Publicado em 23 de outubro de 2025 às 10:26
O Banco Master ganhou um fôlego extra em meio a novas conversas para a venda do Will Bank, controlado pela instituição do banqueiro Daniel Vorcaro, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto.>
Pelo menos quatro investidores demonstraram interesse no banco digital, que tinha cerca de 9 milhões de clientes em abril e conta com forte presença no Nordeste, nas classes C e D. Criada em 2017 no Espírito Santo, a empresa encerrou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões de ativos, um prejuízo de R$ 244,7 milhões e um patrimônio líquido de cerca de R$ 300 milhões, segundo dados do Banco Central.>
Entre os interessados, dois fundos de private equity, um brasileiro e um estrangeiro, têm tido conversas preliminares com o Master para avaliar uma potencial compra, de acordo com pessoas a par das negociações ouvidas pela reportagem.>
Outro interessado é um grupo de investidores.>
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O BRB (Banco de Brasília), que teve a oferta de compra de R$ 23 bilhões em ativos do Master rejeitada pelo BC (Banco Central) em setembro, já formalizou o interesse em adquirir o Will Bank, mas existe uma dúvida se o BC aprovaria uma eventual nova transação com a instituição estatal.>
O BRB também pode fazer uma parceria com grupos que têm interesse, mas sem expertise de atuação no mercado bancário.>
As conversas com potenciais interessados no Will Bank acontecem mesmo depois do vencimento, no dia 1º de outubro, de uma linha emergencial de liquidez que chegou a cerca de R$ 4,5 bilhões, concedida pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos).>
O FGC tem interesse na venda do Will Bank porque o banco digital tem cerca de R$ 7 bilhões de CDBs (Certificados de Depósito Bancário). A venda diminuiria o passivo a ser honrado no caso de quebra do banco de Vorcaro — o fundo garantidor cobre até R$ 250 mil em depósitos por investidor em caso de falência, liquidação ou intervenção de instituições financeiras.>
Gestores do Master têm buscado tranquilizar interlocutores do mercado financeiro, sinalizando que o prazo do FGC se estendeu até novembro e que as conversas com reguladores caminham bem. O fundo, no entanto, não confirmou a informação à reportagem, dizendo que não comenta sobre instituições financeiras associadas.>
O processo de aceleração de venda de ativos por Vorcaro é visto como uma tentativa de comprar tempo antes de uma ação mais dura do BC, como a decretação da liquidação do Master. Vorcaro pode ser impedido pelo BC de comandar instituição financeira.>
O banco e seus gestores são alvo de investigação do Ministério Público Federal por vários indícios de crime contra o sistema financeiro. Como revelou a Folha de S.Paulo, a Polícia Federal abriu um inquérito sobre o Master com base em documentação enviada pelo BC.>
O inquérito é sigiloso e as investigações avançaram nos últimos dias, de acordo com pessoas a par do tema que falaram na condição de anonimato.>
No mercado financeiro, a colocação dos ativos à venda está sendo chamada de "saldão" do Vorcaro e tem movimentado os grandes escritórios de advocacia.>
O prestigioso escritório Machado Meyer já sinalizou nos bastidores que vai atuar para algumas empresas não financeiras interessadas em comprar ativos do Master, sobretudo o Will Bank. Procurado, o escritório não negou a informação e respondeu que "infelizmente não poderia apoiar sobre este tema".>
Outros escritórios foram acionados para a venda de precatórios (dívidas judiciais) e imóveis de Vorcaro. Entre eles, um apartamento em São Paulo.>
O controlador do Master também contratou Walfrido Warde, advogado especializado em litígios empresariais e sócio-fundador do Warde Advogados.>
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