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Letícia Gonçalves

Violência contra a mulher vira campo de batalha eleitoral no ES

Principais candidatos ao Palácio Anchieta, Ricardo Ferraço, Lorenzo Pazolini e Helder Salomão fazem acenos ao eleitorado feminino

Publicado em 10 de Agosto de 2026 às 17:04

Públicado em 

10 ago 2026 às 17:04
Letícia Gonçalves

Colunista

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Ricardo Ferraço, Lorenzo Pazolini e Helder Salomão prometem caminhar da Catedral de Vitória ao Parque da Prainha, em Vila Velha
Ricardo Ferraço (MDB), Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Helder Salomão (PT)  Fotomontagem/Divulgação
Entre os estados do Sudeste, o Espírito Santo tem a maior taxa de feminicídios (1,7 por 100 mil mulheres, em 2025) e também está acima da média nacional nesse quesito — 10º lugar, empatado com Pernambuco e Paraíba. Os dados são da nota técnica Retratos dos Feminicídios do Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O problema chama a atenção não apenas estatisticamente, mas perceptivelmente. As notícias sobre mulheres assassinadas por companheiros ou ex-companheiros no estado são estarrecedoras, entristecedoras e revoltantes.

Considerando que 53% do eleitorado do Espírito Santo é composto por mulheres, não é de se estranhar que o combate à violência contra a mulher esteja na ordem do dia dos candidatos ao governo do Espírito Santo.

O governador Ricardo Ferraço (MDB), o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) e o deputado federal Helder Salomão (PT) abordam o tema em quase todos os discursos da pré-campanha.

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Pazolini destaca a liderança negativa do Espírito Santo como o mais violento para mulheres no Sudeste. 

"E Vitória dando exemplo. Nós chegamos a 600 dias sem mortes (sem feminicídios)", afirmou o ex-prefeito na convenção estadual do próprio partido, no último dia 4.

Antes, fez um aceno aos profissionais da segurança pública, outra fatia do eleitorado que Pazolini, delegado da Polícia Civil, tenta conquistar:

"O Espírito Santo, infelizmente, apesar dos esforços de todos os policiais civis, estaduais, federais, municipais, todos profissionais da segurança pública (,,,) mesmo com o esforço de mulheres e homens que trabalham em defesa da nossa vida, o Espírito Santo ainda é o estado mais violento (para mulheres) da região Sudeste."

No dia 1º de agosto, durante a convenção do PL, sigla que o apoia, o republicano também abordou o tema. Expôs a posição do Espírito Santo entre os estados do Sudeste em relação aos feminicídios. E mais:

"Nós estivemos juntos com o nosso candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (do PL, no dia 18 de julho), apresentando tudo aquilo que foi desenvolvido na cidade de Vitória, no que diz respeito à proteção às famílias e às mulheres".

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Na ocasião, durante encontro estadual do PL na capital capixaba, Flávio disse que iria incorporar sugestões do ex-prefeito ao plano de governo, como o uso da tecnologia para combater o crime. 

Na prática, o filho de Jair Bolsonaro só falou platitudes. Entre as propostas do candidato do PL à Presidência da República está oferecer uma ferramenta de inteligência artificial chamada MarIA, a "amiga virtual".

Pazolini é um candidato de oposição ao atual governo do Espírito Santo. Logo, faz sentido que ele destaque os percentuais e números negativos da política de segurança pública.

"LONGE"


O governador Ricardo Ferraço (MDB), por sua vez, também cita o combate à violência contra a mulher como tema primordial.

Durante a convenção do PSB, em 30 de julho, começou o discurso já voltando-se às mulheres.
No último dia 5, na convenção do MDB, admitiu, ao discursar, que em relação à redução dos casos de feminicídio, "não chegamos aonde nós queremos chegar. Nós estamos muito longe de onde nós queremos chegar".

Mas observou que "com muito trabalho conseguimos reduzir o feminicídio em 10%". 
De acordo com a nota técnica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre 2021 e 2025, houve redução de 10,3%.

PLANO ESTADUAL

Já Helder Salomão (PT), em entrevista concedida na convenção estadual do Partido dos Trabalhadores, no último dia 30, afirmou ser "o único candidato com condições" de apresentar uma proposta efetiva de combate à violência contra as mulheres.

"É o pacto estadual pelo fim do feminicídio no Espírito Santo. Esse é um compromisso com as mulheres capixabas que estará expresso no nosso programa de governo", afirmou Helder.

Ele repetiu isso no discurso voltado aos correligionários.

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O deputado federal, assim, parece emular o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, lançado pelo governo Lula (PT).

A vice de Helder, cabe lembrar, é uma mulher, a Professora Valdirene Bernardino, também do PT.

Na vaga de vice de Ricardo está o vereador de Vitória Camillo Neves (PP), que chegou ao posto graças à força da federação União Progressista.

Pazolini ainda não definiu quem vai ser o vice, ou a vice.


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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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