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Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 16:29
Condenado a 16 anos e seis meses de reclusão em regime inicialmente fechado, em processo relacionado à Operação Naufrágio, o ex-juiz do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) Frederico Luis Schaider Pimentel assumiu a defesa de dois réus em uma ação penal que apura suposta fraude eleitoral e o desvio de R$ 1,4 milhão da Associação dos Funcionários Públicos do Espírito Santo (Afpes) para o financiamento ilícito de campanha do ex-deputado estadual Almir Vieira.>
O caso em que Frederico Luis Schaider Pimentel atua como advogado começou na tramitar na Justiça Eleitoral em 2016, com a denúncia da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE-ES) fundamentada em fatos ocorridos em 2014. Nesse ano, Almir Vieira se elegeu para uma cadeira na Assembleia Legislativa (Ales) pelo antigo Partido Republicano Progressista (PRP). Além do ex-deputado, outras seis pessoas foram denunciadas no suposto esquema, que também teria resultado na falsificação de 91 recibos eleitorais, simulando doações de terceiros ao então candidato.>
Frederico se tornou advogado de dois réus: Darla Cristina da Rocha, contadora que prestava serviços para a Afpes e para a campanha de Almir Vieira, que é acusada de emitir notas fiscais falsas e providenciar nomes para doações fictícias; e João Augusto da Rocha, irmão de Darla e proprietário da empresa DCR Construções, que é acusado de receber cheques da associação em sua conta pessoal para repassar os valores à campanha. A chegada do ex-juiz na equipe de defesa foi oficializada em despacho publicado no último dia 12, com assinatura da juíza Danielle Nunes Marinho, da 1ª Zona Eleitoral de Vitória, e confirmada por ele em contato com a reportagem de A Gazeta. Frederico também disse estar recorrendo da condenação relacionada à Operação Naufrágio (veja a resposta completa mais abaixo no texto).>
O processo está em fase de alegações finais e a falta de advogado constituído para os dois réus cuja defesa havia desistido de os representar na ação, segundo a magistrada, estava atrasando a conclusão para a sentença sobre o caso.>
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Em novembro do ano passado, Frederico Pimentel chegou a informar que assumiria a defesa dos dois réus, mas não apresentou a procuração no prazo. Assim, a juíza tornou sem efeito sua atuação no processo e nomeou a Defensoria Pública da União (DPU) para representar Darla Cristina Rocha e João Augusto temporariamente.>
O ex-juiz foi procurado pela reportagem de A Gazeta, na tarde desta terça-feira (27), para comentar sua participação como advogado na ação penal eleitoral. Ele confirmou ter apresentado procuração assumindo a defesa dos dois réus, o que teria sido acolhido pela juíza do caso. Ainda conforme Frederico Pimentel, as alegações finais de Darla Cristina e João Augusta deverão ser encaminhadas à Justiça até a próxima sexta-feira (30).>
Sobre continuar advogando apesar da condenação, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em junho do ano passado, por participação no esquema de negociação de sentenças judiciais no TJES, o ex-juiz afirmou ter ficado cinco anos impedido de advogar, mas destacou que recuperou o direito de voltar a exercer a profissão há quase uma década.>
"Assumi a defesa dos dois réus, em função do impasse judicial causado pela ausência de advogado para representá-los. O processo ainda está pendente de sentença, mas acredito que deverá ter desfecho após a apresentação das alegações finais, que devo enviar até a próxima sexta-feira. Havia sido proibido de advogar durante cinco anos, mas depois consegui voltar. Em caso de advocacia, sempre fui um advogado exemplar. Sobre a condenação na Naufrágio, estou recorrendo", afirma Frederico.>
Além de agora representar os dois réus que estavam sem defesa no processo, o ex-juiz figura, na mesma ação, como advogado de Clébio Luiz Coutinho, ex- presidente da Afpes.>
O processo envolvendo suposto desvio de dinheiro para financiamento de campanha de Almir Vieira começou a tramitar no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), com a denúncia sendo aceita pela Corte, de forma unânime, em 29 de maio de 2017. Do total desviado, R$ 252.700,00 teriam ido para campanha do ex-deputado em 2014.>
Entretanto, em 2021, devido à perda do foro por prerrogativa de função (foro privilegiado) de Almir Vieira, que não se reelegeu, o processo foi encaminhado à primeira instância, passando a tramitar na 1ª Zona Eleitoral de Vitória. A defesa do ex-deputado foi procurada, nesta terça-feira (27), para informações atualizadas sobre o processo. Em caso de resposta, este texto será atualizado. >
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