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Letícia Gonçalves

Ideologia X Alucinação: as estratégias de Pazolini e Ricardo na corrida pelo governo do ES

Os dois são políticos de centro-direita. Mas um quer "a brigalhada ideológica" longe. O outro não vai conseguir fugir disso

Publicado em 27 de Julho de 2026 às 15:51

Públicado em 

27 jul 2026 às 15:51
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini
Ricardo Medeiros e TV Gazeta/Reprodução
No encontro estadual do PL, realizado no último dia 18 em Vitória com a presença do senador Flávio Bolsonaro, a música mais executada foi "Noites Traiçoeiras", sucesso na voz do Padre Marcelo Rossi e conhecida por católicos e evangélicos. 

A canção já virou tradição em eventos organizados pelo presidente estadual do PL, senador Magno Malta. Mas outra música poderia traduzir o espírito do encontro bolsonarista: "Ideologia", de Cazuza e Frejat.

Ok. Apenas o refrão. Pois o PL precisa de uma ideologia para viver. 

E deixou isso claro com discursos contra o PT, a esquerda e o tom de culto religioso adotado o tempo todo.

Já no sábado (25), durante a convenção estadual do PSB, o que ecoou à exaustão foi o jingle de campanha do ex-governador Renato Casagrande, candidato ao Senado: "Tá pensando que acabou? Acabou nada", diz o refrão.

Tem a ver com o fato de Casagrande, após três mandatos à frente do Executivo estadual, não sair de cena. E ainda tentar emplacar o sucessor, Ricardo Ferraço (MDB). 

Faz sentido.

Mas, mais uma vez, outra música poderia representar uma das mensagens principais da convenção: "Alucinação", de Belchior.

"A minha alucinação é suportar o dia a dia e meu delírio é a experiência com coisas reais."


Ricardo, ao discursar, criticou a "brigalhada ideológica" que tomou conta do país. Casagrande, por sua vez, voltou a destacar que tem "capacidade de diálogo com quem pensa diferente".

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Os acordes da campanha eleitoral, ao menos até agora, estão assim organizados.


O PL está no palanque do principal adversário de Ricardo, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos).

Este abraçou a nacionalização da disputa pelo Palácio Anchieta ao declarar apoio a Flávio.

Ricardo, por outro lado, repetiu que "não cabe a governador fazer oposição" e preferiu não declarar preferência por nenhum candidato ao Palácio do Planalto.

Tanto o republicano quanto o emedebista são políticos de centro-direita. Ideologicamente, não parecem ser muito diferentes.

Enquanto Pazolini defendeu anistia para condenados por tentativa de golpe de Estado, Ricardo apareceu ao lado do Véio da Havan, figura intrinsecamente ligada ao bolsonarismo. E ainda acenou ao eleitorado de direita ao comparecer ao Café com Pólvora, organizado por um clube de tiro.

A diferença está na estratégia eleitoral e nos aliados dos quais eles se cercaram.

Ricardo e Casagrande querem as intrigas de Brasília e o bate-boca entre petistas e bolsonaristas bem longe do pleito local.

Pazolini e, principalmente, seus associados, apostam justamente nisso para vencer a corrida.

Em 2022, vale lembrar, Casagrande se reelegeu governador na esteira do voto CasaNaro. O próprio socialista nunca simpatizou com o então presidente Jair Bolsonaro, mas vários de seus apoiadores sim.

A HORA DA VERDADE


No último sábado, o ex-governador declarou voto em Lula, mas sem muito entusiasmo. Justificou que seu candidato é o petista pois este é o candidato do PSB. 

Já o ex-prefeito de Vitória encontrou no PL um parceiro robusto que afasta o risco do isolamento partidário que se avizinhava.

E, para garantir a coligação com os bolsonaristas, desceu do muro. Ou seja, deixou de omitir suas preferências presidenciais.

Ricardo tem Renato Casagrande, do Partido Socialista Brasileiro, como principal cabo eleitoral. 

Mas o palanque do governador não se resume a Casagrande, é bastante amplo, tem siglas de centro-direita, como o PP e o União Brasil.

Os eleitores do Espírito Santo é que vão mostrar, nas urnas, qual ideologia e/ou estratégia valem mais.  


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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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