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App do FGC para ressarcir clientes do Banco Master falha no 1° dia, relatam investidores

App do FGC para ressarcir clientes do Banco Master falha no 1º dia, relatam investidores

Investidores afirmam ter dificuldades para acessar o sistema, concluir o cadastro ou avançar nas etapas necessárias para solicitar o resgate dos valores garantidos

Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 16:08

O aplicativo do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), por onde deve ser feito o pedido de ressarcimento de investidores do Banco Master, apresenta instabilidade poucas horas depois de o fundo anunciar a liberação dos pagamentos, na manhã deste sábado (17), segundo relatos publicados por usuários nas redes sociais.

Procurado pela reportagem, o FGC afirma que, "com o início do pagamento da garantia aos credores dos Bancos Master, Master de Investimentos e Letsbank, o aplicativo registrou um alto volume de acessos simultâneos, provocando instabilidades e afetando a sua disponibilidade aos usuários". Segundo o fundo, até as 12h, foram registrados mais de 140 mil acessos.

"A infraestrutura tecnológica do aplicativo é autoescalável, de forma que a normalização da disponibilidade é esperada para as próximas horas. As equipes técnicas seguem monitorando continuamente e atuando na promoção do ganho de performance da plataforma", afirma o FGC.

Fachada do Banco Master
Fachada do Banco Master Crédito: Banco Master/Divulgação

Investidores afirmam ter dificuldades para acessar o sistema, concluir o cadastro ou avançar nas etapas necessárias para solicitar o resgate dos valores garantidos. A principal queixa é de não conseguir fazer o upload dos documentos.

O FGC começou a pagar neste sábado a garantia de valores mantidos no Banco Master, liquidado em 18 de novembro de 2025 por decisão do Banco Central.

Podem solicitar o ressarcimento investidores que tinham aplicações como CDBs (certificados de depósito bancário) ou recursos em conta corrente na instituição.

A operação envolve o pagamento de R$ 40,6 bilhões a cerca de 800 mil investidores, o que faz deste o maior resgate já realizado pelo fundo. Segundo o FGC, o intervalo de 60 dias entre a liquidação do banco e o início dos pagamentos foi maior do que o usual devido à dimensão do caso.

Em comunicado ao mercado, o diretor-presidente do FGC, Daniel Lima, afirmou que o volume da operação exigiu um esforço excepcional das equipes envolvidas. "A equipe do liquidante, com apoio do time do FGC, trabalhou incansavelmente, dias, noites e finais de semana, para gerar os arquivos no menor tempo possível", disse. A estimativa inicial era de 1,6 milhão de investidores.

Nas redes sociais, no entanto, investidores relatam frustração com falhas no aplicativo justamente no momento em que tentam reaver parte dos recursos. Há menções a telas que não carregam, mensagens de erro e dificuldades de autenticação. Alguns usuários dizem temer novos atrasos após quase dois meses de espera pelo início do pagamento.

O pagamento não é automático. Para receber os valores, os investidores precisam se cadastrar no aplicativo do FGC e seguir o procedimento definido pelo fundo, que vai fazer os depósitos diretamente em conta de mesma titularidade do credor cadastrada.

O FGC já havia alertado os investidores para possíveis tentativas de golpe durante o processo de liberação dos valores. O fundo reforça que o ressarcimento deve ser solicitado exclusivamente por meio de seus canais oficiais.

O valor máximo coberto pelo FGC é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo rendimentos calculados até a data da liquidação do banco, conforme a contabilização do Master. Não há correção pela inflação ou pela taxa Selic após 18 de novembro de 2025.

Apesar do montante envolvido, especialistas avaliam que o caso não representa risco sistêmico, já que o fundo dispõe de cerca de R$ 125 bilhões em caixa, de acordo com o último relatório, de novembro de 2025. Até então, o maior desembolso havia ocorrido no caso do Bamerindus, em 1997, com cerca de R$ 20 bilhões em valores atualizados.

O Banco Master teve a liquidação decretada pelo Banco Central por uma "grave crise de liquidez" e por "graves violações às normas" do Sistema Financeiro Nacional. Investigações apontam que a instituição teria se beneficiado de operações financeiras simuladas, uso de laranjas e atribuição artificial de preços a ativos sem liquidez. O controlador do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso ao tentar deixar o país, mas foi solto dias depois mediante o uso de tornozeleira eletrônica.

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