trabalho que serão gerados pelo empreendimento, mas afirmou que a expectativa é de algumas "centenas", principalmente na Região Norte do Estado.

A transferência dos ativos depende ainda de aprovação da Agência Nacional de Petróleo (ANP) e de licenças ambientais que deverão ser fornecidas pelo órgão ambiental estadual.

BOM AMBIENTE DE NEGÓCIOS

Ramos contou que o processo de seleção e aquisição durou anos e que o bom ambiente de negócios promovido pelo Espírito Santo favoreceu a escolha pelos campos do Estado.

“Ao longo desse tempo de atuação da empresa, nós fomos seletivos nas oportunidades que nós buscamos, e o que pesou na nossa decisão com relação aos 27 campos de petróleo foi o ambiente pró-negócios e ético presente no Estado do Espírito Santo”, disse.

Embora se tratem de campos maduros, ou seja, que já passaram do pico produtivo, a expectativa da Karavan é de que haja aumento na produção de petróleo na região.

"Estamos otimistas com relação aos campos terrestres, temos certeza que gerará aumento de receitas tributárias e trará benefícios para os municípios da região. Seremos um polo gerador de emprego e renda local”, destacou Ramos.

QUEDA DE PRODUÇÃO E DE RECEITA

O governador Renato Casagrande disse que espera que a aquisição dos poços traga um "respiro" ao Estado em um momento de queda de produção e de valor no preço do barril, o que desencadeou reduções significativas nos recursos de royalties para o Estado e para os municípios.

A expectativa é de que o Espírito Santo perca R$ 1 bilhão em receita própria por conta da crise econômica provocada pela pandemia de coronavírus.

"A Imetame já adquiriu áreas e outras serão adquiridas porque a Petrobras vai colocar a disposição das empresas. O que vivemos agora é uma redução da atividade porque a Petrobras teve que reduzir a produção por conta da redução de demanda do mercado. A atividade econômica está se recuperando e tenho certeza que voltaremos ao nosso patamar, que é de 200 mil baris por dia, e vamos crescer com esses investimentos que estamos tendo", ressaltou.

SOBRE O POLO CRICARÉ

O Polo Cricaré compreende 27 concessões terrestres localizadas no Estado do Espírito Santo nos municípios de São Mateus, Jaguaré, Linhares e Conceição da Barra. Os campos terrestres são: Biguá, Cacimbas, Campo Grande, Córrego Cedro Norte, Córrego Cedro Norte Sul, Córrego Dourado, Córrego das Pedras, Fazenda Cedro, Fazenda Cedro Norte, Fazenda Queimadas, Fazenda São Jorge, Guriri, Inhambu, Jacutinga, Lagoa Bonita, Lagoa Suruaca, Mariricu, Mariricu Norte, Rio Itaúnas, Rio Preto, Rio Preto Oeste, Rio Preto Sul, Rio São Mateus, São Mateus, São Mateus Leste, Seriema e Tabuiaiá.

A produção média do Polo Cricaré de janeiro a junho de 2020 foi de cerca de 1,7 mil barris de petróleo por dia e 14 mil metros cúbicos por dia de gás.

Petrobras Petróleo ES Norte

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