> >
De butique na van a rainha do crediário: capixaba cria império de 13 lojas

De butique na van a rainha do crediário: capixaba cria império de 13 lojas

Conheça empreendedora que decidiu focar as vendas de roupas no crediário próprio para aumentar faturamento e multiplicar os pontos de vendas

Gabriela Maia

Estagiária / [email protected]

Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 08:25

A história da empreendedora que começou a vender roupas como ambulante conquistou 15 lojas na Grande Vitória

Foi vendendo roupas femininas em malas nas ruas da Praia do Canto, em Vitória, que a capixaba Juliana Aguiar deu início à carreira empreendedora. Nas redes sociais, hoje é conhecida como a "Rainha do Crediário" e comanda um império da moda com 13 lojas no Espírito Santo, em uma trajetória marcada pela criatividade, visão de mercado e inovação.

Natural de Linhares, no Norte do Espírito Santo, aos 16 anos, Juliana se mudou para a Capital em busca de trabalho para ajudar a família. “Vim para cá quando tinha 16 anos, para trabalhar para ajudar minha mãe na época. Quando cheguei, trabalhei em vários lugares. Meu último trabalho, há 10 anos, foi no estacionamento rotativo, da Praia do Canto”, relembra.

Nessa época, Juliana conta que também trabalhava como revendedora de cosméticos para complementar a renda. “Eu trabalhava ali, mas também vendia maquiagem e outras coisas para incrementar a renda, porque pagava aluguel, tinha um filho pequeno e havia me separado”, conta a empreendedora.

Juliana relata que começou a vender roupas nesse período, enquanto ainda trabalhava no estacionamento rotativo. No começo, as roupas eram expostas em malas nas ruas do bairro e vendidas no tempo livre que tinha durante o trabalho. “Quando conheci meu esposo, a gente resolveu começar a vender roupas. Continuei trabalhando no rotativo e era eu quem viajava e comprava as mercadorias”, conta.

Juliana começou a empreender vendendo roupas em uma mala na Praia do Canto
Juliana começou a empreender vendendo roupas em uma mala na Praia do Canto Crédito: Vitor Jubini

No início, a empreendedora começou a vender as peças de roupa para amigas, mas logo teve que ampliar o público. “Eu vendia para todas as minhas amigas em casa, mas depois não tinha mais para quem vender. Foi aí que resolvi botar as minhas roupas na mala, quando ia à Praia do Canto trabalhar.”

Com o aumento das vendas, Juliana decidiu se dedicar exclusivamente às vendas de roupas e abandonar o trabalho no estacionamento rotativo. “Depois de três meses vendendo, eu pensei: ‘Por que não me dedicar só às vendas?’ Foi aí que decidi sair do rotativo e focar nesse negócio”, afirma. 

Também foi neste período que a empreendedora decidiu comprar um carro, que também seria um instrumento de trabalho. “Comprei o carro financiado e comecei a vender roupa no porta-malas."

Da estratégia da confiança ao crediário próprio

A vendedora resolveu adotar uma estratégia diferente: a confiança. Ao permitir que seus clientes pagassem em prestações, Juliana conquistou um número ainda maior de compradores. “Eu vendia as roupas na ‘notinha’, no fiado. Tinha uns pontos estratégicos, onde as pessoas estavam saindo do serviço, passando perto dos pontos de ônibus. Depois que comprei um carro, as minhas vendas foram só aumentando”, detalha.

Ao perceber que o negócio poderia escalar ainda mais, a autônoma investiu em outros veículos para ocupar mais pontos de vendas e chegou a ter quatro carros em locais diferentes. “Vi que tinha sempre outros pontos cheios de gente. Então, comprei outro carro para aquele ponto. Já cheguei a ter quatro carros pequenos, em Vitória, com outras pessoas atendendo”, cita Juliana.

Com o sucesso nas vendas, Juliana tirou o crediário do papel e tornou a modalidade de pagamento um dos diferenciais da sua loja. De acordo com a empreendedora, o crediário representa cerca de 95% do faturamento. Os clientes podem pagar as compras em até três prestações, sendo a primeira parcela em 30 dias.

“Para abrir um crediário, o cliente precisa ter documento com foto e comprovantes de residência e de renda. Se a pessoa tiver toda a documentação, abrimos uma ficha para ele. Damos um limite de compra e definimos a melhor data para ele começar a pagar. Conforme for pagando, aumentamos o limite”, explica a empreendedora.

A maioria dos meus clientes hoje tem nome negativado e não tem cartão de crédito. Escolhi trabalhar com esse público

Juliana Aguiar

Empreendedora
Juliana começou a empreender vendendo roupas em uma mala na Praia do Canto
Juliana montou butique móvel, com venda de roupas em uma van Crédito: Vitor Jubini

Butique móvel

Atualmente, Juliana possui duas vans adaptadas para vender roupas: as "Butiques Móveis". Uma delas é itinerante e circula por Vitória. A outra tem local fixo e fica localizada no bairro Terra Vermelha, em Vila Velha. A empreendedora diz que a primeira butique móvel surgiu em um carro utilitário e só depois passou a ser uma van.

“Como já vendia em um carro e, na época, não pretendia abrir loja, queria dar um atendimento melhor para as minhas clientes. Pensei: ‘E se eu comprar um carro maior?’ Depois, mexendo na internet, fui pesquisar e vi que já tinham outras vans assim. Foi quando falei: ‘Vou fazer uma butique móvel’, relata.

Rede de lojas

Depois do período da pandemia, Juliana Aguiar teve a oportunidade de abrir uma loja física no interior do Estado. “Abri uma loja que vendia no crediário em Aracruz. Na época, as vendas deram certo. Só que, por ser longe, eu não consegui dar conta e ainda tinha minha filha pequena para cuidar. Por isso, tive que fechar a loja de lá”, explica a empreendedora.

“Mas logo depois abri a loja de Serra Sede. Como eu já era conhecida, tinha seguidores no Instagram e bastante cliente, muitos que compravam no carro comigo começaram a ir nas lojas. Vendia na Praia da Canto, mas quem comprava roupa comigo geralmente eram pessoas que moravam na Serra, em Vila Velha e em Cariacica”, completa.

Depois da primeira loja, a marca cresceu na Grande Vitória com a inauguração de outros pontos de venda em bairros, como Feu Rosa e José de Anchieta, na Serra; São Pedro e Maruípe, em Vitória; e Terra Vermelha e Glória, em Vila Velha. “Fui abrindo, foi dando certo e foi multiplicando. Já estava tendo um faturamento significativo e sabia que, para conseguir escalar, precisaria abrir em outros lugares”, destaca Juliana.

Hoje em dia, a empreendedora possui lojas de moda fitness, bijuterias, roupas femininas, moda íntima e até sex shop. Juliana conta com 20 pessoas na equipe para cuidar dos pontos de vendas e se dedica à administração da empresa.

  • Viu algum erro?
  • Fale com a redação

Tópicos Relacionados

tá no Lucro - Empreendedorismo

A Gazeta integra o

The Trust Project
Saiba mais