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Fluido de freio para motos: entenda o funcionamento e os cuidados necessários

Fluido de freio para motos: entenda o funcionamento e os cuidados necessários

Responsável por transmitir a força do manete e do pedal até as pinças, o fluido de freio é essencial para a segurança, mas ainda é negligenciado por muitos motociclistas

Filipe Turini

Estagiário do Estúdio Gazeta / [email protected]

Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 18:56

Cuide do nível dos fluidos
O fluido de freio é armazenado em pequenos reservatórios selados, e de lá é distribuído até chegar nas pinças. Crédito: Shutterstock

As motocicletas vêm ganhando cada vez mais espaço no trânsito urbano por causa da agilidade e do tamanho reduzido. Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), o Brasil já soma mais de 35 milhões de motos em circulação. Apesar disso, boa parte desses veículos sofre com falta de manutenção adequada e um dos itens mais negligenciados é justamente um dos mais importantes para a segurança: o fluido de freio.

O fluido de freio é um líquido hidráulico responsável por transmitir a força aplicada no manete ou no pedal até as pinças, permitindo que as pastilhas pressionem o disco e reduzam a velocidade da moto. Além de conduzir a pressão, ele também ajuda a dissipar o calor gerado durante as frenagens.

O fluido fica armazenado em um reservatório selado, geralmente localizado no guidão, no caso do freio dianteiro, e próximo ao pedal no freio traseiro. Sua especificação é indicada pela classificação DOT, que define, entre outros fatores, o ponto de ebulição do líquido.

“O que muita gente chama de óleo de freio, na verdade, não é um óleo. O fluido usado nas motos tem base química em glicol [composto orgânico usado como anticongelante, fluido de transferência de calor e umectante]. As motos podem ter freio mecânico a tambor ou freio hidráulico a disco. No sistema hidráulico, o funcionamento depende totalmente da qualidade do fluido”, explica o engenheiro mecânico Fabrício Plaster, instrutor de cursos de mecânica de motocicletas no Senai de Vitória.

E no lado de quem dirige a moto regularmente, trocar o fluido é sinal de confiança no veículo. Segundo o piloto profissional e recordista brasileiro de velocidade, Leandro Mello, a manutenção do fluido é um dor serviços que geram menos dores de cabeça para resolver e mais auxiliam na segurança.

“A troca do fluído de freio é uma das manutenções mais baratas e, ao mesmo tempo, uma das mais importantes para a segurança do motociclista. Embora o recomendado seja fazer a troca a cada um ano, eu sempre sugiro substituir a cada seis meses, principalmente quando se compra um veículo usado”, exemplifica o piloto brasileiro.

Umidade: o principal inimigo do fluido

Mesmo sendo um sistema fechado, o fluido de freio é altamente sensível à umidade. Com o tempo, ele pode absorver água do ambiente, o que compromete suas propriedades e reduz drasticamente o ponto de fervura.

“O reservatório é selado e possui um diafragma, mas se o fluido ficar muito tempo sem troca ou for exposto, o glicol acaba absorvendo umidade. Quando isso acontece, o fluido perde eficiência e o ponto de fervura cai, o que compromete a frenagem”, explica Plaster.

Essa degradação nem sempre é perceptível no uso urbano, mas se torna crítica em situações de maior exigência, como viagens, descidas de serra ou uso intenso do freio.

Fluido baixo ou contaminado pode fazer o freio ‘sumir’

Além da umidade, outro problema comum é o nível baixo ou a contaminação do fluido. Quando o reservatório fica abaixo do nível adequado, há risco de entrada de ar no sistema e isso pode causar falha total do freio.

“Se entrar ar no sistema, o freio deixa de funcionar corretamente porque o ar é compressível. A manete encosta no punho, o pedal desce todo e a moto simplesmente não freia. Outro risco é a fervura do fluido, que ocorre quando ele está velho ou contaminado com umidade”, alerta o engenheiro.

Manutenção do freio vai além da troca de pastilhas

Segundo Plaster, um dos erros mais comuns dos motociclistas, e até de algumas oficinas, é limitar a manutenção do freio apenas à troca das pastilhas, ignorando completamente o estado do fluido.

“O que a gente mais vê é o desleixo na manutenção do fluido de freio. O proprietário só se preocupa em trocar a pastilha e esquece o resto. É comum a moto chegar na oficina com a pastilha totalmente gasta, às vezes já no metal, e ninguém verifica o fluido. Muitos mecânicos também não oferecem a revisão completa do sistema, fazem só a troca da pastilha”, afirma.

DOT: usar o fluido correto faz diferença

Outro ponto que costuma gerar confusão é a escolha do fluido adequado. A classificação DOT indica características como o ponto de ebulição e a viscosidade do produto.

“Hoje, cerca de 90% das motos utilizam fluido DOT 4. Ele tem um ponto de fervura maior e desempenho melhor que o DOT 3, que praticamente caiu em desuso. Motos de alta performance podem usar DOT 5.1”, explica Plaster.

O engenheiro alerta ainda para o DOT 4 de baixa viscosidade (DOT 4 LV), que não deve ser confundido com o DOT 4 convencional. “Usar o fluido errado pode causar perda de modulação na frenagem, principalmente em baixas velocidades”, complementa.

Quando trocar o fluido de freio?

A recomendação principal é sempre seguir o manual do fabricante, mas há parâmetros gerais que ajudam o motociclista a se orientar.

“O indicado é trocar o fluido de freio a cada dois anos ou entre 30 e 40 mil quilômetros. Não adianta apenas completar o nível. O fluido vence, absorve umidade e precisa ser totalmente substituído”, afirma Plaster.

Segundo ele, a troca correta envolve sangria completa do sistema, com a drenagem de todo o fluido antigo e a substituição por fluido novo.

Na prática pessoal, o especialista adota um intervalo ainda mais rigoroso: “Nas minhas motos, eu troco o fluido uma vez por ano. Aproveito o período de férias para fazer uma revisão completa: fluido de freio, suspensão, pastilhas, pneus, kit de transmissão e caixa de direção.”

Cuidado com o freio deve ser prioridade

Por fim, Plaster reforça que a atenção ao sistema de freio deve fazer parte da rotina de quem usa a moto, especialmente no dia a dia.

“O motociclista deve acompanhar o nível do fluido pelo visor e pedir essa verificação nas revisões. A troca preventiva precisa ser feita mesmo que o freio pareça estar funcionando normalmente”, orienta.

Em motos equipadas com ABS, o cuidado deve ser redobrado. “A umidade no fluido pode causar corrosão interna e danificar componentes do sistema. Por isso, é fundamental procurar oficinas que façam a manutenção correta, com troca do fluido, sangria, limpeza e higienização de todo o sistema de freio”, alerta.

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