Sair
Assine
Entrar

Fique atento!

Como saber se um banco digital é seguro para investir

Após liquidação de Master e Will Bank, saiba o que é preciso avaliar antes de escolher os CDBs e outros investimentos de instituições financeiras

Publicado em 27 de Janeiro de 2026 às 15:55

Leticia Orlandi

Publicado em 

27 jan 2026 às 15:55
investimentos, renda fixa, mercado financeiro, finanças
Uma das formas de avaliar o risco da instituição financeira é olhar o rating das agências de riscos Crédito: Imagem gerada pelo ChatGPT
Com a facilidade do celular e das oportunidades de rentabilidade, os bancos digitais se tornaram, em muitos casos, a porta de entrada para muitos brasileiros no mundo dos investimentos.
A atratividade dos bancos digitais vem de que, em muitos casos, a rentabilidade em CDBs, por exemplo, é maior do que em bancos tradicionais, que frequentemente pagam menos de 100% no CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Geralmente, a alíquota do CDI se aproxima da taxa básica de juros – a Selic –, que hoje está em 15% ao ano.
Mas, depois da liquidação do Banco Master e, mais recentemente, do Will Bank – fintech criada no Espírito Santo e depois comprada pelo Master para ser o braço digital da instituição –, vem o alerta: será que é seguro investir por meio de bancos digitais?
Para o economista e assessor de Investimento da Investor Marlo Barcelos, uma das formas de avaliar o risco da instituição financeira é olhar o rating das agências de riscos, como Fitch e S&P.  "É um termômetro da saúde do banco, muito importante. Dificilmente um banco AA ou AAA vai ter problemas", aponta.
Barcelos lembra que, antes da liquidação, a nota do Will Bank era D, de default, considerada um índice de calote. 
Outra maneira de avaliar a segurança para manter investimentos em um banco é se atentar ao Índice de Basileia, que mede a solidez financeira de uma instituição. Barcelos explica que o índice compara o capital próprio do banco com os riscos que assume ao emprestar dinheiro. 
"Se um banco tem Basileia de 15%, significa que, para cada R$ 100 de risco, tem R$ 15 de capital próprio. Quanto maior o índice, mais sólido é o banco e menor o risco de quebra. Quando menor, mais alavancado está, o que torna maior o risco", conta. 
O economista Ramon Schneider acrescenta que a exigência do Banco Central é um mínimo de 11% para esse indicador. Instituições consideradas saudáveis costumam manter o índice em torno de 13% a 18%.
Já planejador financeiro Murilo Lacerda alerta que não existe banco imortal. “O que existe são indicadores que ajudam a gente a avaliar se um banco tem maior ou menor risco de quebrar”, lembra.
Sobre a questão do Índice de Basileia, Lacerda complementa que o número mostra o quanto de capital próprio o banco tem em relação aos riscos que assume. De forma simplificada, se o banco empresta R$ 100, precisa ter uma parte desse valor como proteção, como se fosse um colchão de segurança. Existe um percentual mínimo exigido pelo regulador para que o banco seja considerado saudável.
"Primeiro ponto importante: banco vive de risco. Toda vez que um banco empresta dinheiro, libera cartão de crédito ou faz um financiamento, está assumindo o risco de alguém não pagar. É como na vida pessoal. Se você empresta seu cartão para alguém e a pessoa não paga, o prejuízo fica com você. Se empresta dinheiro e não recebe, quem arca com isso é você. Com banco é a mesma lógica, só que em escala muito maior. Por isso, o banco precisa ter capital próprio, dinheiro dele, para aguentar o 'tranco' caso parte desses clientes não pague. É aí que entra um dos principais indicadores de saúde financeira dos bancos, chamado Índice de Basileia", lembra.
Lacerda diz que, para avaliar a segurança de um banco, outro ponto essencial é o lucro. Segundo o planejador financeiro, quando a instituição dá lucro de forma recorrente, está gerando caixa e fortalecendo o próprio capital. Esse lucro aumenta a capacidade de absorver prejuízos e sustentar o crescimento da operação.  Ele afirma que bancos que saem do prejuízo e passam a registrar lucros consistentes mostram melhora na qualidade do negócio e na gestão de risco.
"Um sinal de alerta clássico no mercado é quando uma instituição está frágil financeiramente e começa a oferecer taxas muito acima do padrão para captar dinheiro. Juros muito acima da média costumam significar que o risco também é maior. Não é regra absoluta, mas é um indício importante", diz.
Para o economista Ramon Schneider, o investidor precisa ficar atento a alguns indicadores antes de alocar seu capital em ativos financeiros, sejam CDBs ou outros títulos ofertados no mercado. O primeiro passo é verificar se o ativo é coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), lembrando que essa garantia é limitada a R$ 250 mil por CPF e por instituição.
"Um ponto crucial é identificar o controlador do banco digital: no caso do Will Bank, por ser controlado pelo Banco Master, o limite de R$ 250 mil é somado entre as duas instituições. Assim, quem possuía o teto garantido em cada uma, na verdade, só recuperaria metade do valor total via FGC", lembra.
Cuidado com propostas muitos elevadas de retorno e bem acima do que o mercado pratica. Por exemplo, 140% do CDI, enquanto a média do mercado é 110%. Isso é um indício de que o banco está pagando caro para conseguir dinheiro porque o mercado institucional (outros bancos) já não querem emprestar para ele.
Ramon Schneider - Economista

Índice de Basileia de alguns bancos

  • Bradesco: 15,1%
  • Nubank: 15,8%
  • Caixa: 16,2%
  • Banco do Brasil: 14,7%
  • Inter: 17%
  • C6 Bank: 12,8%
  • Mercado Pago: 12,5%
  • Neon: 11,5%
  • Itaú: 17,4%
  • Santander: 15,3%
É possível acompanhar os índices por este link.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Por que MP descartou envolvimento de adolescentes em morte do cão Orelha e pediu arquivamento do caso
Imagem de destaque
Entenda por que as infecções urinárias aumentam entre as mulheres no inverno
residente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Assinatura da MP para zerar imposto federal da Taxa das Blusinhas
Lula assina MP que zera imposto federal da 'taxa das blusinhas'

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados