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Fábrica de biogás da Marca Ambiental em Cariacica
Fábrica de biogás da Marca Ambiental em Cariacica. Crédito: Marca Ambiental/Divulgação

Lixo e outros resíduos geram eletricidade para fábricas no ES

Empresas têm buscado formas de viabilizar produção e reaproveitar elementos que seriam liberados no ambiente. Excedente vai para rede e é usado pelo consumidor

Publicado em 03/12/2020 às 01h00
Atualizado em 03/12/2020 às 01h00

A energia está presente em tudo. Ela alimenta de seres vivos a máquinas complexas e existe nas mais diversas formas. No Espírito Santo, uma série de projetos busca abastecer indústrias com energia produzida a partir da luz solar, biomassa ou mesmo de resíduos.

Um dos exemplos vem da ArcelorMittal Tubarão, que realiza o reaproveitamento dos gases siderúrgicos gerados no processo produtivo – além da recuperação de calor – para a geração de energia para consumo próprio.

“Com isso, a planta é autossuficiente, podendo contribuir ainda com a disponibilização do excedente de energia para a sociedade, aumentando assim a segurança energética do Estado”, explicou a gerente de infraestrutura interna da companhia, Patricia Raya.

Em Cariacica, na Rodovia do Contorno, um elemento proveniente de resíduos do aterro sanitário da Marca Ambiental produz energia capaz de abastecer uma pequena cidade. A Usina Termelétrica (UTE) a Biogás – a primeira do tipo no Estado –, que foi inaugurada em julho deste ano, faz parte dos projetos desenvolvidos pela empresa em parceria com a Liberum Energia, e está instalada na Central de Tratamento de Resíduos (CTR), em Cariacica.

Três dos cinco geradores da usina já estão em funcionamento. Eles geram energia suficiente para atender às necessidades de aproximadamente 30 mil pessoas (3 MW de geração de energia). Ao todo, a capacidade instalada de produção energética estimada é de 5 MW, o que equivale ao abastecimento de um município com 50 mil habitantes.

Após a destinação de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) nos aterros sanitários da empresa, ocorre a decomposição dos materiais orgânicos e, assim, é originado o elemento utilizado para transformar algo nocivo em eletricidade. A transformação dele em energia elétrica minimiza o aumento do efeito estufa e promove a valorização sustentável dos gases gerados no aterro.

“A parceria da Marca Ambiental e a Liberum Energia apresenta para o cenário brasileiro e capixaba uma tecnologia inovadora que possibilita um fim mais nobre e sustentável para os gases advindos dos resíduos orgânicos. Cuidar dos resíduos é uma responsabilidade de todos, mas aqui, na Marca, é possível dar um destino final sustentável”, expôs a gestora de comunicação da Marca Ambiental, Mirela Souto.

Investimentos em energias renováveis também estão no radar do governo do Estado. Sem dar muitos detalhes, a Secretaria de Desenvolvimento (Sedes) informou que tem acompanhado de perto as demandas voltadas para o segmento.

“O governo do Estado tem interesse em fazer a transição da matriz energética, acompanhando a tendência mundial de utilizar os recursos naturais voltados para a geração de energia, sendo fontes inesgotáveis. Desta forma, estuda a elaboração de um projeto que contemple o segmento.”

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Alto-Forno 3, da ArcelorMittal Tubarão: empresa aproveita resíduos da produção para gerar energia. Crédito: Divulgação/ArcelorMittal

AÇÕES

Segundo a pasta, novas informações serão divulgadas em breve. No escopo do programa, estariam diferentes fontes de energia, como é o caso da solar, da eólica e da biomassa, conforme relatou uma fonte que teve acesso aos planos do governo.

Para o executivo para a área de defesa de interesses da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Luis Claudio Montenegro, a transição para energias mais limpas e menos poluentes deve se tornar um caminho natural para o Estado nos próximos anos. Ele destaca, inclusive, que a própria Findes já pensa em incluir, na programação do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás, o tema “energia”, a fim de estudar essas transformações.

“Estamos avançando com a questão do gás natural, que é uma energia mais limpa e deve ficar mais barata com as mudanças na legislação. Mas já devemos olhar para as próximas transições, de energia solar, eólica, entre outras. O Espírito Santo tem um potencial muito grande para o desenvolvimento de energias renováveis e deve atrair alguns investimentos nessa área nos próximos anos.”

No caso da energia solar, o governo do Estado lançou um projeto para que os novos prédios construídos no Estado tenham a estrutura necessária para a instalação de placas solares para a geração de energia. Além disso, o Executivo vai investir na geração de energia solar nos edifícios da administração estadual, com a finalidade de economizar nas contas de energia.

Ainda na esfera pública, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) implantou em 2019 uma usina solar, a terceira maior do país para geração de energia própria.

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