Repórter / [email protected]
Publicado em 17 de março de 2026 às 17:17
A Câmara de Santa Teresa deverá ganhar novos vereadores por efeito de decisão judicial. Em acórdão publicado na segunda-feira (16), o Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) determinou a cassação do mandato do vereador José Roberto Netto (PSD), além de ter anulado todos os votos recebidos pelo partido dele, o PSD, no município da Região Serrana nas eleições de 2024.>
O acórdão da Corte é fruto de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que apura fraude à cota de gênero em chapa montada pelo partido presidido em âmbito estadual pelo prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos. A reportagem tenta contato com a defesa da legenda para repercutir a decisão do TRE-ES. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.>
A ação foi movida pelo Partido Progressista (PP), acusando o PSD de lançar a candidatura de duas mulheres apenas para cumprir a cota obrigatória de 30% exigida por lei. Na prática, sem as duas candidatas, que também são rés na ação, o partido teria apenas 20% de candidatas mulheres, abaixo do mínimo de 30% exigido por lei, o que invalidaria a chapa apresentada à época. >
Conforme mostrou a reportagem de A Gazeta, em sessão plenária realizada em 25 de fevereiro deste ano, o juiz Hélio João Pepe de Moraes, relator do caso no TRE-ES, havia votado para cassar o mandato do parlamentar eleito pelo PSD em Santa Teresa,além de anular todos os votos recebidos pela legenda. >
>
Na ocasião, a votação acabou não sendo finalizada, uma vez que o presidente da Corte, desembargador Namyr Carlos de Souza, pediu vista aos autos. Em sessão plenária da última quarta-feira (11), o processo voltou à pauta, com o autor do pedido de vista acompanhando o voto de relatoria.>
Sobre a cassação do diploma do vereador eleito em 2024, o relator reforçou que, embora ele não tenha culpa direta na fraude, sua eleição ocorreu por uma lista partidária ilegal, o que exige a anulação de todos os votos da legenda e a redistribuição da vaga por meio de novo cálculo do quociente eleitoral.>
Em junho do ano passado, sentença da Justiça de primeiro grau já havia destacado que as candidatas usaram justificativas "antigas" – entre elas, problemas de saúde – para explicar a falta de campanha durante o período eleitoral. Além disso, verbas do fundo partidário teriam sido usadas de forma suspeita, como o pagamento integral de R$ 5 mil para a própria sogra de uma das candidatas.>
O voto do relator, acompanhado pela maioria do colegiado, absolveu um candidato do sexo masculino, acusado de integrar a fraude envolvendo candidaturas para o cargo de vereador em Santa Teresa. Ele havia sido condenado pelo juízo de primeiro grau por não ter recebido votos no pleito de 2024. >
Ele teve a inelegibilidade cancelada porque o relator do caso entendeu que, embora tenha desistido da disputa, não houve prova de sua participação consciente no esquema de fraude das cotas femininas. >
Em sustentação oral feita na sessão de 25 de fevereiro, a defesa do partido e das candidatas acusadas de endossar a fraude, representada pelo advogado Marcelo Nunes, sustentou que ambas realizaram atos reais de campanha, ainda que limitados. No caso de uma candidata que recebeu 8 votos, o argumento foi o de que o investimento de R$ 5 mil e a presença em redes sociais comprovam a candidatura, justificando a votação baixa pelo fato de ela estar cuidando da mãe em tratamento de câncer. >
Já sobre a candidata que recebeu dois votos, a defesa alegou que houve distribuição de santinhos e adesivação de veículos. E defendeu que a Justiça Eleitoral não confunda insucesso nas urnas com fraude, especialmente em municípios pequenos onde faltam recursos e estrutura. >
Por fim, a defesa ressaltou que o PSD teria cumprido rigorosamente a cota de 30% no registro de candidaturas femininas e seria livre para distribuir o fundo eleitoral conforme a competitividade de cada nome. >
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta