Estagiário do Estúdio Gazeta / [email protected]
Publicado em 14 de março de 2026 às 18:27
Com o uso diário do carro, seja para ir ao trabalho, seja para transportar a família, seja para rodar longas distâncias, os pneus acabam sendo um dos componentes mais exigidos do veículo. Ainda assim, é comum que só recebam atenção quando já apresentam desgaste excessivo ou algum problema mais grave. >
O cuidado com os pneus, no entanto, vai além da troca quando a borracha chega ao fim. Manutenção preventiva, rodízio correto, calibragem adequada e atenção na forma como a substituição é feita são cuidados que fazem a diferença na segurança, estabilidade e até no consumo.>
Uma dúvida recorrente entre motoristas surge no momento da troca parcial dos pneus. Quando apenas dois precisam ser substituídos, onde eles devem ser instalados, no eixo dianteiro ou traseiro? Segundo a Dunlop Pneus, a recomendação é simples: os pneus novos devem sempre ir para o eixo traseiro.>
A orientação vale para veículos com tração dianteira, traseira ou integral e está diretamente relacionada à estabilidade do carro. Pneus traseiros mais desgastados tendem a perder aderência com mais facilidade, especialmente em curvas e pistas molhadas, o que aumenta o risco de derrapagem.>
>
“Em uma frenagem brusca ou em curvas sobre piso molhado, pneus mais aderentes na traseira são fundamentais para manter a estabilidade e evitar o deslizamento do carro. É o que chamamos popularmente de sair de traseira, um movimento difícil de corrigir e que pode causar acidentes graves”, explica Hugo Issao Terazaki, gerente de Serviços Técnicos da Dunlop Pneus.>
Enquanto a perda de aderência na dianteira costuma ser mais intuitiva de corrigir pelo motorista, a instabilidade na traseira pode fazer o veículo girar, exigindo técnica e rapidez para evitar acidentes.>
Além da posição correta, outro ponto importante é que a substituição dos pneus seja feita sempre em pares, no mesmo eixo. Pneus com níveis de desgaste diferentes alteram o comportamento do veículo, principalmente em curvas e frenagens.>
“Quando o motorista substitui apenas um pneu, cria-se uma diferença de comportamento entre os lados do carro, o que afeta diretamente o controle e a estabilidade”, destaca Terazaki.>
Esse desequilíbrio pode não ser percebido em trajetos curtos ou no uso urbano, mas se torna mais evidente em situações de emergência ou em rodovias.>
Para evitar desgaste irregular e aumentar a durabilidade do conjunto, o rodízio dos pneus é uma prática recomendada por especialistas. O procedimento deve ser feito, em média, a cada 5 mil quilômetros, dependendo do tipo de pneu e do uso do veículo.>
“O pneu deve ser verificado periodicamente, e o rodízio ajuda a equilibrar o desgaste. Quando feito com frequência, é possível ganhar pelo menos uma vida e meia de pneu, o que representa economia ao longo do tempo”, explica o especialista em engenharia automotiva Everton Luiz Peroni.>
Nos veículos mais comuns, o rodízio consiste em levar o pneu dianteiro esquerdo para a traseira esquerda e o dianteiro direito para a traseira direita. Em alguns casos, o estepe também pode entrar no processo, desde que seja do mesmo tipo e medida dos pneus em uso.>
“Muita gente não sabe se o estepe pode participar do rodízio. Quando ele fica parado por muito tempo, acaba envelhecendo e perdendo sua utilidade”, alerta Peroni.>
“Esse indicador é padrão e deve ser analisado sempre por um profissional. A partir desse ponto, o carro perde muito poder de frenagem, independentemente de ter sistemas eletrônicos de segurança”, explica Peroni.>
Rodar com pneus carecas, além de infração de trânsito, compromete seriamente a segurança dos ocupantes do veículo e de outros usuários da via.>
Outro cuidado simples, mas frequentemente ignorado, é a calibragem. Pneus com pressão incorreta sofrem desgaste irregular, aumentam o consumo de combustível e podem até apresentar falhas estruturais.>
“O ideal é calibrar os pneus a cada 7 a 15 dias. É uma verificação preventiva, não significa que o pneu esteja vazio”, orienta Peroni.>
A pressão correta indicada pelo fabricante costuma estar em uma etiqueta no próprio veículo ou no manual. Ajustes feitos sem seguir essa orientação podem prejudicar tanto o pneu quanto a suspensão.>
Sempre que um pneu é trocado, o alinhamento e o balanceamento devem ser realizados. O alinhamento verifica se os ângulos da suspensão e da direção estão corretos, enquanto o balanceamento evita vibrações e desgaste precoce.>
“Se o carro estiver desalinhado, o pneu vai gastar de forma irregular. Muitas vezes o motorista troca o pneu, mas não corrige a causa do problema”, explica o especialista.>
Nem todos os motoristas sabem trocar um pneu, o que pode se tornar um transtorno em rodovias ou locais afastados. Por isso, alguns itens simples podem ajudar em situações emergenciais. Kits de reparo para pequenos furos e sprays vedantes, conhecidos como veda-pneus, são alternativas que permitem chegar até uma oficina sem precisar fazer a troca imediata.>
“São soluções acessíveis e que podem evitar uma dor de cabeça grande, principalmente para quem pega estrada com frequência”, afirma Peroni.>
Para quem adquiriu o primeiro carro ou utiliza o veículo diariamente como ferramenta de trabalho, a principal recomendação é não deixar a manutenção para depois. Cuidar dos pneus é uma questão de atenção e responsabilidade. Pequenos hábitos no dia a dia ajudam a preservar o veículo, reduzir custos e garantir mais segurança para todos no trânsito.>
“Muita gente só se preocupa quando a peça já quebrou. A manutenção preventiva, principalmente dos pneus e da suspensão, é sempre mais barata e muito mais segura”, finaliza Everton Luiz Peroni.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta