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Mesmo sem data para fábrica de bio-óleo, Suzano tenta renovar licença

Autorização atual vence em fevereiro de 2021. Segundo empresa, renovação não deve ser considerada indicação de que o projeto será iniciado no curto prazo

Publicado em 03/11/2020 às 15h32
Perspectiva da fábrica de bio-óleo, em Aracruz
Perspectiva da fábrica de bio-óleo em Aracruz. Crédito: Suzano/Divulgação

Suzano pediu a renovação da licença prévia (LP) para a produção de bio-óleo a partir de biomassa em Aracruz, no Norte do Espírito Santo, porém, ela ainda não tem data para lançar o projeto. A pandemia do novo coronavírus, a base florestal insuficiente para atender a demanda da instalação e o cenário econômico atual estão entre os principais motivos desse pausa nos planos da multinacional.

De acordo com a Suzano, na última semana, a empresa requereu ao Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) a manutenção da autorização. O documento, obtido pela multinacional em fevereiro de 2017, tem validade de quatro anos e vence em fevereiro de 2021.

Segundo a companhia, esse é um processo usual de renovação e tem o objetivo de manter a opcionalidade de investimento futuro.  A empresa ainda esclareceu que a renovação não deve ser considerada uma indicação de que o projeto será iniciado no curto prazo.

"Qualquer decisão sobre o tema será analisada oportunamente pela companhia, que mantém como prioridade neste momento sua desalavancagem financeira, de acordo com o estabelecido em sua política de endividamento”, disse a empresa por meio de nota.

O interesse para a construção da planta foi anunciado em março de 2018 pelo atual diretor-presidente da empresa, Walter Schalka. Na época, a empresa ainda se chamava Fibria e estava em processo de fusão com a Suzano. Em uma visita ao Estado, Schalka disse que a carteira de investimentos da Fibria em solo capixaba iria permanecer mesmo com a união das duas empresas.

Já em março de 2019, em entrevista à colunista de Economia de A Gazeta, Beatriz Seixas, Schalka afirmou que a empresa não tem condições de fazer a fábrica de bio-óleo sem ter a madeira adequada para fabricar o produto. Para que o fosse aprovado pelo conselho da empresa e saísse do papel, seria necessário aumentar a base florestal capixaba.

Além disso, os impactos da pandemia pelo mundo também contribuíram para que a Suzano não desengavetasse o projeto da fábrica. A gigante da celulose teve prejuízo líquido de R$ 1,16 bilhão no terceiro trimestre deste ano. A dívida da empresa em moeda estrangeira e a demanda mundial também contribuíram para o resultado negativo.

Eucalipto estocada na fábrica da Suzano em Aracruz
Eucalipto estocado na fábrica da Suzano em Aracruz. Crédito: Siumara Gonçalves

SOBRE O PROJETO

A empresa, na época Fibria, chegou a divulgar, em outras ocasiões, que o investimento na fábrica de bio-óleo seria da ordem de R$ 500 milhões. A unidade seria construída no Norte do Estado. A ideia da companhia era que a planta de combustível renovável utilizasse cascas e resíduos da madeira de celulose, produzidos na própria unidade de Aracruz, para gerar energia.

Em março de 2018, o então presidente da Fibria, Marcelo Castelli, afirmou que a expectativa da empresa era que a planta de bio-óleo fosse construída em dois anos e começasse a produzir em 2020, mas o prazo ainda não estava acertado.

A proposta inicial era de que essa planta produzisse 110 mil toneladas do biopetróleo, quantia que representa 1,3 mil barris de óleo equivalente por dia. Esse produto pode ser utilizado para aquecimento doméstico, fertilizante orgânico, aditivos e como combustível.

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