Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Letícia Gonçalves

Em derrota para a prefeitura, presidente da Câmara de Vitória arquiva pedido de cassação de vereador

Prefeita Cris Samorini (PP) calculou mal o timing e a reação do plenário ao fazer ofensiva contra parlamentar do PT

Publicado em 22 de Julho de 2026 às 12:45

Públicado em 

22 jul 2026 às 12:45
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Vereador Jocelino e prefeita Cris Samorini
Vereador Jocelino e prefeita Cris Samorini Divulgação e Carlos Alberto Silva


Nesta quarta-feira (22), pelo segundo dia consecutivo, a maioria dos vereadores da Câmara de Vitória esvaziou o plenário e deixou de votar uma das pautas mais importantes do Legislativo, o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), enviado pela prefeitura.

Tudo começou, como mostrou o colunista Vitor Vogas, com a tentativa do Executivo de garantir a abertura de um processo por quebra de decoro contra o vereador Professor Jocelino (PT).

A procuradoria-geral queria que o presidente da Câmara, Anderson Goggi (Republicanos), oficiasse a corregedoria da Casa para tal. Isso poderia, em tese, resultar na cassação do mandato do petista. 

A prefeita Cris Samorini (PP), porém, calculou mal o timing e o efeito que a medida teria sobre o plenário.

Anderson Goggi, aliado da chefe do Executivo municipal, saiu em defesa do vereador do PT nesta quarta e avisou que vai arquivar o pedido da procuradoria.

Foi uma derrota política para a prefeita, que passou por um desgaste desnecessário.

Meu posicionamento é pelo arquivamento da denúncia do Executivo (...) Sairei em defesa do Professor Jocelino, não sou omisso

Anderson Goggi (Republicanos) Presidente da Câmara de Vitória


"O fato de eu estar na base da prefeitura ... entendo que essa questão o Executivo tinha que resolver com o vereador na esfera judiciária. E aí depois, se houver uma condenação, se houver alguma coisa, provocar esse parlamento", afirmou Goggi.

O imbróglio deu-se devido a um post publicado por Jocelino nas redes sociais em que o vereador aponta que uma empresa contratada pela Secretaria Municipal de Educação é investigada pela Polícia Federal.

A empresa é investigada, mas não pelo contrato com a Prefeitura de Vitória. O vereador tampouco disse isso, mas levantou, na publicação, suspeitas sobre a idoneidade da transação :

“Aqui em Vitória, o mandato do Professor Jocelino já havia apresentado denúncias e levantado questionamentos sobre contratos relacionados com empresas que atuam na educação do município”.

Cris Samorini, ou a procuradoria-geral, poderia ter acionado o Judiciário contra a manifestação do vereador, alegando calúnia ou difamação, por exemplo. Embora trate-se de uma linha bem tênue.

Mas preferiu partir para uma briga política. E bem na hora da votação da LDO.

Parlamentares consultados pela coluna, até mesmo alguns que sempre votam de acordo com a prefeitura, avaliaram que, desta vez, houve exagero.

Ninguém quer dar margem para pedidos de cassação de mandato sempre que houver uma crítica ao Executivo municipal. 

Principalmente porque a crítica, neste caso, não contou com ofensas pessoais ou algo tão desarrazoado que poderia configurar claramente uma quebra de decoro, que é algo subjetivo.

Veja Também 

Flávio Bolsonaro e Lorenzo Pazolini

Pazolini vestiu a camisa do bolsonarismo e a aliança com o PL foi selada. E agora?

Prefeita de Vitória Cris Samorini presta contas à Câmara de Vitória

Cris Samorini reafirma "apoio 100%, fidelidade e lealdade" a Pazolini

Para se ter uma ideia, apenas um caso, que é realmente grave, fez a corregedoria da Câmara ser instalada após mais de um ano de inatividade: o do vereador Baiano do Salão, condenado pelo estupro de uma criança.

No fim das contas, o que a prefeitura conseguiu ao tentar emparedar Jocelino foi reforçar o espírito de corpo dos parlamentares num momento em que a base aliada já estava estremecida.

O antecessor de Cris Samorini, Lorenzo Pazolini (Republicanos), também não voava em céu de brigadeiro com os vereadores. 

O terreno, principalmente em ano eleitoral, é fértil para rebeliões.

ESVAZIAMENTO

Nesta quarta, apenas seis vereadores permaneceram no plenário e não houve quórum para a manutenção da sessão.

Os presentes foram: Goggi, Armandinho Fontoura (PL), Davi Esmael (Republicanos), Leonardo Monjardim (Novo), Darcio Bracarense (PL) e Luiz Emanuel (Republicanos).

Monjardim, líder da prefeita na Câmara, criticou a manobra de esvaziamento

"Não dá para parar a cidade, não discutir o orçamento, não fazer mais sessão para dar retaliação. Retaliação a quem?", discursou o vereador do Novo.

"Há excesso? Talvez tenha, mas é preciso debater e discutir os caminhos", completou. 

A LDO pode ser votada na próxima sessão, na segunda-feira (27), agora que Goggi pôs um ponto final nas pretensões punitivas do Executivo municipal.

No meio disso tudo, houve um momento, na terça-feira (21), em que o presidente da Câmara falou palavrões, captados pelo microfone da Mesa Diretora logo após o encerramento da sessão.

“Eu quero é que se ****! Vai todo mundo tomar no ** e que meu *** cresça!”

Nesta quarta, ele pediu desculpas aos servidores e "às pessoas que porventura não gostaram", mas sem muita convicção, uma vez que disse não se arrepender
Sim, falei palavrão. Não me arrependo

Anderson Goggi (Republicanos) Presidente da Câmara de Vitória

Goggi justificou que proferiu os impropérios ao ser informado por alguns vereadores que a sessão de terça seria esvaziada se ele não entrasse em contato com a prefeita e avisasse que iria arquivar o pedido contra Jocelino.

"Sou totalmente solidário ao vereador Jocelino. Hoje é com o Jocelino, amanhã é com quem? Me posicionei em defesa do parlamento", afirmou o presidente da Câmara.

"Mas 'liga se não vamos esvaziar'? Eu não aceito esse tipo de conversa. Falei (palavrão) por indignação".

Mais colunas de Letícia Gonçalves

Lorenzo Pazolini e Magno Malta: os laços por trás da nova aliança

Parceria Monjardim-Maguinha vai rolar, mesmo sem coligação, diz candidato do Novo ao Senado

Nem Flávio Bolsonaro, nem Lula: a estratégia de Ricardo Ferraço para 2026

As cartas que o partido de Hartung tem na mesa após soltar a mão de Pazolini

Climão: Assumção e Pazolini agora estão do mesmo lado do tabuleiro eleitoral

Câmaras Municipais do ES têm gasto histórico de R$ 616,7 milhões em 2025

Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Viatura da Polícia Civil de São Paulo
Mulher é presa SP sob suspeita de encomendar morte de marido policial
Vinicius Junior e Virginia Fonseca durante festa julina, no Rio
Virginia Fonseca e Vini Jr. promovem festa julina e posam na barraca do beijo
Imagem de destaque
Defesa Civil alerta para ventos intensos no Litoral Sul e na Grande Vitória

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados