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Letícia Gonçalves

Por que, desta vez, Meneguelli não tomou uma rasteira

Deputado estadual foi confirmado como candidato ao Senado pelo PSD. Em 2022, ele também tentou concorrer, mas o resultado foi diferente

Publicado em 06 de Agosto de 2026 às 03:40

Públicado em 

06 ago 2026 às 03:40
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
O deputado estadual Sérgio Meneguelli na convenção estadual do PSD
O deputado estadual Sérgio Meneguelli na convenção estadual do PSD, em Vitória Foto: Letícia Gonçalves
Em 2022, um cabisbaixo Sérgio Meneguelli participou da convenção estadual do Republicanos, partido ao qual estava filiado. Ele havia sido rifado da disputa pelo Senado pela própria sigla e teve que se contentar em ser candidato a deputado estadual.

A cena poderia ter se repetido no ato do PSD, nova sigla do parlamentar, na noite de quarta-feira (5). Mas, desta vez, Meneguelli conseguiu o que almejou há quatro anos: ser candidato a senador. Isso foi registrado em ata, é oficial. 

No discurso, ele não poupou impropérios contra o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, a quem culpa pelo revés sofrido no pleito anterior: "Covarde!".


Já o presidente estadual do PSD, o prefeito de Colatina Renzo Vasconcelos, decidiu bancar o lançamento de Meneguelli mesmo sem coligação com nenhum outro partido e sem o apoio formal de um candidato ao governo do Espírito Santo. 

É um voo solo.

O PSD está neutro em relação à corrida ao Palácio Anchieta, justamente para ter Meneguelli como candidato ao Senado. No palanque de Lorenzo Pazolini (Republicanos) ou de Ricardo Ferraço (MDB) isso não seria possível.

Renzo justificou a decisão pelo fato de ser um "homem de palavra". Ele havia prometido a Meneguelli que o lançaria ao Senado.

É verdade e não minimizo aqui a relevância moral e ética de se cumprir a palavra.

"Palavra de homem não precisa ser assinada e não volta atrás. Ela é no fio do bigode", discursou o prefeito, durante a convenção.

Mas há um outro fator envolvido. 

Se o deputado estadual tomasse uma rasteira do PSD agora, isso poderia resultar em consequências drásticas para Renzo num futuro próximo.

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Nada foi verbalizado, ao menos não publicamente, mas é uma matemática eleitoral básica.


Na reta final da campanha de 2024, Meneguelli, que já foi prefeito de Colatina (2017-2020), declarou apoio a Renzo na disputa pelo comando do Executivo municipal. Foi algo importante. 

O atual prefeito venceu por uma margem apertadíssima: 39,82% dos votos contra 36,56% do segundo colocado, Guerino Balestrassi (na época, filiado ao MDB).

Mas e em 2028, quando o prefeito tentar a reeleição? 

E se o deputado estadual decidisse concorrer contra Renzo? Seria um adversário duro, poderia levar os planos do presidente estadual do PSD por água abaixo.

A coluna perguntou a Meneguelli, logo após ele ser confirmado candidato ao Senado, na noite de quarta, se ele descartaria, de pronto, disputar a Prefeitura de Colatina em 2028. Nem titubeou:

"Descarto. Não é meu projeto de vida. Eu não curto reeleição, já tive duas oportunidades de voltar à prefeitura e não fui. Se eu voltasse, seria uma reeleição disfarçada".

Quem tem que disputar a reeleição é Renzo Vasconcelos. Eu não quis governar por oito anos por uma questão pessoal, mas Renzo Vasconcelos tem meu apoio desde agora. Não vou ser candidato em 2028

Sérgio Meneguelli (PSD) Candidato ao Senado

Ao cumprir a palavra com Meneguelli, independentemente do resultado do pleito de 2026, o atual prefeito de Colatina assinou tacitamente um contrato com o deputado estadual.

Pois espera-se que daqui a dois anos Meneguelli também cumpra o que prometeu. 

Dessa forma, Renzo afasta um potencial rival em 2028.

O PSD, entretanto, teve que abrir mão de outras coisas.

Nos bastidores, até meados da tarde de quarta-feira, estava fortíssima a especulação de que o partido selaria uma aliança com Pazolini.

A médica Lívia Vasconcelos, esposa de Renzo, seria a vice na chapa do ex-prefeito de Vitória.
Sérgio Meneguelli, Lívia Vasconcelos e Renzo Vasconcelos na convenção estadual do PSD
Sérgio Meneguelli, Lívia Vasconcelos e Renzo Vasconcelos na convenção estadual do PSD Foto: Letícia Gonçalves
Ela confirmou, à noite, que chegou a ser convidada para ocupar o posto.

O PSD, cabe frisar, já tentava emplacar o nome da primeira-dama havia algum tempo. 

Mas recuou ao perceber que no palanque de Pazolini não haveria espaço para Meneguelli.


Entre tentar chegar ao Palácio Anchieta ou reduzir o risco de perder a cadeira já conquistada em Colatina, o PSD preferiu a segunda opção.

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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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