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Eleições 2026

Debate com candidatos ao governo do ES se divide entre críticas e propostas

Concorrentes participaram de encontro promovido por A Gazeta e CBN Vitória para apresentar suas ideias para o comando do Estado

Publicado em 22 de Setembro de 2026 às 14:24

Aline Nunes

Publicado em 

22 set 2026 às 14:24
Lorenzo Pazolini, Helder Salomão e Ricardo Ferraço participam de debate
Lorenzo Pazolini, Helder Salomão e Ricardo Ferraço participaram do debate A Gazeta/CBN Vitória Fernando Madeira

No debate promovido nesta terça-feira (22) por A Gazeta e CBN Vitória com candidatos ao governo do Espírito Santo, a participação se dividiu entre críticas aos adversários e algumas propostas, entre outras áreas, em educação, segurança e economia. Helder Salomão (PT), Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB) tentaram imprimir uma postura propositiva e, ao mesmo tempo, combativa. 


O embate, que marca a cobertura da Rede Gazeta das Eleições 2026, foi realizado com mediação do editor-chefe de A Gazeta e da CBN Vitória, Geraldo Nascimento, e pela âncoro e editora-executiva da rádio, Fernanda Queiroz. As regras sobre como se daria a participação de cada concorrente, com a ordem para fazer e responder perguntas, foram definidas e aprovadas previamente com representantes dos candidatos. 


No bloco de abertura do debate, os candidatos fizeram perguntas entre si. Nessa etapa, a abordagem versava sobre temas livres. O confronto direto foi centrado em pautas econômicas, direitos trabalhistas, reforma tributária e segurança pública, principalmente quanto à violência contra a mulher. 


O primeiro a perguntar foi Helder Salomão, que direcionou a indagação a Ricardo Ferraço, questionando a atuação do emedebista como relator da reforma trabalhista no Congresso Nacional


Helder criticou medidas como a liberação do trabalho de gestantes e lactantes em locais insalubres — regra declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2019 — e a flexibilização das leis de terceirização, questionando qual postura do adversário representava o verdadeiro compromisso com a população.


Em resposta, Ricardo Ferraço defendeu os resultados da atual gestão estadual, ressaltando que Espírito Santo registrou, em 2025, a menor taxa de desemprego de sua história e atingiu a situação de pleno emprego no primeiro semestre de 2026, com o Produto Interno Bruto (PIB) capixaba crescendo mais do que o dobro da média nacional. 


“É por conta desse ambiente responsável e equilibrado que nós estamos conseguindo atrair para o Espírito Santo pequenas, médias e grandes empresas que encontram aqui um ambiente seguro, um ambiente estável, de previsibilidade, de segurança jurídica para que eles possam continuar gerando emprego e gerando trabalho”, defendeu Ferraço. 


No segundo confronto, Ricardo Ferraço questionou Lorenzo Pazolini sobre como pretende manter a trajetória de crescimento do Estado e o financiamento das políticas públicas diante das alterações no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) promovidas pela reforma tributária. 


Em resposta, Pazolini criticou a atual administração estadual por, segundo ele, não ter preparado o Espírito Santo a tempo para os efeitos da reforma, prevendo uma perda de arrecadação estimada entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões com a migração da cobrança para o destino e o fim dos incentivos fiscais do Compete e do Investe. 


“Os especialistas dizem que a saída para o Espírito Santo é o turismo, por um motivo muito simples: a tributação com a reforma tributária se dará sobre o consumo e não sobre a produção. Este é o nosso compromisso: levar desenvolvimento para todas as regiões”, disse Pazolini. 


Na réplica, Ferraço afirmou que o Estado vai usar recursos do Fundo Soberano e do Fundo de Desenvolvimento Regional para preservar a competitividade e manter a atração de empresas. 


O terceiro embate abordou a violência contra as mulheres. Na pergunta direcionada para o candidato Helder Salomão, Pazolini citou episódios recentes de feminicídio no Norte capixaba e destacou que o Espírito Santo lidera os índices de violência contra a mulher na Região Sudeste, questionando o candidato por que o Estado é um dos que mais matam mulheres. 


Em sua resposta, Salomão propôs a criação de um Pacto Estadual de Enfrentamento às Violências contra a Mulher, com coordenação direta de sua candidata a vice, Professora Valdirene, em parceria com municípios e órgãos federais. 


“Nós vamos enfrentar o tema da violência contra a mulher e contra o feminicídio com decisão. Quem vai coordenar o Pacto Estadual de Enfrentamento às violências será a minha vice, Professora Valdirene. Nós vamos fortalecer e equipar melhor as delegacias da mulher e trabalhar para que as mulheres que são vítimas de violência tenham acesso ao crédito por meio do Banestes”, afirmou o petista. 


Além disso, Helder cobrou Pazolini por ser o único candidato a não assinar o compromisso de manter o Banestes como banco público.

Vínculos políticos

No segundo bloco, os candidatos responderam a perguntas formuladas por jornalistas da Rede Gazeta. O tema também foi livre e levou em consideração vínculos políticos, planos de governo e manifestações anteriores dos concorrentes sobre assuntos diversos. 


A rodada começou com a pergunta da colunista Vilmara Fernandes para Helder Salomão, sobre o desafio da superlotação do sistema penitenciário e os custos de manutenção. O candidato do PT disse que pretende investir na melhoria da infraestrutura, mas sobretudo em políticas que previnam o ingresso de jovens na criminalidade, afastando, assim, a necessidade de apenas construir presídios. Para ele, o encarceramento em massa não resolve o problema da falta de segurança.  


Na sequência, o colunista Vitor Vogas se dirigiu a Lorenzo Pazolini e relacionou alguns políticos aliados que têm condenação por violência política de gênero ou conflitos com educadores, o que poderia destoar do mote de campanha “Tempo de paz”, do republicano. 


O ex-prefeito de Vitória fez referência ao período em que esteve na administração do município, afirmando que abriu as portas para as lideranças comunitárias e que as divergências de ideias são naturais, mas que, com diálogo, construiu políticas públicas que atendiam aos interesses da população.


O colunista Leonel Ximenes direcionou seu questinamento a Ricardo Ferraço, pedindo que ele apontasse qualidades e defeitos dos seus adversários, numa situação hipotética em que precisasse escolher, entre Helder e Pazolini, um gerente para sua empresa.   


O emedebista ressaltou a meritocracia como método de escolha para ocupação de cargos, afirmando que assim consegue colocar as pessoas certas nos lugares certos para garantir os melhores resultados. Mas preferiu não fazer comentários acerca das habilidades dos outros dois concorrentes. Para ele, cabe ao eleitorado avaliar os políticos.


Ricardo também foi indagado pela colunista Letícia Gonçalves sobre a relação com o governo federal, caso ele e Lula sejam reeleitos. O candidato afirmou que o papel do governador será liderar, mas não apenas para um segmento da sociedade, e sim para todos. Refutou política com ideologia e disse que está preparado para comandar o Estado independentemente de quem o eleitor escolher para a Presidência da República. 


Letícia, então, lembrou o emedebista sobre as manifestações dele em relação a governar com valores cristãos, o que denota um viés ideológico. Ricardo reforçou que tem muito respeito ao trabalho das igrejas, sobretudo pelas atividades em comunidades, e sustentou que acredita que esses valores unem à população.


Na sequência, o jornalista Tiago Alencar voltou-se para Helder Salomão, perguntando-o sobre como seria a sua gestão à frente do Estado numa eventual eleição também de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.


O candidato do PT atribuiu a si uma capacidade de conversar com os diferentes. Disse que já foi da base aliada e da oposição, nos diversos cargos do Legislativo, e sempre conseguiu dialogar. Lembrou também que, quando foi eleito prefeito de Cariacica, tinha o apoio de apenas quatro partidos, mas governou com 11. 


Helder, contudo, disse acreditar na reeleição de Lula, inclusive com vitória no Espírito Santo. Relacionou diversas realizações do presidente no Estado, como o socorro financeiro com royalties do petróleo e a implantação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e dos campi do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). 


Coordenador de Estratégia de Redes Sociais de A Gazeta, o jornalista Danilo Meirelles pontuou alguns conflitos na relação de Lorenzo Pazolini com o governo do Estado e, ao questionar o candidato, quis saber o que o republicano teria feito de diferente nessa frente enquanto era chefe do Executivo da Capital. O ex-prefeito afirmou que as divergências citadas, em obras de mobilidade em Vitória, apresentavam relação com licenciamentos ambientais


Garantiu também que as equipes técnicas, nas mais diversas áreas, tiveram interlocução com o governo estadual, a despeito de qualquer divergência político-partidária. Pazolini citou que a Guarda Municipal de Vitória é a única que, atualmente, integra o serviço Ciodes, da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). 

Veja também 

Debate com candidatos ao governo do Espírito Santo será realizado na terça-feira (22), na sede da Rede Gazeta.

Confira como foi debate entre candidatos ao governo do ES realizado por A Gazeta e CBN

Confrontos diretos

O terceiro bloco foi de perguntas entre os candidatos com temas sorteados ao vivo. O debate foi marcado por confrontos diretos divididos em duas rodas de perguntas e respostas entre os candidatos. Com temas definidos por sorteio, os postulantes ao governo do Espírito Santo debateram infraestrutura, trânsito, meio ambiente, economia e segurança pública. O bloco também foi marcado por trocas de acusações entre os candidatos.


No primeiro confronto, Ricardo Ferraço escolheu perguntar a Helder Salomão; o tema sorteado foi "obras prioritárias da gestão". Ricardo questionou o candidato do PT sobre os investimentos estaduais no município de Cariacica, citando intervenções como o viaduto e o mergulhão de Alto Lage.


Em sua resposta, Helder destacou a transformação ocorrida na cidade durante a gestão dele como prefeito e prometeu parcerias de planejamento com todas as prefeituras capixabas. “Eu serei o governador mais municipalista da história deste Estado, não só para repassar dinheiro para os municípios fazerem obras, obras em parceria, mas eu quero ajudar os municípios a planejar o seu futuro, a desenvolver suas vocações econômicas."


Ricardo Ferraço destacou ainda que sua gestão está realizando os maiores investimentos em obras em Cariacica e também em outras cidades da Grande Vitória, destacando ainda a organização do governo do Estado. Na tréplica, Helder afirmou que sua prioridade será finalizar as obras paradas e em andamento. “Além de cuidar de obras, vamos cuidar das pessoas. Vou governar o Palácio Anchieta de portas abertas”, frisou o petista.


O tema seguinte sorteado abordou mortes no trânsito. Pazolini questionou Ferraço sobre os altos índices de violência viária no Estado, afirmando que o trânsito mata mais que homicídios no Espírito Santo. Perguntou, na sequência, se houve falhas de fiscalização e de infraestrutura rodoviária por parte do Estado.


Na resposta, Ricardo rejeitou soluções "simplistas" para problemas complexos e apresentou propostas de conscientização escolar e reforço do policiamento de trânsito no interior.


"Vamos ampliar as campanhas de conscientização nas nossas escolas. É nosso programa de governo também ampliar a nossa capacidade de fiscalização com companhias independentes nos municípios de São Mateus, Linhares, Cachoeiro e Colatina", disse Ricardo.


Ao abordar o tema de preparação para estiagens e temporais extremos, Helder Salomão cobrou de Lorenzo Pazolini os motivos de a cidade de Vitória ter demorado para consolidar um plano municipal de enfrentamento às mudanças climáticas.


Em resposta, Pazolini ressaltou as ações de prevenção geológica na Capital e afirmou que esteve presente em ações de socorro em tragédias recentes, como no município de Mimoso do Sul.


"Na nossa gestão em Vitória, ficamos cinco anos sem perder nenhuma vida. Foi a primeira gestão da história da Capital onde não tivemos perda de vida. Evitamos desastres, prevenimos, tiramos aquelas pessoas que estavam em área de risco social e levamos dignidade e cidadania com o novo lar."


Na abertura da segunda rodada, com o tema reforma tributária, Lorenzo Pazolini questionou Ricardo Ferraço sobre a alegada omissão do governo do Estado em debater com a sociedade civil as estimativas de perda de arrecadação do Espírito Santo com o novo sistema tributário.


Ricardo Ferraço respondeu afirmando que o Estado é o mais bem preparado do país para a transição para o Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), citando a saúde fiscal e as reservas financeiras estaduais. "Não há Estado brasileiro mais preparado para fazer o enfrentamento da reforma tributária do que o Estado do Espírito Santo. Temos um governo organizado, um governo com planejamento, um governo com poupança."


Durante a tréplica no confronto sobre esse tema, Ricardo rebateu críticas de Pazolini à gestão estadual e afirmou que o oponente foi indiciado pela Polícia Federal recentemente “porque fez denúncias contra o governo do Estado e não teve capacidade de provar". 


O indiciamento citado é de agosto e diz respeito a uma fala de 2022 em que Pazolini acusou o então governador do Estado Renato Casagrande de estar envolvido em esquema de corrupção. O documento da PF sobre o indiciamento aponta que o ex-prefeito de Vitória foi ouvido para apresentar as provas das suas alegações, mas, segundo o documento, não levou novos elementos ao inquérito. 


A campanha de Pazolini foi procurada por A Gazeta, após o debate, para comentar o indiciamento, mas informou que não vai se manifestar porque o processo corre em segredo de justiça.


No debate, o tema seguinte sorteado tocou a segurança pública. Ricardo Ferraço direcionou sua pergunta a Helder Salomão sobre as estratégias para o enfrentamento ao crime organizado no Estado.


O candidato do PT defendeu o combate aos financiadores do crime, o fortalecimento da inteligência e a integração com as políticas federais de segurança.


"Nós vamos trabalhar na linha de sufocar as facções criminosas no andar de cima quem financia o crime. Com inteligência, com planejamento, com repressão ao crime organizado também no andar de cima e com ocupação dos territórios com políticas públicas", afirmou Helder.


No encerramento do bloco, o tema sorteado foi violência contra a mulher. Helder Salomão questionou Pazolini sobre quais propostas de seu plano de governo visam a combater o feminicídio e outras formas de violência doméstica.


Pazolini destacou indicadores positivos de Vitória durante seu mandato e defendeu a expansão estadual do modelo da Casa Rosa e do botão do pânico, além de investimentos em escolas de tempo integral para promover a autonomia feminina.


"Nós criamos a Casa Rosa em Vitória e precisamos expandir e temos esse compromisso na expansão da Casa Rosa pelo Espírito Santo, que é um equipamento público que atende, acolhe e cuida da mulher. O fundamental é expandirmos essas políticas públicas pelo Espírito Santo."

Críticas a desempenho na educação

O quarto e último bloco voltou a abordar temas livres. Os candidatos novamente fizeram perguntas entre si, em ordem definida previamente em sorteio. 


Ricardo se dirigiu a Helder. Pontuou que Vitória, já administrada por Pazolini, tem um grande orçamento, mas os indicadores educacionais são mais baixos do que a maioria dos demais municípios capixabas. 


Helder ressaltou a própria experiência como professor, da qual diz sentir muito orgulho, e criticou o modelo de gestão da educação implementado pelo adversário na Capital. 


Na avaliação de Helder, os resultados indicam que não adianta apenas ter dinheiro e construir escolas para se refletir no desempenho educacional. Ele mencionou a importância da gestão democrática e um processo permanente de valorização profissional, com melhor remuneração e formação continuada. 


Na sequência, o petista indagou Pazolini sobre em que errou, como prefeito de Vitória, considerando os registros de violência contra a mulher. O candidato republicano falou que tem orgulho da época em que comandou a cidade e que, para ele, as mulheres que moram na Capital sabem que o cenário melhorou. Logo depois, citou os 653 dias sem feminicídios. 


Pazolini também foi questionado sobre o conflito com a ex-vice-prefeita Capitã Estéfane, a respeito do episódio em que o microfone teria sido retirado à força da mão dela e marcou a ruptura política de ambos. O republicano afirmou que um relatório do Ministério Público Federal comprovaria que não houve violência da parte dele.  


O republicano retomou a pauta da educação ao questionar Ricardo Ferraço nesse bloco. Citou o baixo desempenho de alunos do ensino médio em Língua Portuguesa e Matemática, conforme indicadores nacionais.


O emedebista se apegou a outros dados, lembrando que o Espírito Santo tem o melhor resultado da Educação na Região Sudeste e ocupa a terceira posição no país. O candidato aproveitou para também falar sobre projetos desenvolvidos na atual gestão, como a ampliação do tempo integral, e propostas que planeja para a área, caso seja reeleito. 

Assista na íntegra ao debate

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