Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 08:51
SÃO PAULO - O Will Bank, cuja liquidação foi anunciada pelo Banco Central nesta quarta-feira (21), é um banco digital do conglomerado do Banco Master. Criado em 2017 no Espírito Santo com o nome Meu Pag!, tinha a proposta de ampliar a inclusão financeira, oferecendo produtos como cartão de crédito sem anuidade a clientes fora do sistema bancário tradicional.>
Com operações digitais e marketing forte na TV e redes sociais, sua atuação ganhou tração no Nordeste. No ano passado, chegou a 9 milhões de clientes.>
Com a liquidação, a instituição tem cerca de R$ 6,5 bilhões em CDBs (Certificados de Depósito Bancário) a pagar, segundo dados mais recentes do BC, referentes a setembro de 2025. Os investimentos são elegíveis ao ressarcimento pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), desde que respeitado o teto de R$ 250 mil.>
O banco digital foi comprado pelo Banco Master no início de 2024. Na ocasião, o Will tinha cerca de 6 milhões de clientes e havia faturado R$ 2,8 bilhões no ano anterior.>
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Quando o BRB (Banco de Brasília) anunciou, em março de 2025, a compra do Banco Master, a estratégia declarada era usar a instituição como porta de entrada no mercado de serviços digitais e ampliar a presença nas classes C e D.>
O Banco Central, porém, rejeitou a operação em setembro. Em novembro, o órgão anunciou o início do processo de liquidação do Master — quando conclui que a situação de uma instituição financeira é irrecuperável. Nesses casos, o funcionamento do banco é interrompido e ele é retirado do sistema financeiro nacional.>
No processo de intervenção, o Will Bank foi preservado, diante do interesse de investidores em adquirir o banco digital. A ideia era que a venda do Will Bank pudesse reduzir parte do passivo do Master, controlado por Daniel Vorcaro.>
Como a Folha mostrou, o apresentador Luciano Huck e o fundo Mubadala Capital, braço de investimentos alternativos do fundo soberano de Abu Dhabi, avaliaram a compra da fintech no ano passado.>
Desde então, o Will Bank estava sob regime especial de administração temporária do Banco Central, mecanismo que permite a continuidade das operações enquanto se buscam alternativas para minimizar perdas para o FGC e demais credores.>
O regime garante que o banco não sofra interrupções em suas atividades e autoriza sua venda mediante aprovação do interventor.>
As tratativas com interessados em adquirir o Will Bank continuaram a acontecer depois da liquidação do Master, mas a passos lentos.>
Nesta semana, a bandeira de cartão de crédito Mastercard decidiu suspender a aceitação de cartões emitidos pelo Will depois de o banco não honrar pagamentos, impondo mais uma dificuldade para a instituição.>
Transações feitas por consumidores não foram honradas pelo banco nesta segunda-feira (19) junto a diversos participantes da indústria de cartões. Ao suspender as transações, evita-se que o valor devido pelo Will Bank aumente.>
O banco digital encerrou setembro do ano passado com R$ 14,2 bilhões de ativos e um patrimônio líquido negativo de R$ 76,2 milhões, segundo dados do Banco Central. No terceiro trimestre de 2025, teve um lucro líquido de R$ 408,3 milhões.>
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