ASSINE

Vale a pena comprar um carro que saiu de linha?

O baixo custo chama a atenção de quem quer garantir o sonho do automóvel novo. Veja o que avaliar antes de investir em modelos descontinuados pelas montadoras do país

Rede Gazeta
Publicado em 04/05/2021 às 14h09
Homens dando as mãos em frente a um carro ao fechar uma venda do automóvel.
Veículos com alto giro no mercado possuem maiores chances de revenda, dizem especialistas. Crédito: Freepik

Praticidade de locomoção e conforto são alguns aspectos avaliados por quem sonha em comprar um automóvel. Entretanto, o valor de um veículo zero nem sempre cabe no orçamento do consumidor. A alternativa mais econômica para alguns é investir em veículos que não são mais fabricados pelas montadoras. Mas será que vale realmente a pena comprar um automóvel que saiu de linha?

Para responder essa pergunta, alguns especialistas afirmam que é necessário prestar atenção em alguns pontos antes de finalizar a compra. Segundo Luciano Ribeiro, gerente de vendas da Contauto, é importante avaliar quem está sendo descontinuado: o veículo ou a montadora. No caso do automóvel, as fabricantes devem continuar produzindo as peças de reposição mesmo com a descontinuidade do carro. Já no caso do fechamento das montadoras, as redes de assistência técnica podem ser comprometidas.

“O que se precisa avaliar é o desempenho do carro no mercado até ele ter saído de linha. Se o carro possuir um alto giro no mercado, então ele possui uma grande chance de revenda. Além disso, também é necessário estudar o tamanho da rede de assistência técnica do automóvel. Isso ele pode pesquisar no site das montadoras. Se a rede é ampla e extensa, o risco dele ser desabastecido é bem menor”, destaca Luciano.

O consultor automotivo Gabriel de Oliveira lembra que o processo de manutenção de peças precisa ser garantido pelas montadoras. Mesmo com a interrupção na produção dos automóveis, é obrigatório que a rede de assistência de reposição para esses automóveis seja suficiente para abastecer o mercado por, no mínimo, 10 anos.

“Apesar das marcas de carro, por lei, serem obrigadas a produzirem as peças, a prática é diferente. As montadoras fabricam, mas automaticamente a quantidade diminui. Dessa forma, o preço de algumas peças pode subir, assim como a disponibilidade delas no mercado. Claro que para carros mais populares, essa realidade não é tão expressiva”, observa Gabriel.

Ainda de acordo com o consultor, mesmo com os baixos valores de oferta pelas concessionárias em veículos 0 km fora de linha, é preciso considerar quanto tempo o consumidor espera ficar com o automóvel.

“Carros novos, geralmente, desvalorizam uma média de 10% a 15% por ano. Quando é um automóvel que já saiu de linha, esse número sobe para 20% a 22%. Ou seja, as primeiras depreciações para esses veículos serão maiores do que a média normal. Se a pessoa quiser vender o carro pouco tempo depois, ela pode acabar perdendo parte do dinheiro investido”, explica.

Além de considerar o tempo de utilização, é importante ter em mente a finalidade do automóvel. O diretor da oficina Renova, Fabio Tessarolo, afirma que o baixo custo dos veículos é atrativo, mas dependendo da utilização do automóvel, o consumidor pode sair no prejuízo. 

“A vantagem é a queda do preço, mas o mais importante é se cercar de cuidados e estudar bem o mercado. Se você tem a intenção de utilizar muito o veículo para trabalho, por exemplo, precisa ficar atento a sistemas de reposição de peças ou assistências técnicas que podem ser prejudicadas”, alerta Fábio.

O CASO DA FORD NO BRASIL

Em janeiro, a Ford Motor Company anunciou o fechamento das fábricas no Brasil. Além da saída da montadora do país, também foi anunciado que modelos de carros de entrada, como o Ford Ka e o EcoSport, seriam descontinuados.

O gerente de vendas da Contauto, Luciano Ribeiro, explica que todos os anos alguns modelos saem de linha porque não são mais absorvidos pelo mercado. No caso do Ford Ka e do EcoSport, a produção era quase exclusiva do Brasil e, atualmente, a Ford Motor Company trabalha para atender a um novo modelo de produção mundial.

“A Ford deve passar por uma reestruturação para trabalhar com carros de maior valor agregado. O impacto principal é na mudança de estratégia e público. Não estamos mais trabalhando com carros de entrada. O foco agora é comercializar SUV de porte médio e grande”, comenta Luciano.

DICAS DOS ESPECIALISTAS

  1. 01

    Avalie a utilização do veículo

    Fique atento em relação à finalidade do automóvel. O diretor da oficina Renova, Fabio Tessarolo, destaca que quanto maior a utilização do veículo, mais você precisa estudar o mercado para se cercar dos cuidados na hora de ir atrás de assistência técnica.

  2. 02

    Confira a rede de assistência técnica da montadora

    O gerente de vendas da Contauto, Luciano Ribeiro, indica que é importante conferir a assistência técnica disponibilizada pelas montadoras do país. Luciano alerta que isso pode ser conferido no site das fabricantes.

  3. 03

    Confira o desempenho do veículo no mercado

    Veículos com alto giro no mercado possuem maiores chances de revenda. O consultor automotivo Gabriel de Oliveira alerta para que o consumidor tenha em mente por quanto tempo ele pretende permanecer com o automóvel. Caso ele precise vender pouco tempo depois da aquisição ele pode acabar perdendo dinheiro investido com a desvalorização do veículo.

A Gazeta integra o

Saiba mais
automoveis Ford Mercado Automotivo

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.