Nos últimos dias, o mundo concentra suas atenções para o Oriente Médio, mais precisamente para o Irã e os países próximos, sobretudo a Península Arábica. Tudo por conta da troca de hostilidades entre a aliança EUA e Israel contra a República Islâmica do Irã. Como consequência imediata, Trump e Netanyahu anunciaram ao planeta a morte de Ali Khamenei, o líder supremo do regime iraniano, que teve sua morte confirmada pela mídia estatal aos 86 anos de idade. Mas a pergunta que todos passaram a fazer é: o Irã é a Venezuela da vez?
Muito diferente de Maduro e da brutal ditadura bolivariana, o Irã é uma teocracia muito bem estabelecida, com linhas de poder compostas por comandos fiéis à estrutura existente. Khamenei é o segundo aiatolá desse regime, que vigora desde 1979, quando chegou ao poder Ruhollah Khomeini, após a queda do xá Mohammad Reza Pahlevi, que foi deposto pela Revolução Iraniana que teve seus primeiros protestos em 1978.
Vale dizer que Khamenei é um clérigo xiita que iniciou sua vida religiosa aos 13 anos de idade, também esteve envolvido nos protestos que derrubaram o regime monárquico do xá e, em seguida, ficou muito próximo de Khomeini, sendo escolhido por ele para ser o Imã que passou a fazer a oração de sexta-feira em Teerã já em 1980, algo que denota sua participação no alto escalão do regime desde seus primórdios.
Na atual estrutura da República Islâmica, é fundamental entender que, para além de um chefe de Estado, Khamenei acumulou muito poder ao aglutinar liderança teológica, política e militar. Em resumo, esta foi a eliminação de uma figura central e, sem dúvida, a mais poderosa do atual governo iraniano. Mesmo sendo um forte abalo, está longe de significar que o regime caiu.
De imediato, Alireza Arafi de 67 anos, um clérigo pouco conhecido, mas muito próximo de Khamenei, foi escolhido como uma espécie de Líder Supremo interino, até que a Assembleia dos Peritos possa escolher um novo nome. Por si só, essa reação rápida demonstra o quanto o poder dos aiatolás é sólido e já planejava baixas profundas.
Além disso, a capacidade de resposta do Irã é grande, com força militar para balançar a região. Como pronta retaliação, as forças iranianas atacaram países na península arábica, causando prejuízos para muito além dos ligados ao petróleo. Vale como exemplo o caos aéreo nos Emirados Árabes Unidos – EAU, que tem as operações aeroportuárias de Dubai e Abu Dhabi, ligadas aos hubs da Emirates e Etihad congelados nos últimos dias.
Sem previsão para o fim desse conflito, o mundo assiste, estarrecido, a imagináveis ataques a países como Catar, Bahrein e, até mesmo Arábia Saudita, que estão sendo arrastados para um conflito que atrapalha o mundo dos negócios e a vida de todos que desejam viajar, trabalhar e viver pela região.
Longe da queda, o regime iraniano é resiliente e forte o suficiente para sobreviver. Para que caia, é fundamental força bélica externa e pressão interna, ou seja, em igual proporção, é necessário que o povo iraniano queira uma mudança de regime. Portanto, mais que bombas, é fundamental que comerciantes, mulheres e jovens permaneçam nas ruas, pressionando a queda desse regime extremista.
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