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Suzano trabalha no desenvolvimento de nanocelulose
Suzano trabalha no desenvolvimento de nanocelulose. Crédito: Suzano/Divulgação

Cenário adverso deixa indústria de bio-óleo no ES na gaveta

Suzano renova licença-prévia, mas não estima data para começar construção de indústria; empresa também desenvolve pesquisas com nanocelulose

Publicado em 03/12/2020 às 01h00

Com um alto investimento em base florestal nos próximos anos, a Suzano pretende suprir carências do segmento de celulose no Espírito Santo que acabam encarecendo a produção. Parte da matéria-prima usada vem de outras regiões e essa falta de madeira tem gerado outras consequências para a companhia: a postergação da indústria de bio-óleo.

Na segunda quinzena de outubro deste ano, a companhia requereu ao Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) a manutenção da licença-prévia para a produção do composto a partir de biomassa. O documento já havia sido obtido em fevereiro de 2017, com validade de quatro anos.

De acordo com a empresa, trata-se de um processo usual de renovação com o objetivo de manter a opcionalidade de investimento futuro e, portanto, não deve ser considerado uma indicação de que o projeto será iniciado no curto prazo.

Suzano

Nota divulgada

"Qualquer decisão sobre o tema será analisada oportunamente pela companhia, que mantém como prioridade neste momento sua desalavancagem financeira, de acordo com o estabelecido em sua política de endividamento"

A empresa, em situações anteriores, chegou a divulgar que o investimento na fábrica de bio-óleo é da ordem de R$ 500 milhões.

O objetivo é que a planta de combustível renovável utilize cascas e resíduos de madeira de celulose, produzidos na própria unidade de Aracruz, para gerar energia. A previsão é de que a planta produza 110 mil toneladas de biopetróleo, quantia que representa 1.300 barris de óleo equivalente por dia. O bio-óleo pode ser utilizado para aquecimento doméstico, fertilizante orgânico, aditivos e como combustível de aeronaves.

Apesar de ainda não marcar data para o projeto, a Suzano afirma que continua com interesse de investir em uma unidade para fabricar o combustível. Mas o cenário adverso da economia devido à crise causada pela pandemia do novo coronavírus têm se somado a outros gargalos para jogar mais para frente o negócio que deve colocar o Espírito Santo em outro patamar na geração de energia.

O empreendimento vai se somar a outras iniciativas que podem tirar o Estado do status apenas de produtor de commodities para também fabricante de itens acabados que podem ser usados por veículos e mesmo por indústrias.

A Suzano também tem trabalhado no desenvolvimento de pesquisas bioestratégicas a partir da celulose, com foco, por exemplo, na lignina e na nanocelulose. Este último é um material resistente, leve e transparente, obtido da fibra de madeira, que pode ser usado em aplicações industriais, eletrônicos e até cosméticos.

Já a lignina, elemento da madeira que tem como finalidade proteger a árvore, pode atender aos mercados de resina, antioxidantes, borracha e termoplásticos.

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