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Letícia Gonçalves

Da promessa ao recuo: a odisseia de Arnaldinho Borgo nas eleições de 2026

Prefeito de Vila Velha agora comanda um PSDB enfraquecido e tem que torcer para Ricardo Ferraço ser reeleito

Publicado em 31 de Julho de 2026 às 16:16

Públicado em 

31 jul 2026 às 16:16
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Renato Casagrande e Ricardo Ferraço participaram de convenção que lançou chapa do PSDB, presidido por Arnaldinho Borgo
Renato Casagrande e Ricardo Ferraço participaram de convenção que lançou chapa do PSDB, presidido por Arnaldinho Borgo Foto: Divulgação
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), prometeu pouco antes das eleições de 2024 que não seria candidato a nenhum cargo em 2026. Isso estava "fora de questão". Já em 2025, reeleito, mudou de ideia. Tentou, quase a qualquer custo, disputar o governo do Espírito Santo. Flertou com gregos e troianos, viveu uma odisseia e voltou para casa, ou seja, permaneceu no comando da prefeitura e não vai concorrer.

Na tentativa de viabilizar a própria candidatura, ele tomou o comando do PSDB estadual à revelia dos tucanos capixabas e provocou uma debandada na sigla. Na última quarta-feira (29), a convenção estadual do partido entregou o que era possível: uma chapa incompleta de candidatos a deputado estadual. 


O PSDB-ES não vai disputar vagas na Câmara dos Deputados, o que seria vital para a legenda, já enfraquecida no estado e no país.

Fora da corrida pelo Palácio Anchieta, Arnaldinho decidiu apoiar a reeleição do governador Ricardo Ferraço (MDB). O melhor cenário para o prefeito, pensando no pleito de 2030, é que o emedebista seja o vencedor das eleições de 2026.

É que Ricardo, se vitorioso, não vai poder tentar a recondução ao cargo (a legislação permite apenas uma reeleição), o que deixa a avenida aberta para um aliado dele. Arnaldinho poderia ser esse nome.

Já se um adversário do governador ganhar, nada impede o tucano de concorrer, mas as circunstâncias seriam diferentes. Outro governador eleito em 2026 tentaria a reeleição em 2030 e o prefeito de Vila Velha teria que concorrer como oposição, enfrentando a máquina estadual.

Assim, hoje Arnaldinho é um cabo eleitoral de Ricardo na Grande Vitória, onde o emedebista precisa ampliar os percentuais de intenção de voto.

O prefeito é bem avaliado, mantém prestígio na cidade e tem potencial.

A saga que levou o tucano até aqui, entretanto, deixou sequelas.

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Ao discursar na convenção do PSDB, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) brincou: "Arnaldinho foi apaixonado por mim até o dia dois de abril. Depois, se apaixonou pelo Ricardo". 

A afirmação foi uma alusão aos investimentos feitos pelo governo estadual em Vila Velha na gestão anterior e na atual. Ricardo assumiu o comando do Palácio Anchieta no dia dois de abril de 2026.

O que o socialista deixou de mencionar, até porque do contrário geraria um climão desnecessário, é que Arnaldinho "se apaixonou" ou ao menos se aventurou com adversários de Casagrande e Ricardo.

No Podemos, partido pelo qual se elegeu prefeito em 2020 e se reelegeu em 2024, Arnaldinho não conseguiria ser candidato ao governo. Então ele passou a buscar outro abrigo. Tentou, por exemplo, chefiar o PSD, partido do ex-governador Paulo Hartung. Não conseguiu. 

Impôs-se no PSDB, graças à intervenção do presidente nacional da sigla, Aécio Neves.

Depois que Casagrande ungiu Ricardo, e não o prefeito, como o nome apoiado na corrida pelo Palácio Anchieta, Arnaldinho mudou de lado e se juntou ao ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos).

O republicano é o principal adversário de Ricardo.

Mas Pazolini não abriria mão de disputar o governo. Nem em 2026 nem em 2030. 

Logo, a parceria Pazadinho não vingou.

Casagrande (a direita) observa o afago de Pazolini a Arnaldinho durante o discurso do prefeito de Vitória
Casagrande (a direita) observa o afago de Pazolini a Arnaldinho durante o discurso do prefeito de Vitória, em fevereiro de 2026 Foto: Marcos Salles
O prefeito de Vila Velha então recuou, voltou aos braços de Casagrande e endossou a reeleição de Ricardo.

Como não renunciou ao mandato até o início de abril, Arnaldinho não pode ser candidato a nenhum cargo em 2026.

O que ele pode fazer é o que já está pondo em prática: aparece ao lado de Ricardo e Casagrande em eventos públicos, circula com eles em feiras livres em Vila Velha. 

Vai pedir aos eleitores que votem no emedebista para o governo e no socialista para o Senado.

Mas, falemos das sequelas.

As idas e vindas de Arnaldinho acenderam o sinal de alerta entre líderes políticos capixabas. A rapidez com que ele muda de ideia e de lado não inspira confiança.

Não é nada inédito, claro.

No palanque da convenção, na quarta-feira, estava, por exemplo, o presidente estadual do PRD, Bruno Lourenço. PRD e o Solidariedade estão federados e realizaram a convenção junto com o PSDB e o Cidadania. 

Lourenço está ao lado de Arnaldinho e, logo, no time de Ricardo e Casagrande. Em 2022, Bruno Lourenço, então filiado ao PTB, foi vice na chapa de Carlos Manato (PL). Eles concorreram diretamente contra Casagrande e Ricardo.
 
A política dá voltas.

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Letícia Gonçalves

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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