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Maioria dos partidos do ES acredita ser cedo para adiar as eleições

Maioria dos partidos do ES acredita ser cedo para adiar as eleições

Possibilidade está longe de ser prioridade no Congresso, mas já começa a ser debatida. Líderes de legendas no Estado admitem dificuldades para tocar atividades eleitorais com o isolamento

Publicado em 30 de março de 2020 às 10:22

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Funcionários da Justiça eleitoral organizando as urnas eletrônicas para eleição 2018, armazenadas no Cartório Eleitoral da 32ª Zona
Urna eletrônica: propostas vão de realizar a eleição em dezembro a unir pleitos em 2022. (Carlos Alberto Silva)

A pandemia do coronavírus e a orientação de ficar em casa para evitar sua disseminação já trazem impactos no processo eleitoral para a escolha de prefeitos e vereadores no Espírito Santo. É o que avaliam os líderes das executivas dos partidos no Estado. Apesar de a eleição ser só em outubro deste ano, etapas importantes do processo eleitoral – como a janela partidária, prazos de filiação, mudança de domicílio eleitoral, convenções e o início da campanha – precisariam acontecer no meio do recesso forçado. Há quem avalie que dificuldades para tocar essas ações podem prejudicar o pleito.

No Espírito Santo há um consenso de que ainda é cedo para discutir o adiamento, mas também que é um debate que vai precisar ser feito nas próximas semanas. Alguns líderes, contudo, já sustentam que é preciso mudar a data por alguns meses ou até unir a eleição municipal com as eleições gerais de 2022. Esta última, no entanto, é a menos improvável e a mais criticada pela classe política.

A possibilidade de adiamento entrou no radar logo que apareceram os primeiros casos de coronavírus no país. A proposta ganhou corpo no último domingo (22), quando o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, defendeu a mudança de data.

“Façam um mandato tampão desses vereadores e prefeitos. Eleição no meio do ano vai ser uma tragédia. Vai todo mundo querer fazer ação política. Eu sou político. Não esqueçam disso”, disse o ministro.

Após pandemia de coronavírus, mulher usa máscara na avenida Reta da Penha.(Vitor Jubini)

Por trás deste debate está o uso dos R$ 2 bilhões do fundo eleitoral e a proposta de destiná-lo para ações contra o coronavírus. Para as eleições municipais serem adiadas é preciso que o Congresso aprove uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Os senadores Major Olímpio (PSL-SP) e Elmano Férrer (Podemos-PI) já apresentaram projetos com este objetivo, que ainda aguardam tramitação no Legislativo. Para a aprovação é preciso o voto favorável de três quintos da Câmara e do Senado, em dois turnos.

Por enquanto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), diz que ainda não é hora de abordar o tema e que falar em adiamento agora pode trazer "um risco institucional". A mesma linha é adotada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Roberto Barroso, que assumirá o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para ele, só em agosto, quando o ciclo da pandemia estiver terminando, é que será hora de pensar em eleições. Procurado, o TSE informa, em nota, que está atento e analisa o cenário atual com cuidado e atenção.

No Espírito Santo, ao menos três dirigentes partidários já são favoráveis à proposta. A reportagem de A Gazeta procurou as lideranças dos principais partidos do Estado para saber como eles se posicionam e 13 retornaram. Entre os que já acreditam que está na hora de unir a eleição estão os presidentes das executivas estaduais do PSL, deputado estadual Alexandre Quintino; do PMB, Paulo Sergio Bastos; e do PL, Magno Malta.

VEJA COMO SE POSICIONAM LÍDERES DOS PARTIDOS NO ES

André Moreira - presidente do PSOL-ES:

“Acredito que ainda é cedo para falar sobre isso. A eleição tem um prazo muito curto e precisamos saber como estará o efeito do coronavírus, não dá para prever. O que o PSOL defende é que seja uma eleição barata e que os recursos que seriam utilizados para o pleito, possam ajudar a conter a pandemia nesse momento de crise."

Givaldo Vieira - presidente do PCdoB-ES:

“A articulação tem sido feita pelos meios virtuais, seja por telefone ou aplicativos de mensagens, e, quando necessário, por meio de videoconferência. O debate sobre o adiamento das eleições municipais é prematuro e inoportuno no momento, pois o foco do Congresso Nacional, que é a quem cabe decidir, tem de ser o combate à pandemia do novo coronavírus. “

André Toscano - porta-voz da Rede-ES:

“A situação que estamos enfrentando com a pandemia de coronavírus é muito grave. É hora de união, fé, trabalho de todos, inclusive dos partidos políticos e mandatários. Entendo que não está é hora de pensarmos em eleições ou adiamento das mesmas”

Jorge Silva - presidente do Solidariedade-ES:

“É claro que está atrapalhando, mas a melhor opção agora é aguardar. Os partidos tão tendo que se reinventar para se adaptar e fazer os procedimentos digitais, mas por enquanto está sendo suficiente.”

Sandro Locutor - presidente do PV-ES:

“Acho que o melhor é aguardar, já que a eleição é só em outubro e o TSE não alterou prazos. Se o pico ficar até agosto, como estão prevendo, creio que não atrapalha. Poderia adiar alguns dias, até dezembro, mas não acho que deva ir além disso”.

Rafael Favatto - presidente do Patriota-ES:

“Quanto ao adiamento da eleição acho realmente que deve ser discutido, porém precisa esperar a evolução da pandemia para saber como vai evoluir. Mas com certeza é uma possibilidade que deve ser estudada e proposta.”

Paulo Sergio Bastos - presidente do PMB-ES:

“Nossa sugestão é que seja no mínimo prorrogado o prazo de filiação. Pois não podemos sair para conversar com as pessoas e falar com quem tem interesse em vir para o partido. Está prejudicando muito.”

Rafael Furtado - presidente do PSTU-ES:

“Acho que ainda não é hora de discutir adiamento da eleição. Nós do PSTU temos nos reunido on-line e conseguimos nos adaptar. O mais importante para o país neste momento é discutir um plano de auxílio econômico para quem ficou sem renda durante o isolamento.”

Coronel Quintino - presidente do PSL-ES:

“Somos favoráveis ao adiamento. Está sendo difícil manter a construção das nossas chapas, pois temos necessidade de se reunir frequentemente, mas estamos impossibilitados. Minha visão pessoal é que o melhor caminho é unir os pleitos e adiar as eleições municipais para 2022.”

Magno Malta - presidente do PL-ES:

“É uma insanidade fazer processo eleitoral nessa confusão. O coronavírus, de certa maneira, trouxe a possibilidade de unificar o processo eleitoral, votar de vereador a presidente. É um modelo mais econômico.”

Oziel Andrade - vice-presidente do PSDB-ES:

"Sobre o adiantamento, ainda é cedo para discutir isso. Estamos seguindo as orientações do PSDB nacional e temos conseguido realizar nossas atividades pela internet."

Renato Casagrande - governador e segundo vice-presidente do PSB-ES:

"Sou contra adiamento de eleições e não acho que seja hora de debater. Temos que focar em controlar essa pandemia, não tem que gastar tempo com isso neste momento."

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