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Letícia Gonçalves

De improvável a candidata: a volta de Rose de Freitas à corrida pelo Senado

"Falaram que eu era muito velhinha, falaram que eu nem enxergava direito. Mas, ó, meus olhos enxergam os fatos", discursou a ex-senadora na convenção estadual do MDB

Publicado em 06 de Agosto de 2026 às 05:00

Públicado em 

06 ago 2026 às 05:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Euclério Sampaio, Ricardo Ferraço, Renato Casagrande, Rose de Freitas e Camillo Neves na convenção estadual do MDB
Euclério Sampaio (MDB), Ricardo Ferraço (MDB), Renato Casagrande (PSB), Rose de Freitas (MDB) e Camillo Neves (PP) na convenção estadual do MDB Instagram/@renatocasagrande
Ao discursar na convenção estadual do MDB, na noite de quarta-feira (5), a ex-senadora Rose de Freitas constatou: "Foi uma longa caminhada até aqui". E foi mesmo. Pela persistência em caminhar e pelo fato de outros terem desistido no meio do percurso, a emedebista conseguiu ser confirmada candidata ao Senado.

Ao menos desde outubro de 2025, ela se postava como pré-candidata. Enfrentou resistência dentro do próprio partido e no grupo do ex-governador Renato Casagrande (PSB) e do governador Ricardo Ferraço (MDB).

A verdade é que pouca gente botava fé na veterana que exerceu oito mandatos eletivos e está com 77 anos de idade.

Falaram que eu era muito velhinha, falaram que eu nem enxergava direito. Mas, ó, meus olhos enxergam os fatos

Rose de Freitas (MDB) Candidata a senadora

Além disso, meses atrás havia outros interessados em concorrer ao Senado na chapa de Ricardo, que disputa a reeleição.

Uma das vagas estava desde sempre garantida para Casagrande. Mas o segundo espaço na coligação (este ano duas vagas de senador estão em disputa em cada estado)  foi alvo de disputa e especulação.

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O prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, presidente estadual do MDB, chegou a se lançar na corrida. Mas desistiu de renunciar ao mandato para concorrer.


O prefeito de Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos (PSB), também recuou.


A bola passou para os pés do deputado federal Da Vitória (PP), outro aliado de Casagrande e Ricardo que poderia disputar o Senado. Mas Da Vitória não quis.

Enquanto isso, Rose, com apoio de caciques do MDB nacional, impôs-se cada vez mais. 

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A pressão vinda "de cima", por intermédio da própria ex-senadora, até irritou Euclério. Ele frisou, por diversas vezes, que a decisão sobre lançar ou não uma candidatura ao Senado seria da Executiva estadual da sigla.

É que ter dois candidatos majoritários, um a governador e outro a senador, é estrategicamente pesado para um partido só.

E a prioridade é reeleger Ricardo.

Mas quem disputaria a segunda vaga ao Senado no grupo governista se não Rose?

Aos 45 do segundo tempo, quando a emedebista já estava praticamente consolidada como candidata, surgiu o rumor de uma possível reviravolta.

O deputado estadual Sérgio Meneguelli (PSD) e o presidente estadual do PSD, Renzo Vasconcelos, reuniram-se com Ricardo e Euclério. O encontro ocorreu na terça-feira (4) na residência oficial da Praia da Costa.

Se Ricardo deixasse Meneguelli entrar na chapa como candidato a senador, isso significaria rifar Rose da disputa.

Uma coligação pode lançar, no máximo, dois candidatos a esse cargo.

O boato já estava formado e circulando como "mensagem encaminhada com frequência" no WhatsApp: a ex-senadora viraria suplente de Casagrande para dar lugar a Meneguelli.

Nada disso, porém, foi confirmado. Na própria terça-feira, Euclério cravou, em entrevista para a coluna, que Rose seria aclamada candidata ao Senado pelo MDB no dia seguinte.

E foi o que aconteceu.

Ser candidata, porém, é uma coisa. Ser eleita, é outra.

RE, RI, RO

Em 2022, Rose era senadora e disputou a reeleição com o apoio de Renato Casagrande, então candidato ao governo, e Ricardo Ferraço, que era o vice na chapa.

Foi derrotada por Magno Malta (PL), que estava sem mandato na época.

Magno recebeu 821.189 votos (41,95%) e Rose, 747.104 (38,17%).

Agora, a ex-senadora não vai enfrentar Magno nas urnas diretamente.

O senador, que é presidente estadual do PL, tem mais quatro anos de mandato em Brasília e escalou a própria filha, a estreante Maguinha Malta (PL), como candidata ao Senado. 

Também estão na disputa Meneguelli (sem coligação com o partido de Ricardo ou qualquer outro); o deputado federal Evair de Melo (Republicanos); o também deputado estadual Callegari (DC); o professor Carlos Fabian (PSOL); o vereador de Vitória Leonardo Monjardim (Novo); e os senadores Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (Avante).


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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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