Quando esteve em Vitória, no último dia 18, o senador Flávio Bolsonaro (PL) não mencionou o caso mais rumoroso que o envolve,
a ligação com Daniel Vorcaro.
O encontro do PL foi marcado por críticas ao presidente Lula (PT) e a "bandidos", mas sem nenhuma lembrança ao banqueiro, a eventuais rachadinhas ou ao crescimento patrimonial do próprio Flávio.
O candidato à Presidência da República decidiu fazer um aceno às mulheres. É nessa fatia do eleitorado que há mais resistência ao nome dele.
Não à toa, após brigar publicamente com a madrasta, Michelle Bolsonaro (PL),
Flávio pediu desculpas, na quinta-feira (23). Quer que ela suba no palanque.
Estou dizendo que mulheres não votam em Flávio de jeito nenhum? Não. Há mulheres de direita e extrema direita que seguem a cartilha bolsonarista.
Mas os principais fãs do senador são homens. A corrida pela presidência é acirrada. Lula, candidato à reeleição, é tão competitivo quanto o nome do PL e às vezes o ultrapassa nas pesquisas de intenção de voto.
Assim, Flávio não pode esnobar uma parte chave dos eleitores, ou seja, as eleitoras.
O apelo que ele faz às mulheres, porém, é raso e, basicamente voltado à segurança pública.
Claro que o feminicídio e casos de violência contra a mulher são um problema real, principalmente no Espírito Santo.
Mas Flávio, em discurso numa área de eventos do Aeroporto de Vitória no dia 18, até chamou a Lei Maria da Penha de "pedaço de papel".
A lei é o maior instrumento de defesa das mulheres que há no país. Não é suficiente para resolver a questão, mas um grande avanço.
"Quem não fica indignado quando você vê um ex-companheiro de uma mulher enfiando a porrada numa mulher num elevador?", bradou o filho de Jair.
"Sou pai de menina, tenho duas", comentou.
"São as melhores coisas que aconteceram na minha vida, depois da minha esposa Fernanda. Fernanda, te amo".
Aliás, a esposa do senador, que até então tinha uma postura discreta, já foi escalada para entrar na campanha, em mais um esforço para conquistar a simpatia do eleitorado feminino.
"A vontade que dá é de quebrar na porrada. É ou não é?", questionou Flávio, a respeito de agressores de mulheres.