A nota de Hartung é até um tanto dúbia, mas a própria assessoria de imprensa do ex-governador frisou que a dedicação à "militância cidadã" significa que ele não vai participar da corrida eleitoral.
Se antes Renzo se agarrava a uma possibilidade em que poucos acreditavam, agora contradiz um dado da realidade.
Apesar do otimismo, a verdade é que o partido não está nas melhores condições para negociar.
O PSD tem grande envergadura nacionalmente, mas no Espírito Santo é quase um nanico. Não tem deputado federal, tem apenas um estadual e elegeu três prefeitos em 2024.
Quer uma vaga na chapa majoritária, de candidato ao Senado ou a vice.
No palanque de Ricardo, a vice já deve ir para o vereador de Vitória Camilo Neves (PP). Uma das vagas de candidato ao Senado é do ex-governador Renato Casagrande (PSB) e a outra está praticamente certo que vai ficar com a ex-senadora Rose de Freitas (MDB).
No lado de Pazolini, por sua vez, Maguinha Malta (PL) é candidata ao Senado. O outro candidato deve ser o deputado federal Evair de Melo (Republicanos).
A vaga de vice ainda não foi definida.
Nos bastidores, a aposta é que o PSD rodou, rodou e vai voltar aos braços do ex-prefeito, justamente nesse espaço.
Os nomes que a sigla tem como opção para vice são o da esposa de Renzo Vasconcelos, Lívia Vasconcelos, e o do ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon.
A convenção estadual do PSD está marcada para o último dia do prazo, 5 de agosto, às 18h.
E MENEGUELLI?
Quem sobra nesta história é o deputado estadual Sérgio Meneguelli, pré-candidato do PSD ao Senado, que fica sem espaço seja com Ricardo, seja com Pazolini.
Meneguelli já se disse disposto a concorrer sozinho, tendo apenas o próprio PSD como guarida e sem o apoio de um candidato ao Palácio Anchieta.
Isso, entretanto, é pouco crível.
Seria um ato de total isolamento por parte do PSD. A candidatura de Meneguelli é competitiva, mas paritr para a briga assim, sem nenhum reforço, seria muito arriscado.
Há duas vagas de senador em disputa este ano, mas da esquerda à direita, da oposição à situação, ninguém duvida que uma das cadeiras vai ficar com Casagrande.
Os outros candidatos e pré-candidatos estão, portanto, concorrendo a uma vaga só.
HARTUNG COMO CABO ELEITORAL
Mesmo sem lançar Hartung, o PSD continua a ser o partido do ex-governador.
Se o PSD subir no palanque do republicano, nada indica que o ex-prefeito vá mudar de postura. Alguns aliados de Pazolini o aconselham justamente a manter distância da imagem do ex-governador.
Isso devido à greve da Polícia Militar, ocorrida em 2017, na gestão Hartung. O episódio o tornou uma espéde persona non grata entre os integrantes das forças de segurança pública.
Depois que o Republicanos firmou a aliança com o PL, o fator Hartung passou a pesar ainda mais. Os bolsonaristas tampouco têm simpatia pelo tradicional político capixaba.
No palanque de Ricardo, nem se fala. Além da questão da greve da PM, há toda uma história. Ricardo e Hartung foram aliados, mas há anos estão em grupos políticos diferentes. Ricardo e Casagrande de um lado, Hartung de outro.
Não à toa, o emedebista e o socialista destacaram que a incipiente conversa com o PSD ocorreu apenas em termos institucionais, com "o CNPJ", "não com o CPF".
E Hartung também nunca deu sinais de que pretendesse uma reaproximação.
O ex-governador, atualmente, tem a vida mais radicada em São Paulo que no Espírito Santo. Na Terra da Garoa, atua na iniciativa privada.
É improvável que se dedique de corpo e alma a pedir votos em prol de algum candidato por aqui.