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Redução de salários de deputados do ES sai da pauta e gera bate-boca

Parlamentares articulam montar uma nova proposta que inclua membros de outros Poderes, como o governador e desembargadores, no projeto para reduzir salários. Vazamento de mensagens acirrou os ânimos entre os deputados

Publicado em 06/05/2020 às 12h04
Atualizado em 07/05/2020 às 11h06
Sessão desta quarta-feira teve bate-boca entre deputados e troca de acusações
Sessão virtual desta quarta-feira teve bate-boca entre deputados e troca de acusações. Crédito: Reprodução

Os deputados estaduais do Espírito Santo rejeitaram nesta quarta-feira (06) o pedido para votar em regime de urgência o projeto que reduz em 30% o salário dos próprios parlamentares. Com isso, a proposta continua tramitando na Casa, mas não tem data para ser colocada em votação. A maioria dos deputados demonstrou interesse em debater a redução da remuneração, mas criticou a forma como o autor da proposta, Luciano Machado (PV), a apresentou.

Parlamentares acusaram Machado de vazar conversas do grupo de WhatsApp dos deputados sobre o projeto para a imprensa, algo que ele nega. As conversas foram publicadas pelo colunista Leonel Ximenes na última segunda-feira (4). O próprio presidente da Casa, Erick Musso (Republicanos), lamentou a atitude.

"Levar informações sigilosas até a imprensa é uma falta de ética, me sinto traído e é desrespeitoso com essa Casa, não só desta legislatura, como as anteriores, que vem reduzindo significamente seus gastos. Não pode vir ninguém querendo botar banca e desrespeitar os últimos 18 anos dessa Assembleia", disse Musso.

Em um momento de maior tensão, o deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) chamou Luciano de covarde e propôs que, em conjunto, os deputados elaborassem uma nova proposta reduzindo não só o salário dos parlamentares, como de membros de outros Poderes. Outros colegas, como Alexandre Xambinho (PL), Iriny Lopes (PT) e Euclério Sampaio (DEM), simpatizaram com a possibilidade.

"Foi um projeto demagógico e covarde. Por que não colocamos a redução também do salário do governador, dos desembargadores do Tribunal de Justiça, dos conselheiros do Tribunal de Contas e dos procuradores do Ministério Público? Ou o senhor tem medo?", provocou Enivaldo. 

Luciano Machado se defendeu, negando ter vazado qualquer mensagem e que apenas confirmou a jornalistas o teor das discussões no WhatsApp.

“Seria inconstitucional votar a redução de salário de outros Poderes. Eles são quem têm prorrogativa para fazer isso. Sou filho de lavrador, não tenho medo de coronel do Norte”, respondeu Luciano, referindo-se a Enivaldo, que é do Noroeste do Espírito Santo.

LUCIANO ROMPE COM A MESA DIRETORA

Em uma sessão digital, Enivaldo e Luciano tentaram discutir entre si, o que tornou a troca de acusações inaudível. Musso chegou a ameaçar retirar Luciano da sala de conferência, caso o deputado não fizesse silêncio. Quando a palavra retornou para o deputado, ele anunciou que romperia com a Mesa Diretora da Assembleia.

“Eu renuncio ao meu cargo de primeiro secretário”, garantiu. Na estrutura da Mesa Diretora, o cargo passou a ter menor importância, já que desde que uma resolução em fevereiro de 2019 esvaziou as atribuições de outros membros, dando superpoderes ao presidente da Casa. A partir da nova regra, o presidente já não precisa da anuência de outros membros da mesa para atos do Legislativo.

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