Publicado em 3 de março de 2026 às 21:01
SÃO PAULO - Os preços do petróleo fecharam em alta de 4,7% nesta terça-feira (3) em meio à guerra no Irã e após o anúncio do fechamento do estreito de Ormuz para navegação. Os contratos futuros do Brent, referência global da commodity, fecharam em alta de US$ 3,66, ou 4,7%, a US$ 81,40 o barril, valor mais alto desde janeiro de 2025.>
O petróleo chegou a ser negociado a US$ 85,10 por volta das 8h, alta de 9%, atingindo o maior valor desde 19 de julho de 2024. O Brent acumula alta de 12% desde o último sábado (28), quando começou a guerra no Irã.>
Nesta terça, a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou incendiar qualquer navio que tentar passar pelo trecho que separa o país persa da península Arábica. A decisão ameaça parar de vez o fluxo de petroleiros e embarcações que transportam por lá 20% do óleo e do gás natural liquefeito consumidos diariamente pelo mundo. O destino da maior parte desse volume são grandes consumidores asiáticos, como China e Índia. A largura do estreito é de meros 40 km em seu ponto mais apertado.>
Os preços do petróleo fecharam em alta de 4,7% nesta terça-feira (3) em meio à guerra no Irã e após o anúncio do fechamento do estreito de Ormuz para navegação. Os contratos futuros do Brent, referência global da commodity, fecharam em alta de US$ 3,66, ou 4,7%, a US$ 81,40 o barril, valor mais alto desde janeiro de 2025.>
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O petróleo chegou a ser negociado a US$ 85,10 por volta das 8h, alta de 9%, atingindo o maior valor desde 19 de julho de 2024. O Brent acumula alta de 12% desde o último sábado (28), quando começou a guerra no Irã.>
Nesta terça, a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou incendiar qualquer navio que tentar passar pelo trecho que separa o país persa da península Arábica. A decisão ameaça parar de vez o fluxo de petroleiros e embarcações que transportam por lá 20% do óleo e do gás natural liquefeito consumidos diariamente pelo mundo. O destino da maior parte desse volume são grandes consumidores asiáticos, como China e Índia. A largura do estreito é de meros 40 km em seu ponto mais apertado.>
Especialistas já contam com muita volatilidade nas cotações internacionais, mas há expectativa de que o preço do barril seja contido pela sobra de óleo no mundo, resultado de a demanda crescer menos que a oferta.>
O gigante petrolífero saudita Aramco informou a alguns compradores de seu petróleo bruto Arab Light que desviará a carga para Yanbu, na costa ocidental do Mar Vermelho, disseram três fontes nesta terça-feira, o que permitiria evitar o estreito de Ormuz devido a ataques a embarcações. A Aramco se recusou a comentar.>
O ministro da Marinha Mercante da Grécia pediu proteção do transporte marítimo global e dos marinheiros. "Isso é alarmante e preocupante, e eu gostaria que o transporte marítimo global ficasse de fora dos conflitos de guerra", comentou Vassilis Kikilias.>
"O transporte marítimo global tem a ver com o comércio global, do qual todos precisam. E os marinheiros, é claro, não têm culpa", disse o ministro grego.>
O tráfego pelo estreito de Ormuz vem sendo afetado desde sábado (28), quando começaram os ataques dos EUA e de Israel sobre o Irã, que respondeu em seguida. Nesta terça, um tanque de combustível no porto comercial de Duqm, em Omã, foi atingido, e um incêndio eclodiu em Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, um dos principais polos petrolíferos da região.>
A QatarEnergy, estatal de energia do Qatar, anunciou a interrupção da produção de alumínio, ureia, polímeros e metanol, um dia após ter suspenso o fornecimento de GNL (gás natural liquifeito), produto que detém 20% do consumo mundial.>
A Arábia Saudita suspendeu a produção em sua maior refinaria doméstica, enquanto Israel e o Curdistão iraquiano também interromperam parte de sua produção de gás e petróleo.>
A Índia, um dos países mais dependentes de petróleo e gás do Oriente Médio, afirmou que começou a racionar o fornecimento de gás para indústrias após a interrupção da produção do Qatar.>
A maior parte do GNL qatariano vai para a Ásia, mas parte também segue para a Europa, que depende inteiramente de importações para suas necessidades de petróleo e gás. Espera-se que a Europa corra para repor estoques, esgotados por um inverno rigoroso, e precisará depender ainda mais do gás americano, após rejeitar o gás russo depois da invasão da Ucrânia em 2022.>
As taxas de frete marítimo ao redor do mundo também dispararam para um recorde histórico à medida que o conflito se intensificou e Teerã passou a atacar navios que atravessam o estreito.>
O fechamento do estreito de Ormuz fez com que centenas de navios-tanque carregados com petróleo e GNL ficassem encalhados perto de grandes polos, como o porto de Fujairah nos Emirados Árabes Unidos, sem conseguir alcançar clientes na Ásia, Europa e outros lugares.>
A situação levará Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Irã a começar a cortar a produção de petróleo em questão de dias, a menos que consigam encontrar novos navios-tanque para transportar o petróleo que continua sendo extraído do subsolo.>
A ameaça de Teerã de fechar o estreito de Ormuz levou as Bolsas de todo mundo a despencarem nesta terça. Na Ásia, as Bolsas da China tiveram o pior resultado diário em um mês, enquanto o índice de Seul despencou mais de 7%.>
O índice CSI300, que reúne as principais companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,54%, e o índice SSEC, de Xangai, desvalorizou 1,43%. Foi o pior resultado das duas desde 2 de fevereiro.>
O índice ChiNext Composite, que reúne startups, caiu 2,57%. O índice STAR50 de Xangai, focado no setor de tecnologia, caiu 5,21%, registrando a pior sessão desde 10 de outubro.>
Os mercados de outros países asiáticos também fecharam em queda: Tóquio (-3,1%), Seul (-7,24%), Hong Kong (-1,12%) e Taiwan (-2,2%).>
Na Europa, as principais Bolsas caíram mais de 3% nesta terça. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, fechou em baixa de 3,64%, no maior recuo desde abril do ano passado.>
Na época, a Bolsa europeia registrou quedas diárias de mais de 4% em função do anúncio das tarifas comerciais de Donald Trump.>
O movimento de queda também foi observado nas Bolsas de Frankfurt (-3,59%), Londres (-2,75%), Paris (-3,46%), Madri (-4,57%) e Milão (-3,92%).>
"É venda por pânico", disse Emmanuel Cau, chefe de estratégia de ações europeias do Barclays. "O mercado estava complacente quanto à escala desta guerra [antes do fim de semana].">
As Bolsas dos EUA também tiveram quedas acentuadas. A Bolsa Nasdaq caiu 1,02%, enquanto o Dow Jones desvalorizou 0,83% e o S&P 500 recuou 0,94%.>
Mesmo o ouro, considerado um porto seguro para investidores em momentos de risco, também operava em queda de 3,46% nesta terça-feira, cotado a US$ 5.127,76, às 17h. Já o bitcoin estava em queda de 1,21%.>
Para analistas, o movimento é impactado pela ameaça iraniana e pela disparada do petróleo. "Muito dependerá do preço do petróleo. Qualquer pico sustentado certamente desencadeará um movimento de aversão ao risco mais significativo", comentou Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank.>
Os investidores estavam preocupados que os preços mais altos do petróleo pudessem alimentar a inflação em toda a economia e complicar ainda mais as decisões de política monetária para autoridades de bancos centrais que já enfrentam aumentos de preços impulsionados por tarifas.>
O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos atingiu seu nível mais alto em mais de uma semana, e investidores adiaram as expectativas de um corte de 25 pontos-base na taxa de juros pelo Federal Reserve de julho para setembro, segundo dados compilados pela LSEG.>
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