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Em Cariacica, aliados de Euclério buscam consenso para eleição na Câmara

Quatro vereadores eleitos disputam o posto de presidente na chapa única para comandar o Legislativo municipal a partir de janeiro de 2021

Vitória
Publicado em 17/12/2020 às 12h49
Data: 22/01/2020 - ES - Cariacica - Câmaraa Municipal de Vila Velha  Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros - GZ
Câmara Municipal de Cariacica: eleição da Mesa Diretora será no dia 1º de janeiro. Crédito: Ricardo Medeiros

Em uma Câmara municipal em que parte considerável dos vereadores é aliada ao prefeito, é comum que os parlamentares busquem formar uma chapa única para comandar a Mesa Diretora. É o caso de Cariacica. Dos 19 vereadores eleitos para assumir as cadeiras em 2021, a grande maioria é da base do prefeito eleito, Euclério Sampaio (DEM). Quatro nomes ligados a ele disputam o posto de "presidente do consenso" para dirigir a Casa pelos próximos dois anos.

Dos vereadores eleitos, apenas seis são de partidos que não apoiaram Euclério no segundo turno. Além disso, somente oito são novatos, ou seja, Cariacica reelegeu a maior parte de seus parlamentares. Conhecidos entre si e, em sua maioria, alinhados ao prefeito eleito, os vereadores caminham para construir uma chapa de consenso para a eleição da Mesa Diretora, que vai ocorrer, logo após a posse, no dia 1º de janeiro.

Entre os cotados estão os vereadores reeleitos Edson Nogueira (Podemos), Lelo Couto (DEM) e César Lucas (PV) e o vereador eleito Cleidimar Alemão (PROS). Outros parlamentares, no entanto, também têm interesse na presidência da Casa, como Renato Machado (Avante) e Edgar do Esporte (PSL), vereador mais bem votado na eleição municipal deste ano. 

César Lucas é presidente da Casa desde 2015 e se movimenta para conseguir mais uma reeleição. A Lei Orgânica do município permite a recondução no cargo, até dentro da mesma legislatura. 

Ele é o único, entre os cotados, filiado a um partido que não apoiou Euclério nas eleições. No primeiro turno, o PV esteve na coligação do PSB, que lançou o candidato Saulo Andreon para prefeito com uma vice do PDT. Saulo alcançou 4,45% dos votos válidos. No segundo turno, a legenda oficializou apoio a Célia Tavares (PT), adversária derrotada pelo demista nas urnas. 

O atual presidente vai para seu terceiro mandato como vereador (eleito em 2012, 2016 e 2020). Antes de assumir a presidência, em 2015, foi 3º secretário no biênio de 2013-2014. Agora, de acordo parlamentares eleitos ouvidos por A Gazeta, tenta viabilizar a reeleição. Alguns, no entanto, apontam que ele tem rejeição entre os vereadores. O principal motivo da rejeição, segundo eles, é um desejo por "renovação" na presidência.

"Percebo no César uma vontade muito grande de se reeleger, mas ele tem uma rejeição alta entre os vereadores", disse à reportagem um dos parlamentares, sob anonimato. 

César Lucas, no entanto, nega que tenha interesse em continuar na cadeira. Disse, ainda, que vai definir seu apoio na disputa após conversar com o prefeito eleito. "Não sou candidato e só vou decidir quem vou apoiar quando tiver tempo de conversar com o prefeito eleito", afirmou o atual presidente da Casa. 

Lelo Couto e Cleidimar Alemão também são ligados a Euclério. O primeiro ocupa, nesta legislação, a vaga de 3º secretário e é colega de partido do demista e o segundo, embora seja do PROS, atuou fortemente na campanha do futuro prefeito para o segundo turno. Os dois foram procurados por telefone, mas até a publicação deste texto não houve respostas.

ALIADO DE MARCELO SANTOS É UMA DAS APOSTAS

Outro cotado para presidir o Legislativo é Edson Nogueira. Caminhando para seu oitavo mandato como vereador, Edson foi eleito pela primeira vez em 1982 e já foi presidente da Mesa cinco vezes.

Filiado ao Podemos, partido de Gilson Daniel – coordenador da equipe de transição de Euclério no município – e de Marcelo Santos, deputado estadual e um dos principais articuladores da candidatura do demista, Edson havia sido indicado pelo partido para ser vice na chapa de Euclério. A vaga acabou ficando com Enfermeira Edna (Avante).

Edson é, portanto, a aposta de Marcelo Santos, que tenta emplacar o aliado como presidente da Câmara, o que torna o nome dele um dos mais propensos a ocupar a vaga, considerando a forte influência de Marcelo – e de Gilson Daniel – no cenário da política cariaciquense. 

O parlamentar, no entanto, também nega a intenção. "Não tenho interesse e não estou conversando sobre nada disso", pontuou para a reportagem. 

UNIÃO ENTRE OS ALIADOS

Apesar de ter diferentes nomes interessados em concorrer, ou sendo apontados como candidatos, os parlamentares acreditam que será possível entrar em um consenso. "Já tivemos uma reunião, mas a única coisa que já foi conversada é que vamos ficar unidos", afirma Lei (DEM), um dos vereadores que estão chegando à Casa.

Mesmo entre os que buscam ser escolhidos como presidente, há uma abertura para um consenso. Edgar do Esporte,  que é 1º secretário da Mesa na atual legislatura, aposta que as conversas devem se afunilar em uma ou duas chapas. Renato Machado, que também colocou o nome à disposição, acredita que haverá um "bom diálogo". "Dos 19, 11 foram reeleitos. Acredito que vamos conseguir ter um bom diálogo", apontou.

Além da vaga de presidente, serão disputados os cargos de 1º e 2º vice-presidentes e 1º, 2º e 3º secretários. Os parlamentares afirmam que buscam, para presidir a Casa, o nome que tenha mais perfil conciliador, capaz de "dar ouvidos" a todos os vereadores da Casa.

"Para a presidência não tem tanto essa questão de ideologia de esquerda ou direita, é um papel mais burocrático, corporativista. Tem que ser alguém conciliador que garanta a fala da oposição", pontuou um dos poucos vereadores que não compõem a situação.

Prefeito eleito, Euclério Sampaio afirma que tem bom relacionamento com Edson Nogueira, Lelo Couto, Cleidimar Alemão e César Lucas, os quatro principais nomes que podem liderar a chapa única. Afirma, porém, que "acompanha de longe" as movimentações para a eleição da Mesa Diretora.

O demista declara que é a favor de que o Legislativo "discuta o que é melhor para eles", desde que seja "em harmonia com o Executivo". "O Executivo deve ser fiscalizado, mas as coisas boas (projetos encaminhados pelo prefeito) têm que ser votadas em favor do povo. Tenho um bom relacionamento com todos os quatro", assinalou.

Euclério destaca, ainda, o clima "de união" presente na Casa e espera a formação de uma chapa única para a eleição no dia 1º. "Deus abençoou a Câmara com uma legislatura harmônica nessa gestão. Acredito que será uma eleição de chapa única", finalizou.

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