Guerino Zanon é reeleito com 54,4% dos votos em Linhares

A vitória do candidato confirma favoritismo apontado nas pesquisas de intenção de voto. Guerino Zanon governará a cidade pela quinta vez

Rede Gazeta
Publicado em 15/11/2020 às 23h02
Atualizado em 15/11/2020 às 23h20
Eleições 2020   - Vencedor
Guerino Zanon (MDB) será o prefeito com mais mandatos na história da cidade . Crédito: Arte Geraldo Neto

Guerino Zanon (MDB), de 64 anos, foi reeleito prefeito de Linhares neste domingo (15). O candidato obteve 54,44% dos votos válidos sobre os 29,01% do segundo colocado Lucas Scaramussa (DC). Foram 3.140 votos brancos e 4.791 nulos.

Em seguida estão:

  • Marcos Garcia (PV) 9,40%
  • Eliana Dadalto (Podemos) 5,51%
  • Professor Igor Bellucio (PSOL) 0,86%
  • Professor Antônio de Freitas (PT) 0,78%

A vitória com ampla vantagem confirma o favoritismo de Guerino apontado nas pesquisas de intenção de voto realizadas pelo Ibope a pedido da Rede Gazeta. No último levantamento, o candidato atingiu 64% dos votos válidos, contra 16% de Lucas Scaramussa, segundo colocado na pesquisa; seguido por Marcos Garcia (PV), com 10%.

Desde o início da corrida eleitoral, Guerino era considerado um dos favoritos na disputa de 2020, conforme apontou o colunista Vitor Vogas. A taxa de rejeição do candidato foi a menor entre os seis que disputaram o pleito. Já sua gestão foi apontada como boa ou ótima para 56% dos eleitores, com 70% aprovando a forma como Guerino governa Linhares. 

TRAJETÓRIA

Guerino Zanon é formado em Física pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e foi o primeiro professor dessa área concursado no estado, atuando de 1977 a 1995.

Ingressou na política como secretário de Planejamento da Prefeitura de Linhares, de 1993 a 1996, ano em que venceu a disputa para prefeito do município. Governou a cidade pela primeira vez de 1997 a 2000 e depois se reelegeu por mais quatro anos, ficando até 2004.

Em 2006, Guerino foi eleito o deputado estadual mais votado da história do Espírito Santo, com 65.704 votos, e secretário estadual de Esportes e Lazer, no primeiro governo Paulo Hartung. De 2007 a 2008 ocupou o cargo de presidente da Assembleia Legislativa.

Na disputa de 2012 para a Prefeitura de Linhares, Guerino ficou em segundo lugar, perdendo, no primeiro turno, para Nozinho Corrêa (PDT). Em 2014, Guerino foi eleito novamente deputado estadual. Em 2016, foi chamado mais uma vez por Paulo Hartung para comandar a secretaria de Esportes e Lazer, onde ficou de janeiro a julho daquele ano. Depois, se candidatou à prefeitura e novamente venceu. 

ENTREVISTA COM GUERINO ZANON APÓS A VITÓRIA

O resultado das urnas comprovou o que já vinha sido apontado nas pesquisas realizadas pelo Ibope em Linhares. Como o senhor avalia o resultado?

O resultado me deixa muito animado e muito feliz. Parabenizo toda equipe de trabalho e todos os servidores públicos que contribuíram para que a gente tivesse um índice de aprovação tão elevado como tivemos. 

E como o senhor se sente depois dessa vitória, mais uma vez reeleito e governando Linhares?

Eu e toda equipe sabíamos que o desafio seria grande. Buscar um quinto mandato nos dias atuais, onde você tem uma rede social fortíssima, onde você tem uma cobrança... Linhares é uma cidade muito crítica, muito exigente e isso é bom. O povo de Linhares é diferente de muitos lugares por onde eu ando, é muito exigente. Mas isso tem um lado positivo, porque faz a gente melhorar as nossas ações. Não é fácil convencer o eleitor a te dar novamente a oportunidade a um gestor que já governou por quatro mandatos, para ter um quinto. E muitos candidatos concorrentes pela primeira vez. Então, agradeço imensamente a todos, independentemente se votaram ou não pela confiança de me dar essa oportunidade de estar à frente da gestão municipal. Minha alegria maior nas pesquisas não era com o percentual de votos, era em relação à rejeição. Esse era um dado que me deixava imensamente feliz. Como na última pesquisa Gazeta/Ibope que mostrou que a minha rejeição, mesmo tendo governado por quatro mandatos, era a menor entre os seis candidatos. 

Quais são os desafios para os próximos quatro anos, considerando um cenário de escassez maior de recursos e o impacto da pandemia também?

Eu diria que todos os gestores deste mandato, sem exceção, foram muito prejudicados com a escassez de recurso. Considerando 2017, os gestores municipais trabalharam com a mesma arrecadação de 2010 nos seus municípios. Depois de uma década, trabalharam com a arrecadação idêntica. E a gente sabe que a demanda por serviços aumenta a cada ano. Tivemos também uma crise econômica, política e ética de 2014 até recentemente. Quando as coisas estavam começando a se equilibrar, veio a pandemia. Quem foi para a eleição ou para a reeleição, sendo novato ou não, e ganhou prometendo muitas coisas possivelmente vai ter muitas dificuldades. Em 2020, tivemos um equilíbrio no caixa das prefeituras graças à ajuda do governo federal, que termina agora em dezembro. A tendência é que o PIB do Brasil seja baixo e que os municípios trabalhem com menos recursos ainda. Então, é necessário que os prefeitos eleitos comecem a trabalhar logo, para não falar com a sociedade aquilo que não vai ser entregue. É necessário ser bastante franco com a sociedade. 

Em relação ao secretariado, haverá alguma mudança em relação aos nomes ou eles serão mantidos?

De 2017 a 2020, renovamos bastante o quadro. É possível que a gente faça algumas alterações para o novo ciclo agora de 2021.

Alguma pasta específica?

Começo a conversar amanhã (segunda-feira) com todo o secretariado. A análise pessoal e da sociedade sobre o desempenho de cada um, eu já tenho. Claro que aqueles que deram certo, vou pedir encarecidamente que continuem. 

O senhor é cotado como possível candidato ao governo do Estado em 2022. Como você avalia isso?

Fiz uma opção em 1996. Deixar a direção da minha escola e seguir a carreira pública. Desde 2002, Paulo Hartung (sem partido) e Renato Casagrande (PSB) se alternam no governo do Estado. Paulo, pelo que tem falado, se ausenta de qualquer disputa em âmbito estadual. E o governador definir – eu acredito logo – se é ou não candidato à reeleição. Então, o processo eleitoral de 2022 está aberto para os vários grupos conversarem entre si. Queremos fazer parte da conversa, não necessariamente com candidaturas. Mas não podemos ficar ausentes, como sempre ficamos, nesses últimos 20 anos, do processo eleitoral, sempre contribuindo com o voto e não tendo personagens do Norte e Noroeste na administração estadual. Temos a disputa de três cargos importantes do Estado, além de deputados estaduais e federais: governador, vice-governador e senador. Então, vejo que é a hora de a gente se unir, e os municípios do interior, de norte a sul, leste a oeste, começarem a trabalhar essa participação na administração estadual.

Nas próximas eleições, daqui a dois anos, se por acaso surgir uma oportunidade, o senhor se coloca aberto a participar do pleito?

Muito mais para contribuir com o interior com uma participação no processo eleitoral do que necessariamente disputando um cargo. Precisamos ser ouvidos pelo governo estadual. Queremos a descentralização dos serviços. Esse trânsito desumano que vemos nas BRs é por conta da centralização dos serviços na Grande Vitória. Temos que ter uma conversa franca com todos os administradores municipais e com quem se habilitar a participar das eleições de 2022. 

PREFEITO COM MAIS MANDATOS

Agora, com a reeleição confirmada, Guerino marca um outro feito histórico: governará Linhares pela quinta vez, não consecutiva, e será o prefeito com mais mandatos na história da cidade. 

Linhares é uma das cidades mais populosas do Espírito Santo e a principal do Norte capixaba. Reeleito, Guerino terá que enfrentar antigos desafios que estão entre as principais preocupações e reclamações da população do município: saúde, segurança e educação.

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