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Em quatro anos, contador desviou mais de R$ 1 milhão da Câmara de Itarana

Adair Lucas, de 47 anos, era servidor do Legislativo desde 2005 e, segundo a polícia, fraudava folhas de pagamento desviando dinheiro para a própria conta

Publicado em 17/11/2020 às 19h30
Atualizado em 17/11/2020 às 20h48
Vista da cidade de Itarana
Itarana, município onde o servidor trabalhava. Crédito: Prefeitura de Itarana

O servidor preso por suspeita de desviar recursos da Câmara de Itarana, no interior do Espírito Santo, para a própria conta bancária, vinha agindo desde 2016, segundo a Polícia Civil, e teria conseguido se apropriar de mais de R$ 1 milhão nesse período. Adair Lucas, de 47 anos, que era contador e tesoureiro da Casa desde 2005, está detido no Centro de Detenção Provisória de Aracruz.

De acordo com a polícia, o suspeito fraudava folhas de pagamento e apresentava extratos bancários falsos para não ser descoberto. O desvio milionário só foi descoberto no início deste mês, quando a esposa do servidor registrou na polícia um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento dele.

No dia seguinte, o presidente da Câmara Municipal notou a falta de aproximadamente R$ 1 milhão na conta da Casa ao tentar fazer um repasse no valor de R$ 740 mil à prefeitura referente à compra de um imóvel e, imediatamente, ligou os dois fatos.

A Polícia Civil foi acionada e passou a apurar o caso. Em um primeiro momento, a Controladoria do Município detectou que o servidor desviava dinheiro da Câmara desde maio de 2018. Já as investigações da polícia apontaram registros de irregularidades desde 2016.

Segundo a polícia, para sustentar os desvios e continuar no cargo sem que ninguém desconfiasse, o funcionário criava folhas de pagamentos suplementares, que eram desviadas para a conta dele. Além disso, o prejuízo pode ser maior.

“Além do desfalque, que hoje podemos afirmar que perfaz mais de R$ 1,1 milhão, sem atualização e correção, foi detectado também que em maio de 2017 a Câmara parou de fazer aplicações. Era atribuição desse servidor fazer aplicações do saldo remanescente e isso não acontecia, o que também lesava a Câmara”, explicou o titular da Delegacia de Itarana, Leandro Barbosa.

Com essa modalidade fraude, o servidor iludiu até o Tribunal de Contas do Espírito Santo (TC-ES) ao apresentar extratos bancários falsos. “Nesses extratos, constavam aplicações, saldo irreal”, explicou o delegado.

Adair Lucas foi preso pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no dia 10 de novembro quando passava pela BR-381, próximo a João Monlevade, na região Central de Minas Gerais. Ele transportava mais de R$ 27 mil em notas de R$ 100 e R$ 50, e despertou a desconfiança dos policiais porque não conseguiu explicar a origem do dinheiro.

Adair Lucas foi preso pela PRF em João Monlevade, Minas Gerais, com R$ 27 mil em espécie
Adair Lucas foi preso pela PRF em João Monlevade, Minas Gerais, com R$ 27 mil em espécie. Crédito: Divulgação/PRF

Ao consultar a documentação do suspeito, os policiais constataram que ele era procurado pela Polícia Civil do Espírito Santo.

Adair foi trazido para um presídio do Estado e também foi exonerado do cargo assim que a Câmara identificou o rombo.

VIDA SIMPLES E ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA

Ainda segundo o delegado, Adair Lucas levava uma vida simples, e, por ser considerado um funcionário de confiança, nunca levantou nenhuma suspeita.

“Não ostentava, não mudou comportamento, ele não tinha sinais exteriores de riqueza, embora tenha feito desfalque numa cidade pequena bastante considerável”, disse. Até o momento, tudo leva a crer que ele agia sozinho, segundo a polícia.

O investigado vai ser alvo de pedido judicial para que seja apresentada a maior quantidade possível de valor a ser ressarcido para a Câmara Municipal. Ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e permanece preso em Aracruz.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Adair Lucas.

* Com informações de Naiara Arpini, do G1 ES

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