Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 07:59
BRASÍLIA - O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação do Will Bank, banco digital do grupo Master, que estava desde novembro sob regime de administração especial temporária.>
O Will Bank foi preservado quando o BC anunciou a liquidação do Banco Master, em 18 de novembro, diante da avaliação de que naquela época havia investidores interessados em adquirir a instituição, o que acabou não se concretizando. O regime especial poderia ser mantido por até 120 dias.>
A liquidação é adotada quando o BC avalia que a situação da instituição financeira é irrecuperável. Nesse caso, o funcionamento da instituição é interrompido e ela é retirada do sistema financeiro nacional.>
Antes do anúncio do Banco Central, a bandeira Mastercard decidiu parar de aceitar transações feitas via cartões emitidos pelo Will Bank depois que operações concretizadas por consumidores não foram honradas pelo banco a participantes do arranjo de pagamento. Como mostrou a Folha, a medida visava impedir o aumento do valor devido pelo Will Bank.>
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Além disso, a bandeira executou garantias ligadas a dívidas do Will Bank e passou a deter participações relevantes na varejista de móveis Westwing e no BRB (Banco de Brasília).>
No regime de administração especial temporária, as atividades do banco são preservadas, apesar de seus dirigentes perderem o mandato. No caso da liquidação, o funcionamento da instituição é interrompido, e a instituição é retirada do sistema financeiro nacional. Com o ato, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição.>
Criado em 2017 e comprado pelo Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões de ativos, um prejuízo de R$ 244,7 milhões e um patrimônio líquido de cerca de R$ 300 milhões, segundo dados do Banco Central.>
Uma venda do Will Bank, como antes era esperado, teria o potencial de reduzir as perdas do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que vai pagar até R$ 250 mil a 800 mil investidores de Certificados de Depósito Bancário (CDB) e outros títulos garantidos emitidos pelo Master, somando um total de R$ 40,6 bilhões, na maior indenização já feita pelo fundo.>
Sem uma venda, as perdas do FGC com o Master podem se elevar. O Will fechou setembro com R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e nenhum valor em depósitos à vista, como conta corrente.>
Na semana passada, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura a atuação de fundos de investimentos que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Banco Master.>
Essa etapa da investigação teve como alvos endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do Master, a parentes do banqueiro e a empresários, incluindo Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-dono da Reag gestora investigada no caso Master e suspeita de envolvimento com o crime organizado. A instituição também foi liquidada pelo BC.>
Na primeira fase da Compliance Zero, em novembro, Vorcaro foi preso sob acusação de liderar um esquema que criou carteiras falsas de crédito para inflar o patrimônio do Master e, em seguida, vender a instituição financeira ao BRB (Banco de Brasília). Ele foi solto menos de duas semanas depois e segue monitorado por tornozeleira eletrônica.>
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