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Plataforma P-58, no Litoral Sul do Espírito Santo, em Jubarte
Plataforma P-58, no Litoral Sul do Espírito Santo, em Jubarte. Crédito: Stérferson Faria/Agência Petrobras/Divulgação

Riqueza do 'ouro negro' depende de mais descobertas no ES

ES precisa acelerar atividades de exploração e perfuração para fazer petróleo jorrar como antes e levar Estado novamente para a posição de segundo maior produtor

Publicado em 03/12/2020 às 00h00

No fundo do mar da costa capixaba, grandes jazidas do “ouro negro”, ou simplesmente petróleo, uma das maiores riquezas da atualidade, estão à espera de um evento importante: serem descobertas.

Escondidos no litoral capixaba, esse óleo e também o gás natural podem dar um empurrão na atividade, que enfrenta uma das piores crises da história, e atrair investimentos de empresas brasileiras e internacionais ainda nesta década, período considerado crucial para quem produz essa commodity por causa da demanda ainda em alta.

Em 2030, o mundo viverá o pico de demanda por essa energia não-renovável, abrindo uma janela de oportunidades que se fechará em poucos anos com a entrada mais forte de outras possibilidades menos poluentes e mais baratas, como a solar, a eólica e os bio-óleos. Diante desse quadro, é necessário que o Espírito Santo corra contra o tempo para aproveitar a porta aberta.

É que o setor de petróleo, mesmo com o cenário ainda de desvalorização devido à pandemia, é responsável por movimentar fortemente a economia local ao injetar um grande volume de royalties e participações especiais nos caixas do Estado e dos municípios produtores desse recurso.

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Ele mobiliza também toda uma cadeia de empresas, que se formou para atender às demandas das petroleiras com serviços de manutenção, desenvolvimento de peças e tecnologia para as operações no mar e em terra.

O Estado é hoje o terceiro maior produtor do país, embora, há não muito tempo, tenha ocupado a segunda posição. As grandes descobertas de petróleo na Bacia de Santos, combinada ao declínio da produção capixaba – analistas apontam para uma redução média de 12% ao ano – levaram São Paulo a “roubar” a vice-liderança em 2017.

Entre as principais razões para a queda da produção no Estado estão: ausências de novos descobrimentos provocados por poucos investimentos em exploração e perfuração. Outro fator para essa perda de posto é o amadurecimento de poços e o domínio da Petrobras até sobre campos que nem interessam mais à estatal.

Esse último cenário começa a mudar por ação da própria companhia. Esta vem anunciando a venda de diversos ativos a fim de focar em projetos estratégicos no pré-sal.

Essas comercializações abrem caminho para outras oportunidades que, inclusive, podem levar o Espírito Santo a capturar de volta a posição perdida para os campos de Santos, em São Paulo. Para isso, entretanto, é preciso superar alguns desafios impostos.

Luis Claudio Montenegro

Executivo da Federação das Indústrias do Espírito Santo

"A gente foca na Petrobras – e ela é importante, claro –, mas também temos outros players no mercado. Temos que pensar em ter mais concorrência, mais empresas operando. Para isso, precisamos ter um ambiente dentro do Estado que favoreça a atração desses investimentos"

Ele explica que está prevista para março de 2021 a chamada “mesa react”, uma reunião entre membros dos governos federal e estadual, órgãos licenciadores, indústria, entre outras frentes, para discutir o cenário e propor soluções que promovam os potenciais do Estado nesse segmento.

Apesar de considerar que o retorno ao posto de segundo maior produtor é algo difícil, Durval Vieira de Freitas, da DVF Consultoria e ex-presidente do Fórum de Petróleo e Gás da Findes, afirma que incrementar a produção do Espírito Santo é essencial. “Nós já chegamos a produzir cerca de 400 mil barris, e hoje produzimos menos de 300 mil. Não é um patamar ruim. Se o Espírito Santo fosse um país, seria o 30º maior produtor do mundo, por exemplo. Mas a diminuição de investimentos em perfuração de poços pode – e precisa – ser revertida.”

Um atraso nessa empreitada por mais petróleo, segundo o consultor, é o adiamento – pela terceira vez – do início da operação do Integrado Parque das Baleias, novo navio-plataforma da Petrobras que promete ampliar a produção em Novo Jubarte, no Litoral Sul do Espírito Santo.

O projeto para chegada do novo FPSO, de aproximadamente R$ 5 bilhões, estava com data prevista para retirar o primeiro óleo em 2023, mas as condições econômicas causadas pela crise do novo coronavírus levaram a petroleira a retardar o início da atividade. Agora, a previsão é de que o início das operações ocorra somente em 2024.

Vieira pontua que, até lá, a produção deve continuar prejudicada, afetando também a arrecadação do Estado, inclusive dos royalties de petróleo. “Diante desse cenário, recuperar o segundo lugar será difícil. Devemos continuar com a terceira maior produção por alguns anos. Mas precisamos trabalhar com a Petrobras, com a Shell, com Equinor, entre outras empresas, para tocar outros projetos e ampliar a produção, até mesmo a questão da rota 6. Perfurar novos poços e investir em tecnologia nos colocará no caminho certo para o desenvolvimento offshore.”

A rota 6, citada pelo especialista, é um projeto que prevê a construção de um gasoduto e também um oleoduto do pré-sal para o continente, tendo o Porto Central, em Presidente Kennedy, como destino para o processamento desses combustíveis.

Nova corrida exploratória

Litoral Norte pode renascer como possível província do pós e pré-sal

Navio de produção Seillean (DP FPSO) operando na bacia do Espírito Santo
Navio de produção Seillean (DP FPSO) operando na bacia do Espírito Santo. Crédito: Rogério Reis/Agência Petrobras/Divugação

Com a Petrobras fazendo diversos desinvestimentos na Bacia do Espírito Santo, à primeira vista, é a Região Sul, na Bacia de Campos, que deve se firmar como polo da produção petrolífera em território capixaba. Por outro lado, o Estado pode ter na Região Norte riquezas ainda não descobertas com potencial para criar uma nova fronteira exploratória, em avaliação até pela própria estatal.

Em junho de 2020, ao anunciar a venda de parte de sua participação em alguns blocos exploratórios – áreas com potencial para descoberta de acumulação de óleo e gás – a petroleira informou que as concessões estão estrategicamente posicionadas em relação às descobertas do pós-sal nas áreas conhecidas como Parque dos Deuses, Parque dos Doces e Parque dos Cachorros. Destacou ainda que há potencial para comprovação de significativos volumes também no pré-sal.

Em janeiro de 2020, no Litoral Norte, a Petrobras anunciou a venda de quatro campos de petróleo e gás em produção, Golfinho e Camarupim, este último sem produzir desde a tragédia no navio-plataforma Cidade de São Mateus, em fevereiro de 2015.

Apesar de abrir mãos dos ativos, a petroleira disse que vai atuar com atividades de exploração e perfuração, o que pode levar à descoberta de uma nova província e abrir uma nova corrida exploratória.

O desinvestimento abre espaço para a atuação de novas empresas, cujas atividades serão cruciais para que o Estado volte ao patamar anterior de grande produtor de petróleo e gás.

Já foi licitado pela Petrobras, por exemplo, o descomissionamento das três plataformas fixas do campo de Cação, no litoral de São Mateus. O consórcio vencedor, liderado pela Triunfo Logística, empresa sediada no Rio de Janeiro, apresentou uma oferta de US$ 38,5 milhões para executar o serviço que deve durar aproximadamente um ano e abrir oportunidades para empresas locais.

O Norte também tem atraído outros projetos, como refinarias de óleo e uma planta de sal-gema, que estão nos planos da Energy Platform (EnP).

O executivo da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) para a área de defesa de interesses, Luis Claudio Montenegro, destaca que a infraestrutura logística do Norte capixaba favorece a atração de investimentos.

“Temos uma série de projetos portuários. Temos planos da Imetame, da Petrocity. Também temos a questão da ferrovia. Há bons projetos que favorecem a instalação de atividades de exploração de petróleo na região.”

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