“Meu candidato à Presidência é o Lula”, declarou Casagrande,
categoricamente, em resposta a um questionamento nosso, durante entrevista
coletiva concedida logo após a convenção estadual do PSB, realizada na manhã deste sábado (25), na qual o ex-governador teve o nome oficializado como candidato ao Senado.
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O fato em si não surpreende. Do ponto de vista partidário, o
apoio é mais que natural, já que o PSB não só está novamente na coligação do PT
na eleição presidencial como tornou a emplacar o atual vice-presidente, Geraldo
Alckmin, como companheiro de chapa de Lula.
Mas a declaração de Casagrande é muito importante por conter
um nível de ênfase e de objetividade que ele ainda não havia adotado, até este
momento, ao tratar da disputa política nacional.
Pela primeira vez, sem rodeios nem floreios, Casagrande carimba
sem deixar espaço a dúvida: seu candidato à Presidência é Luiz Inácio Lula da
Silva. Seu voto para presidente em outubro será do petista.
Enquanto Casagrande apoia Lula, o PT no Espírito Santo apoia
Casagrande, ainda que informalmente, para o Senado.
No começo de março, a direção nacional do PT definiu 27
candidatos ao Senado que terão o apoio da legenda nas eleições de outubro. A
lista foi aprovada pela cúpula nacional do PT e publicada no dia 3 daquele mês
pelo site Metrópoles, que teve acesso ao documento.
No Espírito Santo, além da reeleição do senador Fabiano
Contarato, a cúpula nacional do PT decidiu apoiar o retorno de Casagrande ao
Senado. Isso um mês antes de ele renunciar ao cargo de governador para poder se
candidatar a um lugar na Câmara Alta.
Já naquela oportunidade, o presidente estadual do PT, João
Coser, confirmou a veracidade da lista publicada pelo Metrópoles. Como Coser
então explicou a este colunista, as eleições de Contarato e de Casagrande,
nesta ordem, são “prioridade” não só para a direção nacional do PT como também
para o presidente Lula, líder máximo da agremiação.
“A lista é nacional e é válida, sim. O que não ocorreu ainda
foi debate local. Mas é uma prioridade de Lula e da Nacional. Nossa prioridade
zero é Contarato, e Casagrande como segundo voto”, afirmou, em março, o
presidente estadual do PT.
Por sua vez, a direção estadual do PSB e a sua militância
veem com grande simpatia o mandato de Fabiano Contarato, e boa parte deverá
apoiar e escolher o senador petista como segunda opção de voto, depois de Casagrande.
Também de maneira informal.
Apesar das convergências na eleição para o Senado, PT e PSB
desta vez não se coligarão no Espírito Santo por estarem em lados diferentes na
eleição para o Governo do Estado. O PSB e o próprio Casagrande apoiam Ricardo
Ferraço (MDB), atual governador, para o Palácio Anchieta.
O PT, por seu turno, lançou candidato próprio ao Palácio
Anchieta: o deputado federal Helder Salomão, que pela primeira vez disputará o
cargo de governador e tem o apoio pessoal do próprio Lula.
No Espírito Santo, o PT tem se firmado como crítico de Ricardo
Ferraço, considerado pelo partido um governador e candidato de direita.
Ricardo, por sua vez, não morre de amores pelo PT e não faz questão alguma de
ter proximidade com o partido de Lula. A rejeição é mútua.
Tanto que, antes da passagem oficial de bastão de Casagrande para Ricardo (no dia 2 de abril), o PT, que participava do governo Casagrande, decidiu não fazer parte do governo de Ricardo.
Ultimamente, como já relatou a colunista Letícia Gonçalves, o sucessor de Casagrande tem feito acenos eleitorais ao eleitorado mais bolsonarista.
É nessa corda bamba político-eleitoral que Casagrande agora
precisa se equilibrar. Dentro do PSB, ele mesmo, pessoalmente, nunca foi dos
maiores fãs de Lula. Mas, se tem uma coisa que Casagrande sempre demonstrou, é lealdade
e disciplina partidária, como militante orgânico e histórico do PSB. Se o
candidato do PSB à Presidência é Lula, esse também é seu candidato.
Agora, porém, Casagrande precisa equacionar o fato de que
apoia, ao mesmo tempo, para o Palácio do Planalto, o candidato do PT, e, para o
Palácio Anchieta, um candidato que não curte o PT, que não apoia Lula e que é
criticado pelo partido do presidente...
Isso enquanto o PT tem um outro candidato ao Anchieta, o
qual não só desafia como critica Ricardo Ferraço, o candidato de Casagrande ao
governo.
Deu nó, não deu? Pois é.
Enquanto busca se equilibrar nessa corda bamba cheia de nós,
Casagrande é cobrado por dirigentes do PT e, acima de tudo, pela militância mais
à esquerda do PSB. E fica aí a indagação:
Por acaso, desta vez, Casagrande entrará efetivamente na
campanha de Lula, pedindo votos de verdade para ele nas ruas e no horário eleitoral,
para ajudar a derrotar o bolsonarismo?
Ou será que, mais uma vez, o apoio será apenas proforma, por
coerência, fidelidade partidária e respeito à decisão das instâncias maiores do
PSB, repetindo 2022?
Vale lembrar que, naquele pleito, como candidato à
reeleição, Casagrande não entrou de fato na campanha de Lula (que nem pisou no
Espírito Santo) e ainda aceitou de bom grado o chamado “voto Casanaro”, para
derrotar Carlos Manato no 2º turno.
Qual será sua resposta desta vez para a dúvida acima? Essa foi,
com outras palavras, a pergunta que fizemos ao ex-governador.
Ele respondeu se esquivando:
“Estamos discutindo essa forma de trabalhar...”
A conferir em poucas semanas, quando a campanha começar para
valer.
Adendo
Uma coisa é certa, contudo, arrisco-me a afirmar aqui e
agora, botando minha mão no fogo: a prioridade absoluta de Casagrande é a
eleição local e a vitória de Ricardo Ferraço, para dar continuidade a seu
trabalho e para que seu grupo político permaneça no poder no Estado.
Se tiver de “dar um migué” no PT em nome de seu projeto
maior de reeleger Ricardo, sacrificando (ou ignorando) a campanha de Lula,
Casagrande não vai nem titubear.
É a aposta deste colunista.
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