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Vitor Vogas

Quem é Camillo Neves, favorito para vice de Ricardo Ferraço

“Estou preparadíssimo para ser candidato a vice do governador”, afirma vereador de Vitória (em meio a cumprimentos de colegas). Conheça mais aqui sobre ele

Publicado em 03 de Agosto de 2026 às 18:35

Públicado em 

03 ago 2026 às 18:35
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Camillo Neves é vereador de Vitória e tende a ser o candidato a vice-governador de Ricardo Ferraço
Camillo Neves é vereador de Vitória e tende a ser o candidato a vice-governador de Ricardo Ferraço Câmara de Vitória

De bate-bola, o vereador entende. Foi o que propus a ele, na manhã desta segunda-feira (3), em visita ao plenário da Câmara de Vitória. Ele se dispôs a me atender e, de fato, por cerca de meia-hora, “batemos uma bola” nas dependências da Casa. Durante todo esse tempo, Camillo Neves (PP) mostrou-se muito preocupado em não transmitir a impressão de que “já se sentou na cadeira” de candidato a vice-governador Ricardo Ferraço (MDB).


Mas nem era preciso ser tão cauteloso. Seus próprios colegas de plenário já o tratam como companheiro de chapa de Ricardo. No plenário, Camillo foi saudado e parabenizado, individualmente, por vários pares, do PT ao PL. A fila de cumprimentos se estendeu até o momento da entrevista. Enquanto eu conversava com ele, outros parlamentares entraram no gabinete só para lhe dar os parabéns e lhe desejar sorte e sucesso na campanha eleitoral.


A esta altura, de fato, Camillo Neves é o favorito absoluto para ser o candidato a vice de Ricardo, por indicação da Federação União Progressista. À coluna, ele mesmo se diz “preparadíssimo” para essa missão, para a qual deve ser oficialmente escalado nos próximos dias.

Eu me sinto preparadíssimo, porque sempre digo que, em minha vida, aparecem oportunidades e a gente precisa estar pronto para que a gente consiga desenvolver o melhor papel, o melhor trabalho.

Camillo Neves (PP), vereador de Vitória

O parlamentar completou:


“Sobre compor, o que tenho de concreto é que sou vereador de Vitória. Estou lisonjeado de o meu nome estar posto. Isso quer dizer que as pessoas confiam no meu trabalho, têm percebido o meu trabalho. É uma demonstração também que Vitória vai ser contemplada, a Grande Vitória vai ser contemplada, o Parlamento vai ser contemplado. Então, estou superpreparado. O nome que for escolhido eu tenho certeza absoluta que vai desempenhar um bom papel, por acreditar no trabalho do Ricardo e na pessoa do Ricardo, que vai dar continuidade a um trabalho que vem sendo muito bem feito e a gente tem acompanhado”, emendou Camillo, meio que já falando dele mesmo.

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Ligado a Marcelo Santos, presidente estadual do União Brasil, e principalmente a Josias da Vitória, presidente estadual do PP e da União Progressista, Camillo foi o nome que prevaleceu entre os indicados pela federação.


Após um último grande estremecimento na relação, resultante justamente da disputa pela vice, a Federação União Progressista decidiu se manter na coligação de Ricardo. Na semana passada, um grupo de aliados do governador, incluindo prefeitos como Euclério Sampaio (MDB) e Enivaldo dos Anjos (PSB), defendeu o nome de Sérgio Vidigal (PDT) para compor com Ricardo. A federação bateu o pé: jamais abriu mão da vice.


No último sábado (1º), na convenção estadual do PDT, ao lado de Ricardo e Renato Casagrande (PSB), o próprio ex-prefeito da Serra declarou pela enésima vez que não será candidato a nada.


Ricardo não poderia se dar ao luxo de perder o apoio da imponente federação, com tudo o que esta acrescenta à coligação e à campanha liderada por ele: recursos financeiros, muito mais tempo de rádio e TV, diretórios municipais, chapas completas para a Assembleia e a Câmara dos Deputados. 

As partes chegaram a um entendimento, e a federação decidiu permanecer com Ricardo, mediante o atendimento dessa condição


Na próxima quarta-feira (5), durante sua convenção estadual, a União Progressista deverá formalizar a candidatura de Camillo a vice-governador.   

Quem é Camillo Neves

Aos 34 anos, Camillo tem pouco mais da metade da idade de Ricardo, que tem 62. Quando ele nasceu, o atual governador já militava na política. O vereador “equilibra” a chapa na idade, rejuvenescendo a composição, e no quesito geográfico, uma vez que ele é de Vitória, enquanto Ricardo é de Cachoeiro de Itapemirim e muito mais conhecido no interior do Estado.


Capixaba da gema, Camillo cresceu no bairro Ilha de Santa Maria. Dizendo-se um grande “apaixonado pela política”, ele pode ter a política no sangue, mas não tem sangue político: é o primeiro de sua família que decidiu disputar eleições (ao contrário do próprio Ricardo, filho e descendente político de Theodorico Ferraço).


A mãe do parlamentar é servidora pública aposentada da Caixa Econômica Federal. O pai, além de músico (voz e violão), é advogado, assim como o irmão. O próprio Camillo chegou a cursar Direito na Faesa, mas, segundo ele, deixou o curso no 7º período, devido à dificuldade em conciliar os estudos, na época, com a outra atividade marcante em sua história de vida: o esporte.


Graduado posteriormente em Educação Física pela Universidade Paulista (Unip), em Vitória, Camillo é atleta profissional de duas modalidades futebolísticas. No Brasil, ele chegou a jogar pela seleção brasileira de futebol de sete (society). Com dupla nacionalidade, disputou, no ano passado, a Copa do Mundo de futebol de areia, pela seleção italiana, realizada em Seicheles, na África. A Itália perdeu nas quartas de final (por 4 a 3) para Senegal. O Brasil foi campeão.


Antes disso, Camillo chegou a jogar beach soccer por clubes da Espanha e da Itália. Aos 18 anos, atuou no Espanyol, da Catalunha, na Espanha. Mais velho, jogou cinco temporadas em clubes italianos da modalidade.


Foram quatro anos no Pisa, clube da cidade da famosa torre inclinada na região da Toscana, e mais um ano no Catania, clube da segunda maior cidade da Sicília. Passava quatro meses por lá todo ano, durante o verão europeu (temporada das competições de futebol de areia no país).

Ele fala um italiano limpo e fluente, praticamente sem sotaque.

A trajetória política

Aos 24 anos, Camillo disputou sua primeira eleição para vereador, em 2016, pelo antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). O partido elegeu dois vereadores, Dalto Neves e Roberto Martins. Quatro anos depois, ele tentou de novo chegar à Câmara, mas bateu na trave: ficou como primeiro suplente de Luiz Paulo Amorim, na chapa do Partido Verde (PV).


Em 2024, na terceira tentativa, finalmente marcou seu primeiro gol: pelo Progressistas (PP), elegeu-se vereador, com 2.278 votos e como o 12º mais votado entre os que entraram.

Foi eleito pela coligação do então prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), reeleito naquele mesmo pleito. O PP inclusive era e ainda é a sigla da vice de Pazolini e agora prefeita de Vitória, Cris Samorini.


No primeiro ano de mandato, 2025, Camillo realmente fez parte da base de Pazolini em plenário. A guinada ocorreu no início deste ano. O próprio Camillo confirma que o ponto de virada (e de ruptura com o então prefeito) se deu no contexto da eleição da próxima Mesa Diretora da Câmara de Vitória, disputa interna que movimenta os vereadores há meses.


Camillo foi um dos principais articuladores do movimento “Dalto em agosto”: 16 dos 21 parlamentares queriam que o colega Dalto Neves (SD) fosse eleito na primeira quinzena de agosto – como previa, inicialmente, o Regimento Interno da Casa –, para presidir a Casa pelo biênio 2027-2028. Pazolini queria a eleição postergada para o fim do ano, após as eleições gerais de outubro, na qual ele disputará o cargo de governador.


Os interesses colidiram. O grupo de 16 vereadores, incluindo muitos da base, entre eles Camillo, manteve-se inarredável. Comandada por Anderson Goggi (Republicanos), aliado de Pazolini, a Câmara de Vitória apelou ao STF e, em abril, conseguiu adiar a eleição interna para depois de outubro, em decisão monocrática de Gilmar Mendes e vitória indireta de Pazolini.


“Não vou negar para você que existe influência da prefeitura aqui na Câmara. Isso existe. Mas as coisas não podem ser feitas da maneira truculenta como foi. Não aceitamos carteirada”, declarou Camillo à coluna.


Em março, coincidindo com o auge desse conflito entre Pazolini e Câmara de Vitória, a Federação União Progressista declarou apoio a Ricardo Ferraço para governador. Camillo participou do evento de anúncio, no auditório do Palácio do Café.


Daí em diante, o vereador mudou sua atitude no plenário, passando a criticar regularmente a Prefeitura de Vitória. Intensificou as críticas de abril para cá, com a chegada de Ricardo ao Governo de Estado e de Cris Samorini (por acaso, sua colega de partido) à Prefeitura de Vitória.


O vereador acredita que seu “gesto de independência” no episódio da Mesa tenha sido importante para chamar a atenção de Ricardo, Da Vitória e companhia, levando os líderes do movimento casaferracista a passar a considerá-lo como alternativa para completar a chapa da situação.


“Sou um ativo do partido. O que posso te dizer é que Ricardo tem muito carinho por mim. Minhas características políticas são a estabilidade e a discrição. Nunca farei um movimento contrário a você sem conversar com você primeiro. Amo a política e agora preciso trabalhar e entregar para me manter bem posicionado.”

Suplente na área

Um dos que entrou no gabinete para felicitar Camillo durante o nosso bate-bola foi Gilsinho Passarinho, primeiro suplente dele no PP.


Ao disputar a Copa do Mundo de futebol de areia em 2025, Camillo licenciou-se do mandato por dois meses, e Passarinho chegou a assumir durante esse período.


Agora, como se pode notar, ele já está na expectativa de voltar a assumir. 

Curiosidade

Camillo é neto de desembargador e filho de Guto Neves, que tocou e fez sucesso com Lula D’Vitória e Carlos Bona nos anos 1980 e 1990. Guto foi um dos primeiros contemplados com a Lei Rubem Braga em Vitória.

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Vitor Vogas

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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