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Desembargador capixaba preso pela PF recebe salário líquido de mais de R$ 80 mil

Desembargador capixaba preso pela PF recebe salário líquido de mais de R$ 80 mil

Em quase três anos de atuação no TRF2, Macário Júdice acumula mais de R$ 1,7 milhão em valores líquidos recebidos

Publicado em 16 de dezembro de 2025 às 12:39

 Capixaba chegou a ficar 18 anos afastado das funções por suposta participação em um esquema de venda de sentenças e favorecimento a uma organização criminosa especializada em jogo do bicho e máquinas caça-níqueis

O desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), preso na manhã desta terça-feira (16), no Rio de Janeiro, recebeu salário líquido de quase R$ 90 mil em novembro. As informações foram levantadas pela Folha de S.Paulo a partir do Portal da Transparência.

Com pagamentos adicionais, como indenizações e gratificações, o total de créditos no mês chegou a R$ 125 mil. Com descontos, o valor líquido recebido pelo magistrado foi de R$ 80.580,06. Os dados estão disponíveis para consulta pública.

Já levantamento feito por A Gazeta também a partir do portal mostra que, desde que tomou posse, em junho de 2023, até novembro de 2025, ele acumulou mais de R$ 1,7 milhão em proventos líquidos, considerando subsídios e gratificações. Confira abaixo a planilha completa.

Júdice Neto era o relator do processo do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias. A suspeita é de que o magistrado tenha vazado informações sobre a realização da operação policial contra o parlamentar.

A prisão faz parte da Operação Unha e Carne 2, que apura vazamento de informações sigilosas e obstrução de investigação relacionada à Operação Zargun. O deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar (União Brasil), afastado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e um assessor dele também foram alvos da Polícia Federal.

Além da prisão do desembargador, a PF cumpre dez mandados de busca e apreensão. Todos foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.

A defesa do desembargador se manifestou no fim da manhã desta terça-feira (16) e alegou que o ministro Alexandre de Moraes “foi induzido ao erro” ao decretar a prisão.

Em nota enviada à reportagem de A Gazeta, o advogado Fernando Augusto Fernandes afirmou que não teve acesso à cópia da decisão que decretou a prisão do desembargador, “obstando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa”. “A defesa apresentará os devidos esclarecimentos nos autos e requererá, oportunamente, a sua imediata soltura”, manifestou em nota.

A investigação envolvendo TH Jóias apura a relação entre agentes públicos e facções criminosas no Rio de Janeiro. O ex-deputado foi preso em setembro, acusado de tráfico de drogas e associação ao Comando Vermelho, além de usar o mandato para beneficiar a facção criminosa. Outras 14 pessoas também foram detidas.

Júdice Neto tem 59 anos e nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Espírito Santo. É formado em direito pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e iniciou a carreira como juiz federal em 1993.

Ele ficou afastado da magistratura por cerca de 18 anos, em razão de investigações sobre suspeitas de irregularidades no exercício da função. Em 2022, após revisão do caso pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi reintegrado à magistratura federal, retornou ao cargo de juiz e, em 2023, foi promovido a desembargador.

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