Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Economia
  • Banco Central anuncia liquidação do Master, e PF prende banqueiro
Sob administração especial

Banco Central anuncia liquidação do Master, e PF prende banqueiro

Apenas Will Bank foi preservado devido ao interesse de investidores em adquirir o banco digital. Daniel Vorcaro se preparava para embarcar para Dubai; advogados afirmam que Vorcaro iria viajar para fechar negócio nos Emirados Árabes

Publicado em 18 de Novembro de 2025 às 09:24

Agência FolhaPress

Publicado em 

18 nov 2025 às 09:24
BRASÍLIA - O Banco Central decretou, nesta terça-feira (18), liquidação do Banco Master e colocou a instituição que integra o conglomerado sob regime de administração especial temporária por 120 dias. Apenas o Will Bank foi preservado devido ao interesse de investidores em adquirir o banco digital.
O anúncio foi feito um dia depois da Fictor Holding Financeira fazer uma proposta para compra da instituição de Daniel Vorcaro e mais de dois meses após a autoridade monetária ter rejeitado a compra do banco pelo BRB (Banco de Brasília).
Daniel Vorcaro durante evento em Nova York; banqueiro foi preso nesta segunda-feira em SP Crédito: Reprodução/YouTube
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, foi preso pela Polícia Federal na noite desta segunda-feira (17), em São Paulo. Segundo integrantes da corporação, havia uma suspeita de que o banqueiro poderia deixar o país para evitar a prisão. Ele se preparava para embarcar num voo para o exterior. A operação da PF mirava combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras.
Os advogados de Vorcaro negam fuga e dizem que banqueiro estava viajando a Dubai para venda.
Foram liquidados o Banco Master S.A., que é o líder do conglomerado, e a Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. Com a liquidação do banco, os depósitos serão honrados pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada para executar a administração especial temporária do Master Múltiplo. Nesse regime, as atividades da instituição seguem em operação, mas os dirigentes perdem o mandato e são substituídos por pessoa jurídica especializada, com plenos poderes de gestão.
A proposta da Fictor envolvia um consórcio formado por investidores dos Emirados Árabes Unidos, mas os nomes desses investidores não foram revelados. Segundo um interlocutor a par das negociações, havia desconfiança com relação às promessas feitas por Vorcaro, e o anúncio foi interpretado como uma estratégia do banqueiro às vésperas da liquidação do Master.
A liquidação é adotada quando o BC avalia que a situação da instituição financeira é irrecuperável. Nesse caso, o funcionamento da instituição é interrompido e ela é retirada do sistema financeiro nacional.
Esse regime pode ser decretado, entre outras situações, quando uma instituição apresenta dificuldade de honrar seus compromissos ou quando viola gravemente as normas legais e estatutárias que disciplinam sua atuação.
Nesse cenário, há o afastamento imediato dos administradores, com a perda de mandatos. A instituição passa a ser administrada por um liquidante, nomeado pelo BC.
Conforme a legislação, os bens dos ex-administradores (que exerceram a função nos 12 meses anteriores à liquidação) e dos controladores das instituições financeiras ficam indisponíveis, não podendo ser alienados ou onerados, até a apuração e liquidação final de suas responsabilidades.
Se uma instituição está sob o regime de liquidação, isso não significa que ela faliu. Existe a possibilidade de o liquidante, caso seja autorizado pelo BC, requerer a falência dela. Nesse caso, é um processo conduzido pela via judicial.
O Master vinha enfrentando problemas de liquidez para honrar seus compromissos, e seus negócios viraram alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de irregularidades.
Os últimos encontros da diretoria do BC com representantes do Master e do BRB, antes do anúncio de liquidação, ocorreram em outubro.
Em 7 de outubro, Vorcaro conversou com o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino. No dia seguinte, foi a vez de o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, se reunir com o chefe da área de Fiscalização. No encontro com o banco estatal, também participou o diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, Renato Gomes.
Uma semana antes, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, teve uma audiência com representantes do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) –responsável por cobrir até R$ 250 mil em depósitos por investidor em caso de falência, liquidação ou intervenção de instituições financeiras.
Uma das estratégias do banco de Daniel Vorcaro era a venda de CDBs com alta remuneração aos aplicadores. O Master já chegou a pagar 140% do CDI, bem acima do padrão do mercado, usando como marketing a garantia dada pelo FGC.
O Master tinha uma linha de empréstimo de R$ 4 bilhões com o FGC, que terminava no fim de setembro –prazo que se estendeu até novembro, conforme gestores do banco sinalizaram a interlocutores do mercado financeiro.
O anúncio da liquidação ocorreu também em meio a investigações da Polícia Federal sobre o caso do Master, após o BC repassar dados ao Ministério Público, como revelou a Folha de S.Paulo.
Em 7 de outubro, Galípolo recebeu o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, na sede da autoridade monetária, em Brasília, para tratar de "assuntos institucionais".
Em setembro, o BC rejeitou a compra do Master pelo BRB –transação que englobava R$ 23 bilhões em ativos. A avaliação do caso durou cerca de cinco meses. Como mostrou a Folha de S.Paulo, foi considerado o risco de sucessão como uma das razões para barrar a operação.
Se a compra fosse aprovada, o BRB precisaria assumir todas ou grande parte das operações não conhecidas do Master. Esses compromissos poderiam ter valor elevado para o banco estatal, que poderia não ter patrimônio suficiente para fazer frente ao risco.
A possível aquisição de 58% do Master pelo BRB foi anunciada em 28 de março. Pelo acordo, o BRB compraria 49% das ações ordinárias (com direito a voto) e 100% das preferenciais do Master, detidas pela Master Holding Financeira e DV Holding Financeira.
Após ajustes no perímetro da operação, o acordo previa a compra de R$ 23 bilhões pelo BRB em ativos do Master, que ficaria com cerca de R$ 48 bilhões restantes.
Historicamente, o BC já liquidou outras instituições financeiras, como Bamerindus e Cruzeiro do Sul. Em junho de 2013, aplicou a medida contra o BVA, que se encontrava em regime de intervenção desde outubro de 2012. Assim como no caso do Master, o banco tentava negociar a venda antes da liquidação.
Em meio à análise do caso Master, a autoridade monetária se viu sob pressão diante da ofensiva do centrão na Câmara dos Deputados para aprovar um projeto de lei que permitiria que o Congresso Nacional demitisse diretores e o presidente do BC.
Segundo a proposta, isso poderia ocorrer "quando a condução das atividades do Banco Central for incompatível com os interesses nacionais". No entanto, não há qualquer detalhamento para definir o que seriam essas atividades incompatíveis.
Publicamente, Galípolo vem defendendo a autonomia do Banco Central como mecanismo de defesa do interesse público.
"A autonomia é um processo de proteção não para os diretores, e sim para o país. Para que diretores possam se sentir à vontade e protegidos para tomar decisões melhores para o país independente do cálculo político de como aquilo vai soar ou vai aparecer", afirmou.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Em comemoração aos 30 anos da CBN Vitória, Milton Jung apresenta programa direto do ES
Em comemoração aos 30 anos da CBN Vitória, Mílton Jung apresenta programa direto do ES
Imagem de destaque
Palantir: por que o crescimento do poder global da empresa de IA causa preocupação?
Imagem de destaque
Augusto Cury diz que, se eleito presidente, pode acabar com a fome mundial e mediar guerra de Putin e Zelensky: 'Sou especialista em pacificação'

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados